Pousem a agulha e deixem-se levar por estas Conversas com Discos

Ao longo dos 3 Meses para o Futuro!, o futuro tão ansiado, sem pandemia, cheio de liberdade e recheado de convívio, espectáculos e todas essas coisas boas das quais sentimos tanta falta, demos forma ao desafio da incansável produtora Blue House, de fazer um programa com entrevistas a músicos de Coimbra no Coolaboola Colab, com transmissão em directo na página Facebook da Coolectiva.

Não foram simples conversas, foram fascinantes viagens ao Lado C, no tempo e no mundo da música nacional e internacional, sempre com o mesmo ponto de partida: um disco favorito.

Na companhia do músico Pedro Serra e do editor, manager e radialista Rui Ferreira, ambos com lojas na Baixa de Coimbra, inclusive de discos, a jornalista Filipa Queiroz esteve à conversa com Pedro Renato, Joana Corker, Miguel Benedito, Rita Joana, Rui Pedro Martins, Vânia Couto, Pedro Lopes, Sofia Leonor, Carlos Dias, Raquel Ralha e Pedro Chau. 

Os discos vão desde Ser Solidário de José Mário Branco ao icónico The Velvet Underground & Nico, passando por muitos outros estilos e registos, além de várias sugestões do coleccionador e responsável pela editora Lux Records.

California, Mr. Bungle

O disco de 1999 é a sugestão de Pedro Renato, co-fundador de várias bandas, desde os Belle Chase Hotel ao projecto Azembla’s Quartet e, mais recentemente, Mancines, Raquel Ralha & Pedro Renato e Animais – 15 Anos Sem Paredes. Trabalhou na produção de discos de artistas com JP Simões e The Legendary Tigerman. Rui Ferreira não resiste a ir buscar ao baú Fossanova, dos Belle Chase Hotel.

How to Live, Modern Nature

O disco de 2019 é a escolha de Joana Corker, designer de formação, além de colaborar com a associação cultural Lugar Comum é co-fundadora da banda Birds Are Indie por isso Rui Ferreira junta à conversa o disco de estreia da banda, Local Affairs.

Sandinista!, The Clash

O disco de 1980 é uma das grandes referências do baterista Miguel Benedito, que começou nos Garbage Catz e nos anos 2000 passou para os d3o, com os quais se voltou a reunir (até hoje) depois de um período em que viveu no Canadá, onde chegou a formar os International Cold Beat. Rui Ferreira apresenta 7 Heartbeat Tracks, dos d3o.

O Despertar dos Alquimistas, Fausto

O álbum de 1985 é a escolha da autora e compositora Rita Joana, autora de El Cine, disco de homenagem aos intérpretes mexicanos que, entre os anos 40 e 60, foram as vedetas internacionais de uma estética musical e cinematográfica. Rui Ferreira não resiste a encostar ao de Fausto o vinil de Cantigas de Maio, de José Afonso.

First Impressions of Earth, The Strokes

O álbum de 2006 é a escolha de Rui Pedro Martins, baterista nas bandas Flying Cages, Defrosted Pork Chops e Eigreen, também autor e locutor de programas na Rádio Universidade de Coimbra. Rui Ferreira lembra Farewell, the Sean Rilley & the Slowriders.

Ser Solidário, José Mário Branco

O disco de 1982 (reeditado em 1996) é o eleito de instrumentista, compositora e cantora Vânia Couto, que desde o Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra até ao jazz, fez um pouco de tudo, até fundar projectos educativos ligados à música e ao teatro para crianças. Integra os projectos Macadame, Pensão Flor, Branta, Catrapum Catrapeia e Mil Folhas. Rui Ferreira traz Eito Fora, da Brigada Victor Jara.

O Melhor de Luís Goes 

O disco de 2008 é um incontornável para Pedro Lopes, cuja infância esteve intimamente ligada à guitarra clássica. Ensinou música, presidiu a Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra e ao longo dos anos tem participado em diversos trabalhos discográficos que têm permitido divulgar e promover a canção de Coimbra, como Animais – 15 Anos Sem Paredes. Rui Ferreira junta-lhe Guitarra Portuguesa, de Carlos Paredes.

The Doors, The Doors

O disco homónimo da banda norte-americana data de 1967 e é a escolha de Sofia Leonor que fez parte de projectos musicais como os Milbalas, Reis são os Ananases, New Kind of Mambo, Pussywhips e, mais recentemente, integra os From Atomic, trio onde lançou o primeiro álbum da carreira. É precisamente Deliverance a escolha de Rui Ferreira.

Paris 1919, John Cale

O disco de 1973 é o eleito de Carlos Dias, o apaixonado por música que como não sabia tocar nenhum instrumento se dedicou aos discos, à rádio, mais discos, e depois enganou uns músicos a sério e montou a banda mais caótica do mundo: os Subway Riders. Mais recentemente co-fundou os Wipeout Beat. Rui Ferreira mostra o álbum da banda, Small City Big Thoughts.

Peepshow, Siouxsie and The Banshees

O disco de 1988 é um dos que Raquel Ralha mais ouviu e cantou na vida. A artista que começou o percurso musical profissional nos Belle Chase Hotel, depois integrou os Wraygunn, co-fundou o projecto Azembla’s Quartet, os Mancines, Animais além de colaborar com os The Twist Connection e muitas outras bandas. Rui Ferreira leva Devil’s Choice Vol.1, do projecto Raquel Ralha & Pedro Renato.

The Velvet Underground & Nico

O álbum de estreia da banda norte-americana The Velvet Underground é um dos favoritos de Pedro Chau, baixista dos Garbage Catz, 77, Parkinsons, Tédio-Boys e Blood Safari, antes de se dedicar aos Estudos Artísticos e ao trabalho de DJ. Em 2015, formou o duo electrónico Ghost Hunt. Rui Ferreira apresenta o álbum de estreia desse projecto.

Gostaram? Está prevista uma segunda temporada do Lado C: Conversas com Discos. A iniciativa da Blue House em parceria com o Colab, a Lucky Lux e a Coolectiva deve começar em Feveiro. Fiquem atentos.