Procuram-se pessoas com histórias que são tesouros escondidos na cidade

Ana Amorim nasceu e cresceu em Coimbra mas um dia começou a sentir que a dimensão da cidade a limitava. Fez Erasmus em Barcelona, estagiou em Lisboa e viveu durante 4 anos no Porto mas, se no início só via o que Coimbra não tinha, depois passou a valorizar o contrário. Percebi que quando estamos afundados na rotina trabalho-casa estar próximo da família e não perder um absurdo de tempo em trânsito tem muito valor, conta. Uma família e três filhos depois, foi na cidade que a advogada de formação se redescobriu. 

Num escritório de advogados há sempre muitas traduções para fazer e ninguém que goste de lhes pegar. Como eu adorava, essas tarefas começaram a ficar sempre para mim. Enquanto me dava conta que traduzir era a tarefa de que mais gostava, também percebia que ser advogada afinal não me realizava, conta. Daí a inscrever-se no Mestrado em Tradução em Coimbra foi um passo mas não ficou por aí. Lembro-me de em adolescente — e até antes — ter diários. Escrever era um exercício de catarse que me deixava feliz, conta. Ana teve blogues, uns mais anónimos do que outros, nada de sério, mas o gosto e a vontade de escrever estavam lá.

Dos Cinco que a mãe a obrigava a ler para evitar que desse erros ortográficos à A Rapariga das Laranjas, de Jostein Gaarder, As Velas Ardem Até ao Fim de Sándor Márai e As Intermitências da Morte de José Saramago, os livros tornaram-se grandes amigos, por isso nem gosta de apontar favoritos porque sendo companhia têm a sua apreciação bastante influenciada pela altura da vida em que estamos.  

Há 3 anos, Ana Amorim criou o blogue e a página no Instagram Três Antes dos Trinta. Porque queria escrever, porque para ela a escrita é catártica e porque, como o nome indica, teve três filhos antes dos 30 e parecia-lhe uma desculpa tão boa como qualquer outra. Quando percebi que estava grávida de gémeos, o meu filho mais velho tinha apenas 9 meses. Dei por mim a ter de assimilar que ia ser mãe de três bebés em menos de ano e meio, algo que nunca imaginei e senti uma grande necessidade de expurgar a alma, conta. O bichinho pegou e agora quer escrever não só como passatempo. Tenho investido em formação na área de copywriting e ando à procura de desafios novos na área e também na de escrita-fantasma. Singulares é a nova rubrica da Coolectiva e tem a sua assinatura. 

Singulares 

Leitora atenta e fiel da Coolectiva desde os primórdios, como gosta de contar histórias e acha que há muitos tesouros escondidos na cidade, Ana quer ouvi-los, conhecer as histórias daqueles que cá nasceram, cresceram, estudaram ou viveram e escrever os capítulos de vida que merecem ser lidos por todos. A minha proposta é essa: procurar pessoas singulares, com histórias normais, mas com detalhes diferentes e contá-las a todos. Ana Amorim diz que a escrita-fantasma, que é quando alguém escreve uma obra ou texto sem receber os créditos de autoria, e que permite tanto anónimos como famosos serem autores de inúmeros livros, é um fenómeno que a fascina. Acho que casa oferta e procura: uma pessoa tem uma história e a outra quer contá-la. Nem toda gente foi abençoada pelo gosto pela escrita, e nem toda a gente sabe como o aperfeiçoar, a escrita-fantasma permite que não se percam histórias bonitas por esse motivo. A página, que é no fundo um confessionário, soma quase 6 mil seguidores e podem conhecê-lo e acompanhá-lo aqui - sem os óculos românticos que vejo tantos usarem e cheio de partilhas oscilam entre a comédia, exaustão, felicidade e orgulho, descreve. A Singulares vão conhecer aqui, na Coolectiva, muito em breve. Fiquem atentos.  

Texto: Filipa Queiroz
Foto: Ana Amorim

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Conceição Lopes
25.11.2020

Gosto desta rubrica…também eu tenho história dificil para contar…até tenho um titulo para ela:-” vida em suspenso” A minha vida está continuamente em suspenso, mas ainda por cá ando

    27.11.2020

    Bom dia, Conceição
    Envie-nos um email se quiser entrar em contacto com a autora desta rubrica e muita força para si.
    Equipa Coolectiva