Valter Lobo: “O regresso aos palcos tem sido o melhor possível.”

Dizem que o vinho e a música alegram o coração e é verdade: o público saiu com o coração mais quentinho do concerto de Valter Lobo. Após meses de confinamento, as salas de espectáculos de Coimbra recebem de novo concertos e o som não é só local. O cantor nortenho esteve na cidade a apresentar o mais recente trabalho.

Depois do EP Inverno lançado em 2012 e do álbum Mediterrâneo em 2016, foi no Teatro Académico Gil Vicente que o cantautor apresentou o conjunto de temas que compõem o novo álbum, Primeira parte de um assalto, que estará disponível nas plataformas de música em Junho.

À entrada do teatro, via-se o entusiasmo de quem o esperava ver. O público aplaudiu Valter Lobo e desfrutou da sua voz desde a primeira pisada no palco até à última. Ao longo do concerto, o músico contou que este álbum é a expressão da sua visão mais romântica do mundo, guarnecida com uma pitada de melancolia, que o caracteriza.

Conversámos com o artista no final do espectáculo, que nos falou sobre as suas emoções e expectativas neste regresso aos palcos e digressões, ainda em tempos de pandemia.

- Como tem sido o regresso aos palcos?

- O regresso aos palcos tem sido o melhor possível. É chato não conseguir ver as expressões das pessoas — por causa do uso de máscara —  mas noto que as pessoas têm vontade de vir e fico sempre surpreendido de saber que as pessoas me vêm ver. Exactamente por saber que não tenho grande expressão mediática é que fico surpreendido porque de repente tenho a sala esgotado em Lisboa e no Porto, tenho aqui uma casa boa às sete da tarde de uma quinta-feira em Coimbra, que torna isto místico. Às vezes fico a pensar como é que o pessoal veio aqui parar, acho que me conhecem pelo passa palavra porque não sou activo nas redes sociais.

- Quais eram as expectativas para o concerto?

A expectativa é deixar a música seguir o seu caminho. É só preciso as pessoas ouvirem e gostarem, e se eu conseguir tocar-lhes, estar com elas e comunicar bem com elas, tudo tranquilo. Se eu não conseguir, tudo tranquilo na mesma. Levo as coisas assim, não tenho expectativa de ser uma rockstar. Só quero proporcionar bons momentos às pessoas, que saiam do concerto e digam Eu gostei do concerto deste gajo!. Quero que nunca seja forçado, que as pessoas venham ouvir-me, gostem e disfrutem.

- Os concertos sempre foram mais intimistas?

Sempre optei por um tipo de concerto mais tranquilo, intimista e sem pressão. Este registo combina muito com os meus temas, sou muito melancólico. Procuro espaços mais calmos, auditórios e teatro. Não sou de palcos grandes e às vezes contactam-me e tenho de recusar, porque esse não sou eu. Gosto de espaços fechados, onde possa falar sem microfone e estar à vontade, num palco grande não consigo fazer isso. Neste registo, sinto que é como se o público estivesse num café, em que se vão cantando umas músicas e falamos umas coisas diferentes, é essa a ideia.

Texto e fotos: Francisca dos Reis

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