Está aberta a nova Casa do Cinema de Coimbra

Casa cheia. Há quanto tempo é que a expressão e cinema não podia fazer parte da mesma frase? Mas foi o que aconteceu na estreia da nova Casa do Cinema de Coimbra. Cerca de 96 espectadores, com muita vontade de voltarem a sentarem-se juntos na sala escura para ver um filme no grande ecrã, foram à sessão de abertura no velhinho cinema das Galerias Avenida, que já tínhamos dito que tinha sido reabilitado. É um espaço que fazia falta em Coimbra, mesmo sem pandemia é uma coisa bem-vinda, dá uma certa independência e regularidade da programação, diz o cinéfilo Pedro Nora à saída do Estúdio 2. 

Não é o único com um brilhozinho nos olhos. António Pita diz que não é só voltar ao Avenida, é juntar esta malta toda que está em Coimbra a dedicar-se ao cinema, cada um com os seus objectivos e pontos de vista; nós não estamos muito habituados a esta constelação, que junta potencialidades muito diferentes e que, ao juntarem-se, potenciam-se ainda mais, comenta o professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador.

Não se trata apenas de ver cinema mas como ver cinema. A exibição em sala é uma exibição em comum, não é cada um em sua casa com o seu computador, continua. Tiago Santos, director dos Caminhos do Cinema Português e mentor da iniciativa, diz que se sente muito realizado, até porque não estava à espera de uma adesão massiva. É um número absurdo, não estávamos de todo à espera, ainda estamos em pandemia e há imensos cuidados a ter, diz o programador visivelmente emocionado. Nós confirmamos o cumprimentos dos cuidados: plateia com espaço de segurança entre os espectadores, distribuição de álcool gel à entrada e uso obrigatório de máscara. 

A Casa do Cinema de Coimbra é uma iniciativa dos Caminhos do Cinema Português, em conjunto com o Centro de Estudos Cinematográficos e o Fila K Cineclube. Até ao final de Junho, projectam mais de 20 sessões de cinema no espaço que foi um dos primeiros recintos do país a receber o cinema como forma artística e, durante muitas décadas, um dos principais ecrãs do país.

Casa do Cinema de Coimbra

A iniciativa propõe-se a criar na Região de Coimbra um ponto de encontro da cinefilia e dos seus promotores, contribuindo para a coesão na região na promoção da cultura cinematográfica ao receber na sua sala os vários agentes que trabalham na promoção da sétima arte. Paulo Fonseca, presidente e fundador da Fila K, um cineclube com 20 anos de vida em Coimbra mas sem casa permanente, disse no início da sessão de abertura que estão muito satisfeitos e esperançados de que também a Câmara Municipal dê o seu contributo e apoie esta ideia de que está a nascer um espaço de cinema que não existia e que é, a todos os níveis, espectacular para todos os cidadãos de Coimbra e do resto da região.

A Casa do Cinema conta neste momento com o decisivo apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e acompanha a tendência mundial de promoção e retoma da actividade cinematográfica em recintos especializados e tradicionais, onde é possível promover um relacionamento mais próximo da arte cinematográfica com a comunidade envolvente, mas as grandes decisões sobre a preservação destes espaços vai para além da vontade dos promotores envolvidos. Há aqui despesas que não são umas despesas quaisquer mas estamos optimistas e achamos que vamos conseguir os apoios necessários, remata Paulo Fonseca.

Ideia de futuro

A expectativa da organização é de que possa ser ainda um espaço de programação laboratorial em articulação com os estabelecimentos de ensino e universitários, promovendo ciclos temáticos com fins pedagógicos, além do potencial de coesão territorial e social, ao ser capaz de promover a exibição de filmes de património em parceria com a Cinemateca Portuguesa, que recentemente anunciou um enorme esforço na digitalização do acervo em depósito no Arquivo Nacional da Imagem em Movimento.

Procura-se encontrar não só uma conciliação entre a oferta programática das associações residentes, mas também com os demais espaços de exibição da região, nomeadamente o Teatro Académico de Gil Vicente e o Auditório Salgado Zenha. A ideia é de que essa articulação promova a promoção regular e concertada de cinema numa oferta de qualidade, bem como estimule o desenvolvimento de um cluster cinematográfico nas suas várias vertentes: exibição, exposição, formação e debate – tanto especializado como entre públicos e criadores.

 

Bilhetes

Aos associados da Caminhos do Cinema Português é garantido o livre-trânsito em todas as sessões, enquanto que os associados do CEC e do Fila K têm entrada livre somente nas sessões promovidas pelo respectivo cineclube, tendo acesso a um preço reduzido no acesso às demais sessões promovidas na Casa do Cinema de Coimbra. Essas condições especiais aplicam-se também aos cineclubistas de outras regiões, desempregados, estudantes ou profissionais do espectáculo. Ao público, é possível a aquisição de bilhetes pontuais (4€), pacotes de 10 bilhetes (20€) e o livre-trânsito mensal (30€).

Até ao final de Junho têm 7 ciclos para ver, exibindo 25 filmes de curta e longa-metragem. No início a oferece uma viagem por várias cidades, reunindo universos distintos. Passa pela Casa do Cinema o ciclo Mimesis, dedicado ao Teatro e Artes Performativas, e há cinema infantil todos os 3.º Sábados de cada mês. Arranca com a triologia absurda de Roy Andersson, o ciclo de cinema clássico a vida é um jogo e por fim a promoção do ciclo cinema queer e a fuga ao estereótipo, onde se destaca a filmografia de Óscar Alves. Encontram toda a informação aqui e aqui.

Texto e fotos: Filipa Queiroz

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Vilma Orlanda Lobato Reis
13.05.2021

Que boa notícia, afinal tivemos um final feliz neste filme.

Tathiani Sacilotto
13.05.2021

Cinema de Rua em Coimbra. É muita alegria!

Maria isabel Raposo Martins
13.05.2021

Muito boa, esta iniciativa conjunta. Muito bom, voltar ao velho Cine-Teatro Avenida (ainda que desfigurado) para ver cinema em sala!

Isabel Brazinha
16.05.2021

Era tudo muito bonito, não fosse a promiscuidade entre direções do Centro de Estudos Cinematográfico (CEC) e da Associação Caminhos do Cinema Português. O Diretor de programação da Associação acumula o cargo de Diretor do CEC, mesmo não sendo estudante… Neste contexto, falar de uma associação de programação, não é mais que maquilhagem mediática.
Para além disso, as instalações do CEC, financiadas pela Associação Académica de Coimbra, encontram-se ocupadas pela Associação Caminhos do Cinema Português, o que não permite que o CEC seja um centro independente desta última, nem centro de formação, deliberação e expressão estudantil.