O “novo” Grémio Operário de Coimbra está de portas abertas à cultura na cidade

Foi o espaço de ensaio diário de Zeca Afonso, conta Miguel Matias. Recorda-o o busto do músico que depois de actuar na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense se inspirou para fazer a canção que viria a ser, 10 anos depois, a 25 de Abril de 1974, a senha do Movimento das Forças Armadas (MFA) para o derrube do regime ditatorial em Portugal – Grândola, Vila Morena. 

Foram vários os espaços onde José Afonso cantou e encantou na cidade onde estudou. Este fica a apenas alguns metros de onde também viveu, na Alta, junto à Universidade de Coimbra (UC). O Grémio Operário de Coimbra foi o primeiro espaço cultural numa altura em que Coimbra não tinha nenhum teatro nacional como Lisboa e o Porto, era a única forma de, na altura, haver cultura – as chamadas operetas, teatro cantado, zarzuelas, etc -, ligado à parte ‘futrica’ da cidade, explica Miguel Matias. A altura era 1887, século XIX, também ano de fundação da Associação Académica de Coimbra.

Eram famosos os bailes do Clube Recreativo Grémio Operário de Coimbra, em meados do século XX. Questões políticas terão provocado a dissidência entre alguns membros, nomeadamente do Ateneu de Coimbra, Colectividade de Cultura e Recreio, fundado por operários, comerciantes e industriais da área da Sé Velha e a que se juntaram jovens estudantes, que em 1942 se mudou para a Rua do Cabido.

Este espaço, que pertence à Diocese, começou a ter outra actividade e vai até aos anos 1990 mas depois ficou fechado durante cerca de 20 anos, continua Miguel. No mesmo bloco de casas, moram as Criaditas dos Pobres e a equipa de intervenção social Ergue-te. Em Janeiro desde ano, surge a oportunidade de o recuperar e reactivar e Matias, juntamente com Pedro Seixas, Catarina Pires, Ricardo Seiça e Rosa Balreira, constituiem a Associação Cultural, Recreativa e Memória do Grémio Operário de Coimbra que se quer posicionar como uma incubadora de artes.

Vida nova

Projectos emergentes que não tenham espaço para se mostrarem e criarem na cidade é o que a nova associação quer ver ocupar o salão, palco, bar e espaço exterior do Grémio, que nos últimos anos já recebeu eventos pontuais como residências artísticas do Festival Linha de Fuga.

O andar de cima, que já foi salão nobre da universidade, está a ser transformado em 9 unidades de alojamento com cozinha, casas de banho e vistas privilegiadas para o Mondego e universidade. Além de presidente da associação, Miguel Matias gere a Be Coimbra, empresa com residências para estudantes Erasmus, mas a família tinha ligação ao local. O pai, Francisco Matias, foi director do Grémio antes do 25 de Abril. A Bonifrates teve sede aqui, o TEUC, o GEFAC, o CITAC e agora a tentativa é de criar pontes de contacto e candidaturas em parceria com outras entidades, inclusive a universidade, refere. Estamos em plena Alta da cidade, não existem muitos espaços culturais por aqui.

Vida nova

Projectos emergentes que não tenham espaço para se mostrarem e criarem na cidade é o que a nova associação quer ver ocupar o salão, palco, bar e espaço exterior do Grémio, que nos últimos anos já recebeu eventos pontuais como residências artísticas do Festival Linha de Fuga.

O andar de cima, que já foi salão nobre da universidade, está a ser transformado em 9 unidades de alojamento com cozinha, casas de banho e vistas privilegiadas para o Mondego e universidade. Além de presidente da associação, Miguel Matias gere a Be Coimbra, empresa com residências para estudantes Erasmus, mas a família tinha ligação ao local. O pai, Francisco Matias, foi director do Grémio antes do 25 de Abril. A Bonifrates teve sede aqui, o TEUC, o GEFAC, o CITAC e agora a tentativa é de criar pontes de contacto e candidaturas em parceria com outras entidades, inclusive a universidade, refere. Estamos em plena Alta da cidade, não existem muitos espaços culturais por aqui.

Programação cultural

A associação apresentou-se recentemente à comunidade com o espectáculo Ensaio Pan-Grémio, transmitido em streaming na Semana Cultural da UC, em pleno confinamento devido à pandemia de Covid-19. Além de Miguel Matias, fazem parte da direcção Pedro Seixas, Catarina Pires, Ricardo Seiça e Rosa Balreira. António Pita, Cristina Robalo Cordeiro, Delfim Leão, Carlos Antunes, António Vilhena e pessoas ligadas ao meio empresarial como Paulo Barradas, Miguel Silvestre e Gonçalo Quadros da Critical Software compõem o concelho consultivo. 

Na calha, estão pelo menos 3 projectos, como o Festival Ilha 12. Queremos que seja um festival anual e que tenha as várias valências que o Grémio poderá ter e vamos ser parceiros como o Ageing@Coimbra, que tem a ver com o envelhecimento saudável, revela Miguel Matias. Também um festival de bandas de garagam, Só Roque, o Festival da Balada e Canção de Coimbra, programação infantil e cinema além de residências para artistas e colaborações com o Colégio das Artes e a Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra. Estamos a provocar as pessoas para que elas venham, diz Miguel Matias. Portas que se abrem à cultura no nº 12 da Rua da Ilha, coração da zona classificada como Património da Humanidade.

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Lina Carvalho
25.04.2021

Parabéns
Muito Obrigada

Victoriano Nazareth
26.04.2021

Uma belíssima iniciativa. Coimbra bem precisa de atividades como as que agora este grupo se propõe realizar. O espaço, além de central, é magnífico. Conheço-o bem já que, em pequeno, tinha que me deslocar algumas vezes às Criaditas dos Pobres. Parabéns e votos de ótimos sucessos.