COIMBRA NO MUNDO | Luxemburgo

Eu sou a Joana, tenho 33 anos e vivo no Luxemburgo há cerca de 4 anos.

Cheguei aqui um pouco de pára-quedas, aproveitando uma oportunidade de trabalho que me surgiu, quando ainda estava em Coimbra a acabar o meu doutoramento.

Eu costumo dizer que a minha vida profissional foi muito pouco planeada e eu fui sempre entrando por portas que se foram abrindo no meu caminho. E a minha vinda para o Luxemburgo foi isso mesmo. Uma porta que se abriu e pela qual eu decidi entrar, à procura de um novo desafio profissional.

Antes do Luxemburgo, já tinha vivido 6 meses na Bélgica, em Liège, onde estive um semestre de Erasmus, e vivi uma temporada em Boston, nos Estados Unidos, no âmbito do meu doutoramento.

Hoje sei que estas minhas experiências anteriores além-fronteiras também contribuíram, sem dúvida, para a minha vinda para o Luxemburgo.

Permitiram-me abrir horizontes, conhecer novas realidades e perceber que viver fora de Coimbra e de Portugal não era nenhum bicho de sete cabeças. Ajudaram-me a perceber que eu seria capaz de viver em qualquer outro lugar do mundo, desde que estivesse bem e feliz. 

Eu adoro viver no Luxemburgo! É um país pequeno, com muita qualidade de vida, e onde é fácil conhecer pessoas novas e fazer amigos, principalmente por causa da enorme comunidade jovem e altamente internacional que aqui vive.

Quando me mudei para cá, a ideia era ficar seis meses num estágio e depois voltar para Portugal. Vim sem qualquer tipo de expectativas e convencida de que seria só por uns meses. Mas apaixonei-me pela cidade, fiz amigos muito facilmente e esta aventura que, inicialmente, era para ser temporária, acabou por se tornar mais séria – e, neste momento, já lá vão 4 anos.

Aqui, os meus amigos são a minha família. E são uma família de todos os cantos do mundo (Espanha, Índia, Dinamarca, Itália, Filipinas, França, Alemanha, Croácia, Grécia, Bélgica, Luxemburgo, Canadá). Encontramo-nos frequentemente durante a semana e ao fim de semana também. Fazemos refeições juntos, vamos passear, tomar café, andar de bicicleta. Fazemos jantares temáticos, caminhadas, tardes de jogos de tabuleiro e viagens para o outro lado do mundo. E tenho, também, uma família musical (como eu lhe costumo chamar), que é o meu coro – Voices International -, que integra pessoas de todas as idades e nacionalidades. Cantar sempre fez parte da minha vida. Dos 10 aos 18 anos cantei no Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra. Durante os meus tempos de estudante, cantei no Orfeon Académico de Coimbra (durante 10 anos) e no Coro Sinfónico Inês de Castro, também em Coimbra. Quando vivi em Boston, cantei no MIT Concert Choir. Quando vim viver para o Luxemburgo, sabia que esta paixão não podia morrer. Por isso, entrei nos Voices International, onde canto desde 2018. Fazemos cerca de 8 a 10 concertos por ano (nos tempos de pré-pandemia). Durante 2020/2021, de forma a contornar os confinamentos e a impossibilidade de ensaiar presencialmente, criámos vários vídeos online, gravando individualmente, cada um em sua casa.

Há muitas coisas de que eu gosto no Luxemburgo.

Gosto de sair de casa e ouvir línguas diferentes em cada esquina. Mas já não gosto assim tanto quando quase só se ouve falar português (a comunidade de emigrantes portugueses aqui é muito significativa, por isso é muito comum ouvir-se falar português a toda a hora).

Gosto do espírito internacional que se vive no Luxemburgo e gosto de ter amigos de muitas nacionalidades diferentes. Gosto menos quando os amigos decidem mudar de país ou regressar ao seu país de origem (infelizmente, o Luxemburgo é local de passagem para a grande maioria das pessoas, o que faz com que alguns dos meus amigos já tenham seguido caminho para outros países).

Gosto de ter sempre diferentes opções quando me apetece comida internacional (quando tenho desejos de comida portuguesa, cozinho eu).

Gosto do imenso verde que existe em cada canto da cidade. E gosto que os parques se encham de gente, mesmo quando só estão 18 graus lá fora (porque, aqui, 18 graus já é calor suficiente para uma t-shirt, umas havaianas e uma cerveja fresquinha ao sol).

Gosto que os transportes públicos sejam gratuitos no país inteiro.

Gosto que em menos de 30min consiga estar em França, na Alemanha ou na Bélgica.

E também há algumas coisas que não gosto assim tanto no Luxemburgo.

Não gosto quando chove muitos dias seguidos (os dias cinzentos não me fazem confusão, desde que não chova).

Não gosto que os supermercados fechem às 19h.

Não gosto que luxemburguês seja uma língua tão difícil de aprender (só sei dizer umas três palavras: moien, que significa olá, bom dia; äddi, que significa adeus; e merci, que é obrigado/a, e é fácil porque é igual ao francês). De qualquer forma, não saber luxemburguês não é impeditivo de nada neste país. Toda a gente fala inglês, ou francês, ou alemão (ou português, claro!).

De Coimbra, tenho saudades do meu gato Tomás, do polvo à lagareiro da minha mãe e das amêijoas à bolhão pato do meu pai.

Tenho saudades das conversas infindáveis com o meu irmão, quase sempre regadas com um bom vinho.

Tenho saudades da tranquilidade do Mondego, da incontornável francesinha do Atenas, do saudoso tempo de Verão durante 6 meses no ano.

Tenho saudades da solenidade do preto do traje dos estudantes em contraste com as cores garridas da Queima das Fitas.

Tenho saudades das memoráveis cantorias noite adentro com a minha família Orfeónica.

Tenho saudades dos meus amigos e das tardes de conversas e sorrisos desprendidos, quase sempre passadas no histórico Tropical. 

Antes da pandemia, ia frequentemente a Portugal (cerca de 6 vezes por ano). Há imensos voos entre Portugal e o Luxemburgo, bastante em conta e com horários variados, o que me permitia ir alguns fins de semana prolongados, para além das idas obrigatórias no Verão e no Natal. Em 2020, só fui 3 vezes e 2021, infelizmente, deverá ser semelhante.

Sempre que vou a Coimbra, há algumas coisas que não posso deixar de fazer.

Caminhadas ao sol no Parque Verde, finos fresquinhos no Tropical, sushi no Peculiar.

Família, amigos e comida boa! Sempre.

Gosto de ir experimentar sítios novos que não conheço e que abriram nos últimos tempos. Descobrir as novidades da cidade é das coisas que me dá mais gozo fazer quando volto a Coimbra!

Dou quase sempre um salto à Figueira da Foz, para ver o mar e comer marisco.

E vou sempre dar uma volta pela Baixa, que tem cada vez mais vida!

O meu plano é voltar (um dia!). Como referi, a maioria das pessoas está no Luxemburgo de passagem, e eu sinto isso também. No longo prazo, quero voltar a Portugal e talvez a Coimbra (porque não?).

Sinto que Coimbra tem cada vez mais oferta cultural, gastronómica e social e é, sem dúvida, uma cidade em movimento e com imensa qualidade de vida para jovens adultos.

É onde tenho a minha família e grande parte dos meus amigos, por isso, sim, voltar a Coimbra é uma hipótese que não ponho de parte! O tempo o dirá. Coimbra é a minha cidade do coração, a minha casa, o meu colo. E sempre será.

Joana Silva Carreira

Joana Silva Carreira

Mais COIMBRA NO MUNDO:

Deixa-nos a tua opinião!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Laise
02.06.2021

De fato, seu artigo foi muito bem explicado gostei de ler.
Resultado Hiper Bauru

Franciny
02.06.2021

Achei muito interessante atualmente esta sua postagens.
Franciny Ehlke Idade Abraços 😉 !