COIMBRA NO MUNDO | Estados Unidos da América

Desde pequenina que gosto de viajar. 

 
A minha mãe sempre nos incutiu esse bichinho, de modo que foi com naturalidade que me fui deixando ir embrenhar na vontade de conhecer o diferente. Comecei por fazer férias em família fora de Portugal nas épocas baixas (quando o era possível), sempre em destinos não ainda conhecidos. Viajei com amigos, colegas, fiz Erasmus em Espanha (onde vivi durante 6 meses) e agora dou por mim a viver e trabalhar nos Estados Unidos; algo que sempre quis fazer desde novinha.

 

De momento estou a viver no estado de Washington.

 
Em Seattle, ou Bellevue mais especificamente, vive-se numa bolha de conforto. Aqui existe uma oferta e segurança absolutamente incrível que não existe necessariamente no resto do país, alimentada pelos gigantes tecnológicos que têm sede cá como a Microsoft e a Amazon, entre outros de outras indústrias como a Boeing e o Starbucks. Fora do âmbito profissional tecnológico há boas escolas, universidades e até se respira um sentido político diferente da do governo actual, o que para nós, enquanto imigrantes, nos faz sentir mais em casa.
 
Felizmente temos tido muita sorte nas oportunidades que nos foram aparecendo e nas pessoas que nos foram recebendo, tendo já criado aqui uma família de amigos muito próxima. No entanto, apesar de ter adorado a vinda para cá e aproveitado muito o meu tempo livre enquanto esperava o meu visto de trabalho, dar o primeiro passo profissionalmente foi difícil. É preciso recomeçar toda uma rede de contactos e oportunidades do zero, num país e realidade que não conhecemos tão bem. Claro que depois o reverso da medalha também se aplica: quando vingamos na vida fora do nosso espaço de conforto, é com orgulho que dizemos que estamos e chegámos aqui.
 

Estar a 9000 Km e -8h de distância é duro.

 
Em particular porque somos tão próximos da nossa família. Até termos tido a nossa filha (e nos depararmos com uma pandemia) íamos a Portugal sempre que conseguiamos. No mínimo, duas vezes por ano: uma no Verão e outra no Natal. Estar com a família e os amigos próximos é imperativo e, regra geral, nada se pode meter à frente do tirar a barriga de misérias (nem frango de churrasco há cá!) ou de beber uma bica numa esplanada, seja no Alcoa, ao pé do Mosteiro de Alcobaça (de onde o Miguel é natural) ou no café do sr. Chico, no prédio onde cresci em Coimbra. Curiosamente, ambos achávamos que, à medida que o tempo passasse, o regressar a casa fosse mais fácil mas não é. Vemos os nossos pais e avós e entrarem noutra fase da vida, as nossas sobrinhas a crescer a passos largos e nós longe, a aproveitar um décimo daquilo que poderíamos estar a aproveitar. Contudo, é difícil encontrar oportunidades para ambos que nos permita sustentar, amealhar e cuidar dos nossos e, acima de tudo, com o impacto e a diversidade que temos aqui. Aqui existe muito o acreditar no perfil de cada indivíduo e o que este pode trazer à mesa, tenha e venha do contexto que vier, pelo que rapidamente reinventei a minha carreira. Desde aí, tenho crescido muito e felizmente com o apoio da empresa onde estou. No fim é uma aposta dos dois lados em que ambos saem beneficiados.
 

Adoro o equilíbrio que Coimbra tem: não é pequena nem grande demais mas tenho, de facto, pena de não haver um fervilhar maior, tanto de oportunidades profissionais boas, interessantes e com impacto, como que de um ambiente urbano e cosmopolita.

 
Gostava que houvesse mais diversidade e desenvolvimento planeado a todos os níveis. Mas, já que a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha, tentamos nós trazer connosco um pouco do nosso calor e cultura portugueses e expandir a nossa terra por onde caminhamos.

Mariana Araújo

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