Coimbra tem mais encanto na voz de Amália Rodrigues

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição
O lente é uma canção
E a lua a faculdade...

Apareceu pela primeira vez no filme Capas Negras (1947), de Armando de Miranda, com Amália Rodrigues e Alberto Ribeiro nos principais papéis. No filme é o actor que a canta o tema composto por Raul Ferrão e escrito por José Galhardo, mas foi a versão gravada pela diva do fado português que o terá catapultado para a fama mundial. Há inúmeras versões, de Julio Iglesias a Chico Buarque passando pelo francês e o inglês, onde lhe chamam April in Portugal, além da incontornável pela voz do tenor Luís Piçarra. Quando Amália cantou Coimbra, o tema terá atingido a 2ª posição da tabela Billboard Hot 100 da conceituada revista de música norte-americana. Entre 1952 e 1954, a artista actuou durante meses em boates de Hollywood e Nova Iorque, onde também participou no programa The Eddie Fisher Show - a primeira apresentação de um artista português na televisão mundial.

Amália Rodrigues teria feito 100 anos no dia 23 de Julho de 2020. Morreu a 6 de Outubro de 1999 e está sepultada no Panteão Nacional mas continua bem viva nos corações e merece ser sempre recordada através da vasta obra que deixou. Considerada uma das suas melhores embaixadoras da cultura portuguesa no mundo, apareceu em múltiplos programas de televisão a cantar não apenas fados como outras músicas de tradição popular portuguesa, contemporânea e mesmo estrangeiras, uma vez que falava e cantava em castelhano, galego, francês, italiano e inglês. Amália foi pioneira a cantar poemas de grandes autores no fado, desde Luís de Camões e D. Dinis até David Mourão Ferreira, José Carlos Ary dos Santos e Alexandre O'Neill. O Capas Negras (1947) foi a estreia no cinema mas é, ainda hoje, um dos maiores êxitos de bilheteira do cinema português. Quando morreu, Amália tinha 170 discos em 30 países e mais de 30 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro. Encontram a (incrível) cronologia do percurso da fadista, com boas fotografias a ilustrar, no site da Fundação Amália Rodrigues.

Capas Negras (1947)

Nunca viram o melodrama de sabor coimbrão, sobre o caso de amor entre uma bela tricana e um estudante de Direito? O grande êxito dos anos 40 está no Youtube e, apesar de ser uma das poucas ligações de Amália Rodrigues à cidade é bem significativa. O filme conta  a história de amor de José Duarte e Maria de Lisboa, em que o estudante de Direito, quando termina o curso e julgando-se traído pela tricana amada, a abandona. Acaba por regressar tempos mais tarde para a defender quando sabe que foi presa e reconhecer o criança filha de ambos que entretanto nasceu.

Discos

Na discoteca Lucky Lux, na Baixa de Coimbra, encontram vários discos de Amália Rodrigues, vinil e CD, inclusive com o tema Coimbra. O dono da loja de discos, Rui Ferreira - que assina a rubrica Discoolgrafia na Coolectiva -, diz que a sua colecção ultrapassa a centena de registos da cantora portuguesa. Na loja também há um CD chamado Coimbra - April In Portugal, editado pela Tradisom, que inclui, nada mais nada menos, do que 24 versões daquela que é considerada a canção portuguesa que maior popularidade atingiu em toda a história. Além de Amália, estão interpretações de nomes como Louis Armstrong, Caetano Veloso, Bing Crosby, Xavier Cugat, Chet Attkins, Liberace, entre outros. É um CD em formato de livro em capa dura, com cerca de 80 páginas a cores. Foi de José Miguel Júdice, proprietário do Hotel Quinta das Lágrimas, onde se encontra a Fonte dos Amores citada na letra da canção Coimbra, a ideia de reunir algumas das versões mais significativas do tema mas há cerca de 200 identificadas, gravadas entre 1947 e 2002. 

Exposição Recordar Amália no Vinil

A vida de Amália tem sido celebrada um pouco por todo o país, Coimbra não é excepção. Depois do espectáculo Pitou no Convento São Francisco, por exemplo, têm até 15 de Novembro para ver a mostra de capas de discos de vinil dedicada à artista que deu voz a êxitos como Ai, Mouraria, Povo que Lavas no Rio e Estranha forma de vida. Recordar Amália no Vinil (1920-2020). É na Casa Municipal da Cultura de Coimbra e podem visitá-la de 2ª a 6ª feira, das 10h às 19h30 e ao Sábado das 11h às 13h e das 14h às 19h. Também avisamos que foi lançada no mercado uma caixa com 5 discos que incluem gravações inéditas da fadista em Paris, o primeiro de três novas edições de Amália com o selo da Valentim de Carvalho previstos para este ano de centenário do nascimento.  

Texto: Filipa Queiroz
Vídeos: Youtube
Fotos: Filipa Queiroz

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