QUESTÕES COIMBRÃS | Como captar e manter talento no concelho de Coimbra?

O que é que perguntaríamos aos políticos da cidade se pudessemos? E o que é que cada um deles responderia? Estas perguntas foram o ponto de partida para a criação desta nova rubrica da Coolectiva e não precisámos de pensar muito no nome. Fomos buscá-lo à Questão Coimbrã, célebre polémica literária que marcou a visão da literatura em Portugal na segunda metade do século XIX. 

É importante entender o sítio onde se vive que, como todos, tem as suas idiossincrasias. Há sempre tanto coisas a resolver como coisas a aplaudir. A partir de hoje, atiramos perguntas sobre diversos temas de relevância municipal a pessoas de diferentes quadrantes políticos para lançar o debate democrático e plural. 

Acederam ao nosso desafio Carlos Cidade (PS), Filipe Reis (PAN), Francisco Queirós (CDU), Jorge Almeida (CDS), Jorge Gouveia Monteiro (Cidadãos por Coimbra), José Manuel Silva (Somos Coimbra), Paula Pêgo (independente). 

Durante cerca de um ano, contamos tratar aqui assuntos de interesse público para contribuir para um esclarecimento generalizado da população relativamente às posições e propostas políticas dos nossos inquiridos, nos mais variados campos. A qualquer momento, aqueles inseridos num partido ou movimento político têm a liberdade de designar outra personalidade do mesmo para responder. O conjunto de respostas a cada questão é publicado quinzenalmente aqui, na Coolectiva

Como captar e manter talento no concelho de Coimbra?

Jorge Almeida

Tem 53 anos e é presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP, bem como professor adjunto no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra. É investigador, membro sénior e especialista da Ordem dos Engenheiros. Colunista no Jornal Económico, é consultor e ex-director técnico de várias empresas e também ex-oficial do Exército. 

  Esta questão é vital para o futuro de Coimbra. Mas para captar e reter talento há que obrigatoriamente, a montante, criar condições para as empresas se instalarem na região. Não obstante Coimbra, teoricamente, ter tudo a seu favor, para se afirmar em termos de captação e fixação de talento, como a existência de duas fortes instituições de Ensino Superior (Universidade de Coimbra e Instituto Politécnico de Coimbra) e uma das melhores incubadoras de empresas europeias (Instituto Pedro Nunes), a verdade é que não tem sido possível reter os talentos, dada a oferta de trabalho existente ser insuficiente ou a procura por melhores salários obrigar à deslocação para a capital.

  A mudança do paradigma actual é urgente e passa pela alteração da passividade, de Coimbra, na captação de empresas e investimento. Deverá ser criada uma estrutura de captação de investimento, nacional e internacional, de forma organizada com as instituições de Ensino Superior, Associações Empresariais e outras entidades.

  A atracção de empresas competitivas, para Coimbra, passa pela desburocratização, estímulos fiscais, simplicidade de processos de instalação e rapidez de decisões.

  Coimbra tem todas as condições para captar e reter talento, através da instalação de novas empresas e consolidação das existentes, mas precisa, acima de tudo, de uma mudança estratégica focada na captação de
investimento, porque só com empresas competitivas se poderá reforçar a atractividade da cidade e assim reter o talento que actualmente perde para outras cidades e regiões do país.

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Jorge Gouveia Monteiro

Nascido em 1956, licenciou-se em Direito. Foi dirigente do PCP, membro da Assembleia Municipal e vereador da CM Coimbra. Foi administrador dos Serviços de Acção Social da Univeridade de Coimbra (UC) e um dos fundadores da associação Grupo Gatos Urbanos. É coordenador da direção do movimento Cidadãos por Coimbra. 
Um trabalho cultural e científico profundo e fecundo, designadamente com as escolas de Coimbra, mas também com largas faixas da população periferizada, está por fazer. O recente estudo do CES para a Capital da Cultura, sobre os consumos culturais da população, mostra isso claramente. Mas se for feito com seriedade, descentralizando os eventos dos agentes culturais pelo território e organizando transportes ao fim do dia e aos fins de semana para que todas as pessoas tenham acesso aos concertos, exposições e equipamentos, não tenho dúvidas que muitos mais talentos emergirão. Uma população mais culta é também mais exigente. Pensa melhor. Escolhe melhor, designadamente os titulares dos cargos políticos. E isso capta mais e mais talentos, é uma espiral positiva.
    Manter esses talentos, ou a sua grande maioria, exige algo mais: a criação de condições materiais de vida, com destaque para a habitação, a rede de creches e jardins de infância, a qualidade das redes de acesso à informação, a mobilidade e a qualidade ambiental da Cidade.
    Coimbra tem uma grande oportunidade já nos próximos quatro anos: fazer da reabilitação da frente ribeirinha, entre a Av. Fernão de Magalhães e o Rio, uma fantástica zona criativa, com habitação, esplanadas, zonas verdes que liguem a Portagem ao Choupal. A maioria dos terrenos são da IP  (Infraestruturas de Portugal, antiga REFER). Essa pode ser a zona chave de captação e manutenção de talentos na nossa Cidade.
 

João Gabriel Silva

João Gabriel Silva foi reitor da Universidade de Coimbra, de 2011 a 2019, e director da Faculdade de Ciências e Tecnologia, de 2006 a 2011. É professor catedrático de Engenharia Informática. Foi o coordenador do projecto do primeiro computador português, o Ener 1000, e é um dos fundadores da Critical Software. É membro da Comissão Política do Somos Coimbra. 

  Coimbra dispõe de uma ferramenta poderosa para atrair talento: as suas instituições de ensino superior todos os anos atraem para a cidade milhares de jovens, muitos deles verdadeiramente brilhantes. Eles encontram, para além do ensino, um património e uma vida
cultural, científica, desportiva e social que os encanta e vincula à cidade. A grande fragilidade de Coimbra é manter esse talento pois, ao terminar o seu curso, os jovens não encontram em Coimbra um tecido económico que lhes proporcione suficiente emprego qualificado, que lhes lance desafios motivadores.

  Os dados demográficos são inequívocos e têm vindo a agravar-se: na faixa etária dos 25 aos 29 anos, de 2001 a 2019, Coimbra perdeu 53,5% da população residente, segundo os dados oficiais do INE. Uma catástrofe; Coimbra está na cauda dos 308 municípios do país. Esta é
precisamente a faixa etária de quem termina o seu curso superior e vai procurar emprego. Não
o encontrando em Coimbra, emigra para outras zonas do país e para o estrangeiro.

  A prioridade máxima de Coimbra tem de ser promover a criação de emprego diversificado. É responsabilidade da Câmara Municipal criar condições reais de atratividade e competitividade para o investimento, essencialmente privado mas também público. Coimbra precisa de ser vista toda ela como um amplo polo, inovador e criativo, de incubação empresarial nas várias áreas do saber e da cultura. Infelizmente, nas últimas dezenas de anos e particularmente nos últimos mandatos, a Câmara Municipal de Coimbra tem-se tornado conhecida pela obstaculização à iniciativa empresarial, criando todo o tipo de dificuldades burocráticas a qualquer investimento, demorando muitas vezes vários anos a responder a pedidos elementares.

  Havendo na vizinhança de Coimbra, e noutras zonas de Portugal, municípios com uma atitude muito mais acolhedora, os investidores obviamente afastam-se. Há dezenas de anos que não há um único investimento produtivo relevante em Coimbra, criador de emprego, vindo de fora do concelho. Para Coimbra reter o talento que atrai precisa de uma gestão autárquica que ajude o investimento criador de emprego. As pessoas com iniciativa precisam de encontrar na Câmara Municipal um parceiro empenhado em resolver rapidamente os múltiplos problemas que uma iniciativa nova sempre encontra. Atualmente, a gestão camarária só é eficaz a criar problemas, não a resolvê-los. É urgente mudar este paradigma. Um empresário que procure a Câmara tem de obter respostas e soluções imediatas.

Marta China

Nasceu em Coimbra em 1972. É Professora no Ensino Secundário, Licenciada em Biologia pela Universidade de Coimbra e Pós-Graduada em Microbiologia Molecular pela Universidade de Aveiro. Pertence à Comissão Política Distrital do PAN, é voluntária da causa animal e foi
membro do grupo de teatro “Trupe Leal Conselheiro”.

  A retenção de talentos passa inevitavelmente pela a criação de emprego/trabalho qualificado com implementação de empresas e desenvolvimento económico (Questão Coimbrã 11/11/20), havendo para isso necessidade de incrementar a ligação das instituições de ensino superior ao mercado de trabalho. Será também importante a dinamização do iParque.

  Contudo, a qualidade de vida já existente é também elemento desejável nesta equação. Coimbra deve apostar num processo que englobe a preservação dos fatores já existentes e a implementação de outros que visem a sua melhoria. Julgamos ser essencial uma rede de transportes sustentável em meio urbano e suburbano; a requalificação da baixa de Coimbra (QC 24/12/20), incluindo a parte comercial, habitacional e de segurança; a manutenção e criação de espaços verdes urbanos alguns com equipamentos vocacionados para eventos culturais e sociais; e a promoção de habitação a preço controlado.
Não podemos deixar de referir que as medidas defendidas na área da saúde (QC 9/12/20) objetivam também as duas vertentes aqui defendidas: retenção de talentos e
qualidade de vida.

  Sugerimos a criação de incentivos ao empreendedorismo social e a reabilitação de algum edificado para instalação de espaços de coworking e de indústrias criativas facilitando-se nestes a transferência de tecnologia das instituições de ensino. Devemos também valorizar os talentos das áreas artísticas e culturais. Um artista precisa de visibilidade que trará retorno económico, permitindo a fixação na cidade.

Assim, defendemos um conjunto de medidas como:

- Parcerias do município com as instituições de ensino artístico de modo a promover a
exposição de trabalhos de alunos finalistas em diferentes espaços urbanos e comerciais, bem como o apelo ao desenvolvimento de projetos na cidade - atividades que contribuiriam para dinamizar a baixa e o comércio;

- Ocupação de espaços para projetos de índole cultural (promovendo novamente a
dinamização da baixa): ateliês de artesanato, pintura, cafés-concerto, cafés-teatro;

- Promoção de um Festival de Artes e Cultura anual;

- Replicação de projetos como a Oficina Municipal de Teatro ou Casa da Escrita;

- Incentivo do mecenato - contudo, isto só será possível num modelo de desenvolvimento harmonioso em que a vertente empresarial fosse já suficientemente
robusta.

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Carlos Lopes

Carlos Miguel Lopes tem 42 anos. É licenciado em Geografia pela Universidade de Coimbra e pós-graduado em Ordenamento e Desenvolvimento do Território. É atleta federado da Secção de Desportos Náuticos - modalidade Remo - da Associação Académica de Coimbra. Foi presidente da Junta de Freguesia de Almedina, em Coimbra, entre 2009 e 2013 e é o atual Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD Coimbra. 

   Coimbra encontra-se, há muito, perdida entre o crescimento da metrópole de Lisboa e o dinamismo do grande Porto. O diagnóstico agravou-se – e muito – com a grave crise sanitária que atravessamos, mas isso não pode significar desistência.

   O talento é captado pelo investimento e vai atrás do reconhecimento. E é isso que, em grande medida, falha. No entanto, temos ainda uma janela de oportunidade para desenvolver essencialmente dois hubs: saúde e tecnologia.
A Saúde é o caso mais relevante da menorização crescente de Coimbra. Não há uma explicação unívoca mas é evidente o desinvestimento marcante dos últimos anos no SNS. A fusão dos 2 Hospitais Centrais (HUC e Covões) ou o caso emblemático da “nova” Maternidade, prometida vezes sem conta, por todos os Ministros da Saúde e sem construção à vista ou o desmantelamento recente do Hospital Militar, encerram uma chave do problema: Coimbra não consegue competir, hoje, com o que de melhor se faz em termos internacionais em Saúde.

  Exemplo objetivo deste declínio é a falta de fixação de empresas e startups em Coimbra na área da saúde, depois do aparecimento de empresas como a Bluepharma, Glamhealth, Perceive3D, Kinetikos, Blueworks, Medicineone, Medsimlab, Plural ou a Cosmetike. Outra das áreas demonstrativas da falta de visão política local dos últimos anos, é a das novas tecnologias e inovação. A Universidade de Coimbra tem tido, nesta matéria, algum dinamismo mas que a cidade tarda em aproveitar. O centro de incubação empresarial e laboratorial no Instituto Pedro Nunes (IPN) é o melhor exemplo da dinâmica da UC mas é, infelizmente, o único.

  Em muitas áreas tecnológicas, Coimbra é hoje, como bem nos disse, Gonçalo Quadros, CEO da Critical Software “um apeadeiro periférico sem alta- velocidade nem interconectividade com o primeiro mundo digital”. Empresas como a Wit Software, Feedzai, Book in Loop, Active Space ou Stratio mereciam uma cidade mais inovadora e amiga dos empresários e que potenciasse o aparecimento de pelo menos mais cem empresas e startups.

  De forma breve se diga que as três formas de captar talento são, do meu ponto de vista, investimento, investimento e investimento, incentivando a criação de nichos criativos. Saibamos ser criativos e saibamos criar condições para que menos gerações de “talentos” tenham de sair de Coimbra por falta de oportunidades
de sucesso.

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Paula Pêgo

Doutoranda em Ciência Política (área governação), em fase de tese, na Universidade de Aveiro, é licenciada em Direito, pela Faculdade de Direito da UC. Exerce o cargo de jurista na empresa municipal Águas de Coimbra, E.M., é administradora não executiva da empresa Metro Mondego S.A. e vereadora sem pelouro na CM Coimbra.

  Atualmente na Europa, no País e mesmo na Região de Coimbra existem dinâmicas demográficas regressivas tais como a diminuição da população, o envelhecimento, a baixa taxa de fertilidade e taxas migratórias insuficientes para equilibrar estas realidades. Até 2030, ou seja, nos próximos 10 anos, num cenário de alguma estabilidade económica, prevê-se uma diminuição de 5% da população ativa do País. Mas, para que este decréscimo seja apenas de 5%, é necessário que o País absorva em média 60 mil imigrantes por ano.

  Nos modelos de crescimento económico tradicionais e até recentemente, o fator produtivo trabalho era considerado ilimitado e como tal, não condicionante do crescimento. Porém, com a situação demográfica recessiva existente, se nada for feito para a minimizar, tenderá a agravar-se e, como consequência, a força do trabalho passará a ser uma forte restrição ao crescimento económico. Tal significa, que se não houver mão-de-obra as empresas não se instalam e se não houver emprego, não se atrai pessoas, gerando um ciclo vicioso. A única forma de quebrar este ciclo é atrair simultaneamente empresas de grande valor acrescentado e mão-de-obra qualificada. Para tal, é necessário definir uma estratégia e políticas integradas por forma a envolver os principais atores institucionais, económicos e sociais, nomeadamente as instituições do sistema científico e tecnológico, as empresas e o
Município.

  O primeiro passo vai no sentido de reter os diplomados, nacionais e internacionais, das
instituições de ensino superior da Região e promover uma cultura de empreendedorismo que potencie a criação de empresas de grande valor acrescentado e emprego qualificado. A existência de empresas de média e alta tecnologia e de recursos humanos qualificados na Região vai atrair outras empresas e mão-de-obra, gerando um ciclo virtuoso.

  O segundo passo vai no sentido de tornar a Cidade e a Região atrativas para trabalhar e viver. O envolvimento do Município é fundamental, nomeadamente através de políticas de habitação, incentivos ao investimento, políticas sociais, nomeadamente ao nível da integração de imigrantes.

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Carlos Cidade

Licenciado em Direito, exerce no Núcleo de Apoio Jurídico da Águas do Centro Litoral, SA (Grupo Águas de Portugal). Foi dirigente sindical, adjunto e chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal (CM) de Coimbra e vereador. É vice-presidente da CM Coimbra e membro da Comissão Nacional do PS.

Temos sempre uma tendência para falar da fuga de talentos de Coimbra sem compreender que uma das razões da escapatória destes 'Cérebros' e 'Criativos' se deve também à alta qualidade dos que aqui são formados e criados. Coimbra tem mundo e promove mundo, se
formos à Universidade, ao IPN, à Bluepharma, à Critical Software e outras sabemos que residem lá alguns dos melhores talentos, não só nacionais como internacionais, de múltiplas áreas. O que sabemos é que Coimbra esteve durante doze anos afastada de investimentos estruturais e que connosco está a recuperar essa dinâmica. Como poderia Coimbra atrair talento quando a governação de direita anterior deixou o Iparque ao abandono, não defendeu nem mobilizou investimentos como aqueles que hoje nós trazemos para a cidade. Finalizámos o Centro de Cultura e Congressos que hoje melhora a atratividade da cidade para jovens e famílias, conseguimos (apesar de vários entraves) devolver o Parque Verde, estamos a
reabilitar a zona das margens do rio e o Parque da Cidade, e dotámos a cidade de uma ciclovia
que melhora a atratividade e bem-estar das famílias. Temos mais e melhores transportes
públicos e mais e melhores condições para se investir.

Criadas estas condições que estamos a melhorar de dia para dia, o ponto central da captação e fixação de talentos em Coimbra reside na criação de mais emprego e a criação de habitação mais apetecível para que estes queiram viver numa das cidades com maior qualidade de vida no Mundo. Hoje o IParque tem 3 investimentos em curso que criarão várias centenas de postos de trabalhos diretos e outros indiretos, e a Câmara tem neste momento em curso a implementação de uma estratégia de Habitação que, associada a outros mecanismos como as reduções e isenções de impostos e o incentivo à reabilitação urbana, vai ser fundamental para ainda mais captação de talentos, desenvolvendo assim mais políticas que permitam habitação a custos controlados e programas/investimentos municipais que incentivem esta dicotomia de trabalho/casa.

Coimbra está assim preparada para responder a esta maior fixação de população que nos últimos 8 anos conseguimos inverter a tendência de perda que se criou na governação anterior e que queremos inverter para criar um saldo positivo e sustentável com emprego, habitação e bem estar para todos.

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Francisco Queirós

Tem 56 anos e é natural de Coimbra. Professor de História do Ensino Secundário, é vereador da CM Coimbra. Exerceu diversos cargos de gestão escolar, foi delegado sindical, dirigente sindical e associativo. Militante do PCP, é membro do Comité Central do PCP e tem vasta colaboração em órgãos de comunicação social.

  Consultado o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, por talento entende-se, entre outras asserções, “aptidão natural ou adquirida; engenho, disposição, habilidade; pessoa de talento”. A Coimbra interessa criar, captar e fixar pessoas que contribuam para o seu desenvolvimento sustentado, para a melhoria da qualidade de vida presente e futura dos seus habitantes. Tal passa por criar e fixar mão de obra, trabalhadores e quadros qualificados e ainda, presume-se que é esse o objecto da questão, os cérebros talentosos.

  Coimbra tem uma Universidade com mais de sete séculos, um instituto politécnico, escolas superiores na área da saúde, centros de investigação com prestígio europeu e mundial. Coimbra, como o país, diga-se, forma quadros de reconhecida qualidade em diferentes áreas.
Como exemplo, há médicos e enfermeiros portugueses em Inglaterra, na Suíça, em Espanha e em muitos outros cantos do mundo. Assim, como outros especialistas. Ou seja, o país investe e forma técnicos de grande e reconhecida qualidade e depois abre mão deles, exportando-os ao desbarato!

Para o desenvolvimento do país são imprescindíveis os jovens qualificados. Criamo-los e desperdiçamos esta enorme riqueza. Parece uma velha questão da pescadinha de rabo na boca.

Ora, em Coimbra e no país, o que é imperioso é uma aposta em políticas de desenvolvimento para os quais serão necessários estes quadros. Inverta-se o ciclo de destruição do sector produtivo da economia a todos os níveis. Aposte-se na indústria nacional, no serviço nacional de saúde, na investigação científica, na cultura, na promoção da soberania alimentar, apoiando a agricultura familiar e as pescas. Desenhe-se um outro modelo de desenvolvimento para o país e iremos precisar de muitos e muitos talentos, formados em Portugal e no estrangeiro. Pois o talento está em promover bem-estar para todos com aposta no desenvolvimento sustentado.

Foto: Pixabay 

* Biografias da autoria dos inquiridos e editadas pela Coolectiva; respostas copiadas ipsis verbis. 

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