Depois do Metro Mondego esta nova banda de Coimbra dispara sobre Este País

A cantiga é uma arma já dizia José Mário Branco, em 1973. Tenho que ir a pé/ Não há comboio para apanhar/O engenheiro e o tripé/Eram só para disfarçar são as primeiras palavras da letra/manifesto que, com propriedade, os aBAND’onados entoam no single de estreia Ao Metro (no vídeo em cima). As vozes e guitarras são de Ricardo e Pedro Serra, naturais de Ceira, em Coimbra, lugar onde passava o antigo ramal da Lousã que ligava a vila ao centro da cidade.

A extinção do canal ferroviário em 2010 para dar lugar a um metropolitano de superfície cuja empreitada foi interrompida, o chamado Metro Mondego, entretanto renomeado para Sistema de Mobilidade do Mondego, motivo de vários protestos por parte da população, inspiraram a canção escrita e composta há cerca de um ano e gravada em pleno confinamento, num pequeno estúdio caseiro. Pedro Amado e Ricardo Basílio, baixista e baterista respectivamente, são os restantes elementos da recém-formada banda conimbricense. 

Uma vez que nasceu durante o período de confinamento, numa altura em que o mundo das artes passava por enormes dificuldades, decidimos que seria o nome indicado, explicam via email, numa alusão à falta de apoios ao sector cultural. Com este nome, pretendemos marcar esta época para que nunca se esqueçam que os artistas foram de certa forma abandonados.

Se o primeiro tema é um manifesto e apelo dirigido a quem governa o concelho (Chega deste desassossego/Deste processo doentio/Para ver o Metro Mondego/ Só metendo uma fita no rio), o recém-estreado segundo single, Este País, reflecte o estado de toda a nação. O grande objectivo da banda para o futuro é fazer mais e mais músicas, já temos mais dois temas prontos e que vamos começar a trabalhar nas gravações dos mesmos, revelam. Fica o desafio à escuta. Além da página oficial, podem acompanhar a banda através do Facebook, Instagram, Youtube e Spotify.

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