Já sabem como vão defender a igualdade no Dia da Mulher?

A 8 de Março, celebram-se as conquistas das mulheres provenientes dos mais diversos contextos étnicos, culturais, socioeconómicos e políticos. Lembra-se o quão importante é reflectir acerca do progresso a nível de direitos humanos e honra-se a coragem e determinação das mulheres que ajudaram e continuam a ajudar a redefinir a história, local e globalmente.

Já lá vão 112 anos desde que o primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado nos Estados Unidos, mas a verdade é que apesar de todos os avanços relativos aos direitos das mulheres, e apesar de todos sermos filhos e filhas, netos e netas, amigos e amigas, colegas e parceiros ou parceiras de mulheres, nenhum país atingiu a igualdade plena entre homens e mulheres. 

Se números forem precisos, de acordo com a ONU Mulheres, actualmente elas continuam a ganhar menos 23% do que eles, 1 em cada 3 mulheres já sofreu algum tipo de violência física ou sexual e mais de 200 milhões de mulheres e raparigas foram vítimas da mutilação genital. Todos os anos, 12 milhões de raparigas são forçadas a casar-se antes dos 18 anos. Em Portugal, apesar de as mulheres serem iguais aos homens perante a lei, as estatísticas mostram que continuam a receber menos e dezenas morrem todos os anos em contexto de violência doméstica.

Seja com a leitura de um livro, uma brincadeira com as crianças, uma peça de teatro ou a participação num protesto nas ruas, é possível assinalar esta importante data e contribuir para um mundo mais justo, por isso reunimos algumas ideias.

o meu amor não cabe num poema

No dia 8 de Março, às 21h30, é apresentado o foto-livro que reúne 5 ensaios fotográficos a partir de um poema de Maria do Rosário Pedreira, criados pelas fotógrafas Ana Botelho, Carla de Sousa, Clara Moura, Fátima Lopes e Teresa Valente, numa edição de autor coordenada pelo fotógrafo Carlos Dias. A ideia de celebrar o Dia Internacional da Mulher foi o ponto de partida para a criação do projecto, materializado num volume com 100 páginas e 63 imagens a preto-e-branco. O evento decorrerá online e em directo online na plataforma Zoom (pedidos de acesso devem ser enviados para o email carlos@carlosdias.net) e no YouTube, com a presença dos autores. 

Agora é que são elas! 

A Casa da Esquina e o Graal fazem uma reinvenção para tempos de pandemia do ciclo de conversas em torno da problemática de género, que pretendem transformar a invisibilidade das Mulheres em presença. Num novo ciclo, agora em formato vídeo, celebram a cultura e dentro dela as suas pessoas, mais concretamente atrizes, escritoras, poetas, dramaturgas. A partir de 8 de Março, são publicados na página do Facebook, Instagram e Youtube da Casa da Esquina e Graal, vídeos de 8 intérpretes de Coimbra a dar voz a poemas, excertos de livros e peças de teatro, escritos por mulheres e sobre mulheres em forma de homenagem a elas e ao seu trabalho. Os vídeos têm realização de Tiago Cerveira e os textos foram selecionados e interpretados por Ana Teresa Santos, Cláudia Carvalho, Cláudia Morais, Cristina Janicas, Helena Faria, Maria José Pessoa, Sofia Coelho e Sofia Lobo.

 

Todos fazemos tudo (2011)

 

O longo caminho para a igualdade – Mulheres e homens no século XXI

Dia 8 de Março é lançado o novo livro de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. As escitoras e autoras da colecção Uma Aventura, foram desafiadas pela Imprensa Nacional, em parceria com o iGen-Fórum de Organizações para a Igualdade, para escreverem sobre a igualdade de género. O longo caminho para a igualdade-mulheres e homens no século XXI tem duas partes: uma história de ficção e um conjunto de dados e informações reais. A protagonista é uma jovem que decide entrar para a Força Aérea eé dirigido a adolescentes, rapazes e raparigas. O lançamento vai ser transmitindo em live streaming, com acesso livre, às 16h30.

Ressignificar

Nesta curta-metragem independente, Iolanda Oliveira quis dar voz a questões de desenvolvimento humano num projecto que dignifica o universo feminino, sem o querer determinar. O grande tema subjacente a todo o vídeo é a objectificação feminina. Apesar de ser voltado para o feminino, parece-me que é um tema de todos, explica a autora numa nota enviada a esta redacção. Creio que se trata de uma consciencialização pública para o problema, já que jovens têm violência no namoro como aceitável. Iolanda Oliveira reside em Portugal e a sua prática profissional assenta maioritariamente na facilitação de workshops de Arte & Consciência e ensino artístico em escolas e comunidades em Portugal e no Brasil.

Mãe Coragem, Medeia, Lilith, Yerma e Skies

5 peças de teatro, 5 protagonistas femininas que não deixam ficar ninguém indiferente. A Companhia João Garcia Miguel propõe a selecção de espectáculos para ver gratuitamente no Dia da Mulher. Mãe Coragem, com Custódia Gallego, Medeia de Eurípides, Yerma baseada na poesia de Federico García Lorca, LilithSkies, que é ideal para quem goste de dança porque inclui 4 solos.

Greve Feminista

Pelo 3.º ano, a Rede 8 de Março convoca a participação na Greve Feminista Internacional. Já há manifestações desde 1975 mas em Portugal a primeira Greve aconteceu em 2019, segundo a organização com mais de 30 mil pessoas em 13 cidades, em simultâneo com outros milhares nas ruas de mais de 170 países. Greve ao trabalho assalariado, greve ao trabalho reprodutivo, greve ao consumo, greve estudantil. Segundo a Rede 8M, o contexto pandémico só veio reforçar a necessidade da luta feminista por melhores condições de vida, não só para as mulheres mas para todos os que vivem do seu trabalho. Juntamente com a Brigada Estudantil de Coimbra e a Brigada Fernanda Mateus, a concentração em Coimbra é na Praça 8 de Maio, às 17h, garantindo que estarão salvaguardadas todas as regras sanitárias de acordo com a Direcção Geral da Saúde. Tb podem participar online às 18h.

Parlamento Europeu

O papel fundamental das mulheres durante a crise da COVID-19 vai estar em destaque no Parlamento Europeu no Dia Internacional da Mulher. As mulheres que têm estado na linha da frente do combate à pandemia do coronavírus, tendo em conta a sua predominância no setor da saúde, e muitas outras mulheres também seriamente afectadas, por se encontrarem a ocupar postos de trabalho inseguros ou precários, que desapareceram ou sofreram alterações com a crise. Além disso, os confinamentos contínuos conduziram a um aumento dos casos de violência doméstica e o Parlamento Europeu faz um apelo para que estas desigualdades sejam abordadas. No dia 8 de março, a partir das 10h, a Presidente da FEMM, Evelyn Regner, estará em directo no Facebook  para responder a perguntas sobre a actual situação da igualdade de géneros na União Europeia e as várias áreas onde a pandemia agravou a situação das mulheres. 

 

Texto: Filipa Queiroz
Foto de capa: Dean Moriarty/Pixabay 

*Artigo actualizado às 18h30 de 5 de Março, 2021

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