Está na hora de falar sobre a Coimbra que nos pariu

Assim que foi lançada no Facebook, a página do movimento Nascer em Coimbra teve uma resposta imediata de mais de 600 pessoas. Não apenas por gostarem do tema mas manifestando-se disponíveis para colaborar com o grupo composto por elementos da sociedade civil, entre eles profissionais de saúde, que pretende dar voz às mulheres no que toca a questões relacionadas com a maternidade e promover uma maternidade saudável e humanizada, que salvaguarde os direitos das mulheres, dos bebés e dos acompanhantes.

O mote do Nascer em Coimbra é pensar global e agir local e o espírito é construtivo e colaborativo. Trabalhamos primeiro com as mulheres grávidas e as famílias mas também queremos trabalhar com os profissionais de saúde no respeito das recomendações da Organização Mundial de Saúde e da Direcção Geral de Saúde, explica Sandra Silvestre, membro do movimento que também colabora com outras organizações que já existem no país, relacionados com a mesma temática.

A ideia do Nascer em Coimbra é anterior à pandemia. Surgiu da vontade de um grupo de feministas de Coimbra de discutir a questão da construção da nova maternidade e porque nos pareceu que as questões dos direitos reprodutivos estavam muito ausentes dos movimentos feministas, continua Sandra Silvestre. Há quase uma década que está prevista a substituição das valências das maternidades Daniel de Matos e Bissaya Barreto, em Coimbra.

Uma iniciativa do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra – nomeadamente uma sessão intitulada Parir em Coimbra – e outra na Casa da Esquina, plantaram a semente. Juntaram-se pessoas interessadas no tema, pessoas que trabalham nele profissionalmente e pessoas que se preocupam. Segundo Sandra Silvestre, agora também há mulheres grávidas ou que já estiveram grávidas e não encontraram em Coimbra a resposta que gostariam, e foram ter os bebés noutro sítio, além de pessoas que não são da cidade nem portuguesas. Homem, há um. Dia 30, fazem a primeira acção: uma Roda Virtual sobre Gravidez na Pandemia.

O Nascer em Coimbra defende que houve um retrocesso relativamente aos direitos reprodutivos no acompanhamento aos casais e no momento do parto e a pandemia só veio somar outras inquietudes. Na página, é partilhada informação no âmbito dos direitos sexuais e reprodutivos, inclusive notícias e comentários sobre assuntos como o plano de nascimento e a polémica episiotomina, que é o corte cirúrgico que tem como função ampliar a abertura do canal vaginal para a saída do bebé. Queremos que as grávidas tenham informação acerca dos seus direitos e por isso tentamos comunicar de uma forma que seja inclusiva, que seja para grávidas mas não apenas para casais heterossexuais, por exemplo, refere Sandra Silvestre.

A Roda Virtual de Sábado, às 10h, é gratuita e via Zoom, aberta a grávidas, casais e outras interessadas ou interessados no tema Gravidez na Pandemia. Vai ter enfoque na solidariedade e fortalecimento das relações humanas, possibilitando a construção de redes sociais solidárias, sendo considerado um grupo de ajuda mútua. As facilitadoras são Monalisa Barros e Rosa Moreira, com ampla experiência no processo de preparação para a gravidez, o parto e o pós-parto. As vagas são limitadas e é necessária inscrição.

Na lista dos principais objectivos do Nascer em Coimbra, que conta com o apoio das associações Akto, Associação Fernão Mendes Pinto, Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto, Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres (APEM), Promundo-Portugal e UMAR Coimbra, estão a promoção da literacia em saúde sexual e reprodutiva, com especial ênfase na saúde materna e perinatal; a promoção do parto respeitado, livre de violências obstétricas; garantir o protagonismo das mulheres grávidas na assistência à gravidez e parto, com o acolhimento das necessidades de mães, pais e crianças; construir uma posição/visão feminista sobre a nova maternidade em Coimbra e debater outras questões relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva das mulheres.

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Dragos Gontariu, Solen Feyissa, Photo by Anastasiia Chepinska, Adityia Romansa | Unsplash

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