Em ano de máscaras esta é especial e soma prémios

Não atendeu à primeira porque estava a fotografar. Tiago Cerveira fez uma curta experimental com Ricardo Ladeira e Bruno Lisboa para a exposição Umbra, que pode ser vista por estes dias na Casa da Esquina, e dessa experiência já está a nascer outra coisa. 

O documentário é a minha paixão, é o que eu quero fazer para o resto da vida: a minha caneta ser a câmara de vídeo e eu escrever a história daquela pessoa ou daquele grupo de pessoas, mas também me vou apaixonando por fazer uns vídeos promocionais para umas peças de teatro, videoclipes, vão sair vários agora cá de Coimbra desde o fado ao rock, conta ao telefone o realizador, natural de Oliveira do Hospital e autor de trabalhos como Memórias do Fogo, Wildlings Pagar a Promessa. Em cada um conheço pessoas novas e atrás delas vêm projectos novos, atira.

Foi mais ou menos assim que nasceu o extraordinário filme de 15 minutos que tem feito correr muita tinta e somado prémios por onde passa. 

A Máscara de Cortiça (2020) é sobre a Corrida do Entrudo das Aldeias do Xisto de Góis. Já tinha sido considerado o Melhor Filme Internacional Realizador <30 no Avanca Film Festival e vencido a Claquete de Bronze no Viva Film Festival, na Bósnia, e agora ficou em 1º Lugar na Categoria Etnografia entregue pelo júri internacional do ART & TUR - Internacional Turism Film Festival, ganhou o galardão de Melhor Documentário Nacional < 30’ e uma Menção Honrosa do Júri Juventude e o Prémio Panorama Regional, no CineEco - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela - o segundo consecutivo para o autor do projecto O Meio e a Gente.  

Não pensava conseguir isto, até porque estava dentro da história, mas talvez isso tenha acrescentado algo, ter contado mais pela emoção do que pela corrida em si. Tiago Cerveira já era folião da Corrida do Entrudo desde 2016 quando foi desafiado pela Junta de Freguesia de Góis, no início deste ano, para fazer um vídeo para o concurso 7 Maravilhas da Cultura Popular. A Corrida consiste nos mascarados irem de aldeia em aldeia soltando quadras jocosas que são lidas em praça pública e o filme tem uma fotografia de tal forma impactante, e belíssimas supresas pelo meio, que a tornam épica. 

Um dos protagonistas de A Máscara de Cortiça faleceu quando o realizador estava a cortar as cenas que tinha filmado com ele. Foi um pouco arrepiante mas fico feliz por ele ter ficado ali imortalizado. Se quando o filme foi rodado a aldeia dele tinha 3 habitantes agora tem só um, que é a esposa dele, conta Tiago.

Iniciativa da Freguesia de Góis em parceria com a Lousitânea e com o Município de Góis, A Máscara de Cortiça tem sido mostrado em festivais de cinema nacionais e internacionais e agora vai ser exibido na cidade a que o realizador chama casa. Dia 5 de Novembro, passa no Teatro da Cerca São Bernardo, em Coimbra, por iniciativa do GEFAC e seguido de uma tertúlia. Uma coisa é certa: o rural e as tradições estão na moda o que, como tudo, tem coisas boas e coisas más, diz Tiago Cerveira que, acima de tudo, diz ter muito respeito pelas pessoas. Não vou dizer que os prémios não sabem bem e não me consagram como realizador, em termos de marketing é fantástico, mas acima de tudo o facto de as pessoas que foram documentadas re reverem no filme, isso é o melhor prémio. Em Novembro, o filme está em competição em festivais desde Famalicão ao Canadá e passa na Mostra Entre Olhares, no Barreiro, no dia 8. Termina o mês em Itália, no Fiorenza Serra Film Festival.

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Tiago Cerveira

Deixa-nos a tua opinião!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.