Já se mergulha de novo em arte contemporânea no Museu da Água de Coimbra

José Lima nasceu em Águeda, no primeiro quartel do século passado. Nessa altura, para mim, a água era inesgotável, conta o coleccionador de arte contemporânea. Hoje, sabe-se que a realidade é outra e José Lima não podia estar mais satisfeito por estar sentado no Museu da Água de Coimbra, a apresentar a exposição Mergulho e Hipnose, com obras da sua colecção privada, em pleno Dia Mundial da Água. O trabalho deste Museu sensibilizou-me e se eu der, por muito pequena que seja, uma ajuda para que se poupe água e se faça algo pela água fico satisfeitíssimo, é já de si é mais uma razão para ter aqui a minha colecção. 

Mantendo o propósito de alertar e apelar para a preservação desse nosso elemento vital através da arte, o Museu da Água de Coimbra reabriu portas virtualmente com a apresentação, transmitida em directo no Facebook, da nova mostra de arte contemporânea. Mergulho e Hipnose inclui peças de destacados nomes do panorama nacional como a dupla João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Miguel Palma, o já falecido Álvaro Lapa, Noé Sendas, o escultor Rui Chafes, João Louro e o interessante criador angolano Yonamine. Chegam todas da Coleção Norlinda e José Lima, com cerca de 250 artistas portugueses e 230 internacionais representados.

Da pintura, à escultura, desenho, fotografia, instalação, filme e vídeo, a colecção iniciada em 1980 abrange um período de quase 100 anos, entre 1926 e 2019, com maior concentração na produção artística dos últimos quarenta anos. Está em depósito de longo prazo na Câmara Municipal de S. João da Madeira desde 2009 e vai sendo apresentada em exposições temporárias do Centro de Arte Oliva, inaugurado em 2013.

É com parte dela que o Museu da Água de Coimbra, que fica no Parque Dr. Manuel Braga, assinala o dia Dia Mundial da Água e o seu 14º aniversário, contabilizando até hoje 173 mil visitantes, entre eles 62 mil crianças. Damos sempre especial destaque à água, mas não se limitam a falar da água. A sustentabilidade mundial depende de muitos outros factores, todos ligados à parte ambiental e social e é nisso que trabalham no Museu, explicou Ana Santos. A coordenadora do espaço adiantou que, com destaque para as questões da perda ou libertação, esta nova mostra dá continuidade ao papel e percurso do espaço museológico do Museu da Água apresentando um diálogo de interrogação às reais consequências deste tempo de pandemia, ao mesmo tempo reforçando a importância do recurso água. 

Ainda durante a apresentação, Helena Mendes Pereira contou que trabalhar esta coleção era um sonho antigo, alem do enorme desafio que é trabalhar o próprio espaço do Museu da Água de Coimbra. A curadora explicou que fez uma selecção de duas dezenas de objectos e autores que se tenta que se relacionem com o espaço e contem uma história, sempre com a ideia da água como hipnose terapêutica por trás. A exposição pode ser visitada em 5 minutos mas nós gostávamos que as pessoas estivessem cá algum tempo e que olhassem para cada coisa e em cada coisa encontrassem um espaço de reflexão, referiu.

Já José Lima, constatou que em Portugal temos a mania que  arte contemporânia é difícil de ver e de tratar. O coleccionador anarca e acidental, como se descreve, afirmou que não é muito fácil compreender mas é por isso que se bate desde que disponibilizou a colecção para fruição pública. A cultura tem sido mal tratada em Portugal, então a arte contemporânea é terrível. É preciso ver isto com emoção, pela cor, é preciso ver que nos faz pensar de outra maneira. A exposição  Mergulho e Hipnose abre ao público no dia 7 de Abril, com horário reduzido e lotação limitada. Até lá, o Museu da Água disponibilizar uma visita guiada virtual em 3 capítulos, a começar a 23 de Março, na página da instituição no Facebook

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Facebook

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