Museu de Arte Erótica de Coimbra – uma exposição temática bem íntima e pessoal

Trepando a passo o pequeno trecho de calçada da Rua da Manutenção Militar até alcançar a livraria Dr. Kartoon, vê-se um anúncio dependurado da fachada. Diz Galeria d’Arte, logo acompanhado de um logótipo sugestivo. Entra-se na livraria e sobe-se ao 1.º piso – temos mesmo que entrar e percorrer a livraria para aceder ao Museu, o que é duplamente vantajoso: arte e literatura. Esta não é a livraria de um museu, é um museu numa livraria.

No andar superior, sob um suave manto de obscuridade pontilhado de luz, expõem-se diversos objectos, quadros, esculturas e obras de arte, dispostos em vitrines, aparadores, nas paredes. A música remata a atmosfera: toca a banda sonora de Emmanuelle, de Pierre Bachelet; logo depois ecoa Gainsbourg com Jane Birkin, com o seu Je t’aime… moi non plus. Eis a única colecção de arte erótica patente ao público em Portugal. E logo aqui, em Coimbra, brindando a cidade com uma exposição temática única. Será seguramente o núcleo museológico mais desconhecido dos conimbricenses. Até agora.

Uma exposição tão singular levanta curiosidade sobre a sua génese. Conversámos com o curador e co-proprietário do Museu de Arte Erótica de Coimbra, Jorge Fernandes. Jorge esclarece: Há cerca de três anos surgiu a ideia de fazer uma exposição dedicada à arte erótica, que foi ganhando forma no andar superior da livraria Dr. Kartoon. A acompanhar a especificidade do Museu, a livraria Dr. Kartoon é também um espaço único na cidade, dedicado exclusivamente à arte da banda-desenhada.

Jorge continua: Já havia interesse sobre o tema [da arte erótica], após a visita a vários museus que apresentam a temática. O momento-chave terá sido mesmo a visita ao Museu Erótico de Amesterdão – o ‘Erotic Museum Amsterdam’. Estes contactos despoletaram a ambição e foi-se formando assim o núcleo do que é o acervo de arte erótica, adaptado, sublinha Jorge, às singularidades portuguesas. De temporária a exposição passou a definitiva, graças à boa vontade da direcção da livraria, apropriando-se o nome de Museu de Arte Erótica de Coimbra. E ensaiam-se acrónimos, que emparelham sempre bem com museus: MAE Coimbra, MAE, MAEC. 

Uma exposição tão singular levanta curiosidade sobre a sua génese. Conversámos com o curador e co-proprietário do Museu de Arte Erótica de Coimbra, Jorge Fernandes. Jorge esclarece: Há cerca de três anos surgiu a ideia de fazer uma exposição dedicada à arte erótica, que foi ganhando forma no andar superior da livraria Dr. Kartoon. A acompanhar a especificidade do Museu, a livraria Dr. Kartoon é também um espaço único na cidade, dedicado exclusivamente à arte da banda-desenhada.

Jorge continua: Já havia interesse sobre o tema [da arte erótica], após a visita a vários museus que apresentam a temática. O momento-chave terá sido mesmo a visita ao Museu Erótico de Amesterdão – o ‘Erotic Museum Amsterdam’. Estes contactos despoletaram a ambição e foi-se formando assim o núcleo do que é o acervo de arte erótica, adaptado, sublinha Jorge, às singularidades portuguesas. De temporária a exposição passou a definitiva, graças à boa vontade da direcção da livraria, apropriando-se o nome de Museu de Arte Erótica de Coimbra. E ensaiam-se acrónimos, que emparelham sempre bem com museus: MAE Coimbra, MAE, MAEC. 

O museu conta com um número significativo de peças (além da biblioteca, com mais de mil volumes sobre a temática erótica), a maior parte das quais permanece em armazém devido às limitações físicas e uma pequena parte do acervo vai sendo exposta em sistema de rotatividade, o que implica sempre um cuidado curatorial na selecção e na apresentação. Algumas peças foram doadas para a colecção, mas a maior parte foram compradas em feiras, mercados e antiquários, em Portugal e no estrangeiro. Jorge explica: Aumentámos ainda agora a exposição e, embora o espaço seja apertado, rodam-se as peças e vai-se gerindo o Museu na medida do possível

As peças mostradas vão desde objectos populares portugueses, alguns reconhecíveis e facilmente identificáveis, de que somos ricos e com tradições, sublinha Jorge; a objectos da vida corrente, outros raiando o kitsch, enraizados na cultural popular e, claro, peças clássicas dos mais variados quadrantes, como esculturas e quadros, incluindo um par da autoria de João Dixo, uma das peças predilectas de Jorge. 

O curador comenta, criticamente: Gostaríamos de ter um espaço físico próprio, para merecer o nome [de museu]. De preferência em Lisboa ou Porto, pois Coimbra é um universo limitado. A mentalidade ainda preconceituosa dos nacionais leva a que a exposição seja visitada especialmente por estrangeiros e daí também a importância de exposições como esta. Entenda-se isto como um repto a alimentar uma visita.Jorge acrescenta: Seriam necessários apoios e parcerias.

Para já, enquanto os conimbricenses (re) descobrem este espaço, que é o seu mais original museu, o Museu Arte Erótica de Coimbra lança ideias porvir: pretende-se editar um catálogo e estabelecer ligações com outros coleccionadores, exposições e museus. Sendo este um espaço cedido, as visitas à exposição são gratuitas e conduzidas informalmente. O horário da exposição acompanha o horário da livraria Dr. Kartoon, consultável na rede e sujeita às alterações impostas pela presente situação epidemiológica. 

Texto e fotos: Rafael Vieira

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Job Jaime Mabjaia
13.02.2021

Fantástica iniciativa.
Acho que o museu de arte erótica é bem vindo, como as artes plásticas ou literárias