COIMBRA NO MUNDO | Paris, França

Neste momento estou a morar em Levallois-Perret, uma cidade na periferia de Paris, a 1km de distância.

Fiz ERASMUS em Liége, Bélgica e já morei em Londres durante uma pequena temporada. 

Sou de Coimbra, nascido em 1988 na Maternidade Daniel de Matos, e concluí o curso de Engenharia Civil na Universidade de Coimbra em 2011. Realizei logo de seguida um estágio profissional em Coimbra, na empresa Rui Prata Ribeiro, que durou até 2012. Infelizmente apanhei um péssimo momento no mercado de trabalho e passei 1 ano desempregado. Na altura procurei emprego em Portugal e havia exactamente uma vaga disponível no centro de emprego. 

Cheguei a fazer entrevistas de emprego para o Brasil, Etiopia, Azerbeijão, Noruega, Reino Unido e recebi sempre a mesma resposta: procuramos alguém com experiência na área. Esta experiência frustrante levou a que me atirasse para Londres em Setembro de 2013.

Trabalhei em Part-Time na área da restauração enquanto procurava emprego na minha área. Infelizmente não fui bem sucedido, mas fui chamado para o programa de INOV Contacto, a começar em 2014, que me permitiu pôr um pé no mercado de trabalho.

Esta oportunidade trouxe-me a França, onde já passei por Orleães, Bordéus e me estabeleci finalmente em Paris, em 2015. 

A minha mulher juntou-se a mim em Paris a partir de 2017, o que ajudou a que a vida aqui fosse bastante mais suportável. Tenho uma relação amor-ódio com o trabalho, porque apesar de gostar de ser engenheiro, odeio o stress excessivo associado. O ritmo de trabalho nesta cidade, na minha área em particular, é de bradar aos céus, nunca trabalho menos de 60h semanais. Em contrapartida, ganhei mais experiência aqui no espaço de 7 anos do que ganharia em Portugal no dobro do tempo provavelmente. 

Em contrapartida, gosto imenso do que a cidade tem para oferecer.

Seja para degustar pratos de outros países ou locais, visitar museus, passear num dos muitos jardins, participar em eventos da cidade (meia-maratona de Paris, por ex.), ou simplesmente visitar novos cantos, seja em Paris, seja nos arredores. 

Infelizmente é tudo extremamente caro, mas o dinheiro parado no banco também não traz experiências novas. O trânsito também é algo especial, mas é de esperar numa região com 12,2 milhões de habitantes. Felizmente tenho moto para escapar ao caos.

Sinto falta da facilidade que temos em resolver assuntos do dia-a-dia.

Em França estão muito atrasados na resolução de burocracias, ainda usam cheques e há coisas que só podem ser resolvidas por correio. Portugal apesar de não funcionar na perfeição, está muito mais avançado nesse aspecto. 

Também tenho saudades da calmaria da cidade e dos fins de tarde no Tropical. 

Vou a Portugal cerca de 3 a 4 vezes por ano. É sempre um frenesim para conseguir visitar todos os amigos e família, já que a minha mulher é de Vila do Conde, a minha familia é de Leiria e os nossos amigos são de Coimbra. É sempre um belo desafio geográfico  Tento, mas algo que tento sempre fazer é um bingo de pratos típicos: Rojões, Francesinha no Porto, Leitão da bairrada, Bacalhau (qualquer uma das centenas maneiras diferentes de o preparar), Alheira de Mirandela, pasteis de nata e queijadas de Tentúgal.

Tento também não falhar uma visita ao Chaminé sempre que vou a Coimbra! 

Na cidade, mudava o urbanismo e os acessos para entrar na cidade, depois de ver tantos sítios igualmente pequenos e mais bonitos, entristece-me o potencial perdido que a cidade apresenta. O nosso amigo das rotundas tem o entusiasmo certo em querer melhorar a cidade, mas a abordagem fica aquém.

Como engenheiro, faz-me espécie muitas das coisas que vejo marteladas no urbanismo da cidade.

No país, mudava um par de coisas, sobretudo de cariz político, que me fariam certamente voltar. Não está nas cartas voltar a Portugal tão cedo, mas gostaria imenso de o fazer no futuro. 

Alexandre Almeida 

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