ARTE AO DOMICÍLIO | Miguel Ruivo, Ilustrador

A artista plástica Gabriela Torres convida à reflexão sobre a relevância da arte em tempos isolamento, através de uma série de entrevistas a artistas plásticos, fotógrafos, ilustradores, entre outros, abordados sob diversas perspectivas consoante a sua natureza mas sempre com a temática da figura humana como fio condutor.

- Miguel, fale-me um pouco sobre o seu percurso artístico.

- Eu estudei Ciências no secundário e, depois de ver que aquilo não era bem o que eu queria, voltei-me para as artes (sem saber no que me estava a meter) e, durante a faculdade - tirei a licenciatura em Coimbra (Design de Comunicação) e o mestrado em Guimarães (Ilustração) -, percebi que a ilustração de fantasia era aquilo que me mais interessava dentro e fora do âmbito escolar.

- A figura humana é importante no seu trabalho?

- Neste momento, é muito importante. No meu trabalho para a empresa Anyforms Design,
onde trabalho como ilustrador e arte finalista, desenho de tudo incluindo a figura humana. No trabalho pessoal costumo fazer mais personagens antropomórficos, portanto, está sempre presente. E ainda, no último ano e meio, tenho ido aos fins de semana ao Atelier de Artes Realistas do Porto para estudar a figura humana e aprender os métodos clássicos de desenho, o que tem ajudado a solidificar muito do meu conhecimento sobre a disciplina de desenho em geral.

- Qual é o tema que mais gosta de explorar?

- Pessoalmente gosto de criar imagens de fantasia que sejam credíveis, que as pessoas olhem para elas e pensem que podiam existir no mundo normal. Se calhar é por isso que me baseio muito em animais e gosto de recriar efeitos de luz dramáticos e algo realistas. Gosto de animais por várias razões mas possuo um fascínio, respeito e interesse inerentes na minha pessoa por toda a fauna e flora deste nosso mundo. Além de que, tudo o que é normal do nosso quotidiano fica mais engraçado se for um animal a fazer.

- Qual é o valor da ilustração nestes tempos de maior isolamento?

- Para mim, seja ou não isolamento, estou sempre a tentar perceber melhor as técnicas de desenho, pintura e comunicação visual, pelo que assim consigo ter um foco de
interesse que me guia nestes momentos mais conturbados. Sendo que posso sempre me apoiar em coisas que me inspiram (ler, ver filmes, jogar jogos, etc) para trazer algo de novo para uma imagem, ver tutoriais para aprender uma técnica ou simplesmente criar algo que já tenha andado às voltas na minha cabeça. O facto de estar obrigado a ficar mais aborrecido faz com que me foque ainda mais no trabalho, o que me leva a também ter muito cuidado porque é muito fácil entrar em burnout e ficar esgotado. Ficar isolado ou sempre em casa traz um peso invisível que é necessário termos em conta para cuidar da nossa saúde física e mental. Num contexto mais abrangente, creio que a ilustração poderá não só comunicar como as pessoas sentem nesta fase de aperto mas também trazer um certo alívio de 'afinal não sou só eu que me sinto assim' ou 'Ahahah é mesmo! Também me aconteceu no outro dia'. Neste mundo digital de hoje, imagens podem palmilhar quilómetros e, de certo modo, facilitar a comunicação e dar um certo alento.

- Há algum tema que considere importante ou projecto que queira divulgar?

- Temas importantes existem vários, não possuo um em especial perto de mim mas cultivo o interesse em várias áreas, uma delas a Psicologia. Projetos pessoais de momento estão em pausa porque o trabalho do dia-a-dia está a pedir muita atenção, mas lá consigo tirar um tempinho aqui e ali para ou fazer uma imagem ou estudar alguma coisa que me interesse (ando neste momento a fazer estudos de um artista no que toca a retratos estilizados). Para saberem podem visitar a minha página de insta que é onde tenho tido mais actividade. Estes pequenos pockets de tempinho para mim nestes dias
puxados de muuuuiiitto trabalho têm sido um alívio criativo.

www.miguelruivo.art
@miguelvruivo

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