COIMBRA NO MUNDO | Bélgica

Estou a viver em Bruxelas porque sou deputada no Parlamento Europeu.

Nasci em África, Moçambique onde vivi também até entrar para a Universidade. Marcou-me para sempre volto lá sempre que posso. Por períodos de tempo mais curtos,  vivi em outros países como estudante de doutoramento.

Gosto dos espaços verdes aqui e do modo como são usados, faça sol ou chuva. Gosto da forma como cuidam da cidade e recuperam as casas e escolas mais antigas. Gosto de me encontrar todos os dias com pessoas de várias nacionalidades e ver os seus hábitos e gostos espelhados na cidade. Não gosto nada da falta de sol e de luz, dos dias cinzentos, especialmente no Verão, nem da burocracia que rodeia todos os procedimentos.  

De Coimbra tenho saudades dos amigos (que não são de ocasião).

Venho com frequência e vou sempre ao comércio e serviços de proximidade, das queijadas de Tentúgal do Afonso, que carrego ao domingo para Bruxelas, às amêijoas do Napolitano, sem esquecer um café de esplanada com duas amigas que adoro para pôr a conversa em dia. Só se for mesmo impossível, é que não faço um jantar com amigos em minha casa (várias vezes é na casa deles). Por isso o confinamento me custa tanto, cá e lá.

Não me exilei. Estou transitoriamente em Bruxelas. Voltarei à minha cidade depois disso.

Coimbra tem uma enorme qualidade de vida.

Podia ser muito melhor se investisse mais no conhecimento e na cultura, nos espaços verdes, nas infraestruturas digitais com projetos que façam a diferença. Coimbra tem pedras preciosas escondidas, do Instituto Pedro Nunes aos circuitos pedonais junto ao Mondego. Em Coimbra as coisas demoram muito a acontecer. Só para dar três exemplos: fomos das últimas cidades a ter um orçamento participativo; a ciclovia para a Figueira arrasta-se há vários anos; poderíamos ter tido o primeiro Mercado Municipal remodelado, quando forem feitas as obras no início deste século e já era evidente que não valia a pena investir em  “mais do mesmo”, mas vamos ter um dos últimos, 20 anos depois. Coimbra precisa de rasgo, de abanão, de criatividade, de sentido de urgência. Coimbra e Portugal não podem perder a corrida europeia deste tempo para sociedades inovadoras e tecnológicas, mais amigas da natureza, mais descentralizadas, socialmente inclusivas e com menos desigualdades. Visto de Bruxelas, é para isso devemos trabalhar, depressa e bem (e neste caso tem mesmo de haver quem).

Maria Manuel Leitão Marques

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