Esta página é de Coimbra e é “veggie” com muito gosto

Bia Farão é cientista social, trabalha na área do desenvolvimento sustentável e é doutoranda na Universidade de Coimbra. Brasileira-canadiana, é ovolactovegetariana mas caminha para o veganismo, e quando se mudou para a cidade há 8 anos, não foi fácil encontrar onde comer. Confesso que não gosto muito de cozinhar, nem cozinho muito bem por isso como muito fora, e quando cheguei havia poucas opções vegetarianas nos restaurantes, conta. Tive de descobrir o que havia e, na altura, pensei que como eu outras pessoas estivessem nessa busca. Foi assim que surgiu o CoimbraVeg. Primeiro no Instagram e depois no Facebook. O primeiro post é de Março de 2017, em inglês, sobre o restaurante japonês Ishi. É uma espécie de serviço público para os vegetarianos daqui e os que chegavam de visita. 

Hoje, as redes do CoimbraVeg caminham para os 2 mil seguidores e os comentários, públicos e privados, multiplicam-se. Recebo bastantes mensagens de pessoas, vegetarianas e não vegetarianas, a pedir conselhos sobre sítios onde fazer jantares de família, turistas com perguntas mais específicas, essas coisas, explica a autora que, brevemente, vai começar a partilhar a sua sabedoria aqui, na Coolectiva. É curioso porque, inicialmente, tinha imaginado que estas coisas interessariam mais aos estrangeiros, não conhecia o movimento vegetariano em Portugal, mas depois a maior parte dos comentários e mensagens das pessoas que me escreviam eram em português, então comecei a fazer textos bilingues e depois só em português. Não foi só a página que mudou, a cidade também.

Veg de quê?

O debate é bastante controverso, atira Bia Farão. Veg é de vegetais, vegetarianismo, veganismo ou veggie, termo que engloba ambos e o flexitariano (permite comer carne e peixe, mas só de vez em quando). São conceitos que ainda suscitam dúvidas, enganos e ideias pré concebidas em Portugal, nomeadamente em Coimbra. Nas palavras da autora do CoimbraVeg: de uma forma abreviada o vegetarianismo é o regime alimentar das pessoas que não comem qualquer produto de origem animal, apenas vegetal; depois há os ovolactovegetarianos que comem derivados de produtos de origem animal como o mel, queijo ou leite (para mencionar os mais comuns). O veganismo é a prática de se abster do uso de produtos de origem animal, procurando excluir, na medida do possível, o uso de qualquer produto de origem animal, seja na alimentação ou no vestuário. Não é só uma questão alimentar, é uma escolha e inclui muitas outras coisas como a questão das roupas. Bia diz que o veganismo é uma meta para ela mas admite que, na sociedade actual, é muito difícil ser vegano e não lidar diariamente com contradições e escolhas difíceis. 

Coimbra

Na Coolectiva, já falámos de vários espaços de restauração ideiais para vegetarianos, veganos ou para quem simplesmente opte por uma dieta alimentar mais saudável como os produtos com certificação biológica como o BioEscolha, o Greenside, o Burrito e a Cozinha Consciente. Acho que, hoje em dia, a maior parte dos restaurantes que abrem, sobretudo os mais voltados para o turismo, na zona da Alta e da Baixa por exemplo, também já têm todos indicação de pratos vegetarianos no menu e isso é já uma grande mudança, constata Bia Farão. A aversão que existia ao vegetarianismo aqui agora já está diferente e acho que os turistas agora chegam aqui e já não ficam tão perdidos. Outra coisa que para a autora mudou foi o própio serviço nos espaços de restauração, com funcionários estão mais informados em relação às diferentes dietas ou estilos de vida, conscientes de que os vegetarianos não comem (de longe) apenas saladas e omeletes. A Associação Vegetariana Portuguesa aponta para que, actualmente, 120 mil pessoas sejam vegetarianas em Portugal. 

Coolaboração

Além dos sítios onde comer ou comprar comida adaptada a um regime alimentar vegetariano, Bia partilha com simpatia e sentido de humor a descoberta de eventos, mercados, alimentos e mesmo receitas interessantes, inclusive para miúdos - sendo mãe, está bastante atenta e informada sobre o assunto. Para mim, o vegetarianismo mudou completamente a forma como vejo a comida e alimentação em geral, conta. Comecei a pensar mais no que como, de onde vem o que como, até porque no contexto urbano perdemos essa relação com a comida, nos supermercados as coisas aparecem prontas à nossa frente e a compra é automática mas quando temos de pensar em alternativas para garantir que estamos a garantir as nossas necessidades nutricionais, começamos a ver quais são as variedades. Bia garante que desde que deixou de comer carne a sua alimentação é muito mais variada, além de ter aquirido essa sensibilidade em relação ao processo produtivo. Se o tema vos interessar, podem contar brevemente com os contributos da autora aqui, na Coolectiva, além dos apontamentos nas páginas oficiais do CoimbraVeg no Instagram e no Facebook.

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: CoimbraVeg

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