Em Coimbra há um Mercado pioneiro no país e é só para miúdos

E se as crianças fossem ao mercado, tal e qual os adultos? A diferença é que em vez de irem às compras vão às trocas, mas há uma moeda que ensina os pequenos vendedores e compradores, de brinquedos e acessórios infanto-juvenis, a entender o que é essa coisa do valor e da gestão.

Desde 2011, que a associação cultural Casa da Esquina promove o Mercado de Trocas para Crianças e Jovens, sempre num sítio diferente da cidade de Coimbra. Eduardo Figueira, 17 anos, lembra-se na primeira edição. Fui com a família, depois passei a ir com os meus primos, com amigos, e trocávamos entre nós, conta. 

Para participar neste Mercado de Trocas basta levar de casa brinquedos, jogos didáticos ou de computador, livros e materiais escolares, entre outras coisas que já não são usadas, além de uma pequena manta para as expor. A cada coisa, é preciso dar um preço. Mas então, envolve dinheiro? Mais ou menos. O que existe é uma moeda solidária chamada jardim que encontram no ecobanco à entrada do recinto.

Cada criança recebe 10 jardins, moedas de feltro coloridas que podem gastar neste mercado sustentável, que ensina os mais novos a dar um valor aos seus objectos e a perceber que as coisas não têm de ser novas para serem especiais.

10 anos de Mercado

Lembro-me que da primeira vez que fui estava bastante céptico, confessa Eduardo Figueira. Foi no dia 24 de Setembro de 2011. Imaginava um monte de lixo em cima de uma manta mas não, há coisas giras, algumas que até nem se encontram facilmente nas lojas. Um livro usado sobre animais ficou-lhe na memória e outra coisa que gostava de fazer era a contabilidade da família. Eu fazia a gestão dos jardins dos meus irmãos mais novos que gastavam tudo, recorda Eduardo que, coincidência ou não, hoje estuda Ciências Sócio-Económicas. 

Com um fundamento político-pedagógico, o mercado pretende estimular um ciclo de vida mais amplo para as coisas dos mais novos e também o desapego, afastando a ideia do divertimento da acumulação de objectos sempre novos. A chegar à vigésima nona, a Casa da Esquina calcula ter recebido uma média de 60 crianças por edição. Depois do hiato de cerca de um ano provocado pela pandemia de covid-19, mal pode esperar por ver os sorrisos dos pequenos novamente.

Numa altura em que a emergência climática está em cima da mesa e é uma preocupação global, a iniciativa regressa com o apoio do Grupo de Estudos sobre Economia Solidária do CES (Ecosol/CES), investigadores do Centro de Estudos Sociais e outros parceiros como o Slow Movement Portugal e a Academy4you - Coaching, Training, Consulting.

Não me lembro de ver nada parecido e hoje reconheço o sentido, a razão e a causa deste mercado, remata Eduardo Figueira. Se um dia tiver filhos, será que os vai levar ao Mercado de Trocas? Sem dúvida!

Aquela que também é uma boa actividade para fazer em família e motivo de passeio, já aconteceu em 19 sítios diferentes e depois de espaços como o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, o Centro de Artes Visuais, o Observatório Geofísico e Astronómico e o Museu Nacional de Machado de Castro. Dia 23 de Outubro de 2021, é a vez do espaço exterior da Igreja de São José, entre as 10h e as 13h. A inscrição é obrigatória aqui

Texto e fotos: Filipa Queiroz 

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Miguel Braga
18.10.2021

Lembro-me da edição da foto do Jardim da Sereia. Felizmente não apareço a estragar a foto mas está lá a minha miúda agora maior. 🙂 Vou ver se a convenço a ir este ano.