Domingo há conversa e paródia neste talkshow feito no Centro do país

Está tudo de pantanas, dispara Rui Silva quando entramos no armazém da Zona Industrial de Cantanhede. Foi com o empresário da StageLand, empresa de serviços e equipamentos para espectáculos, que Ricardo Figueiredo foi ter para tentar perceber como poderia potenciar as sessões de conversas em live streaming, na Internet, que criou durante a quarentena. Eu gosto muito de programas como os do Stephen Colbert e do Jimmy Fallon e meti-lhe isso na cabeça, continua Rui.

Foi assim que nasceu o talkshow A Vida na Toca ali mesmo, no armazém apinhado de colunas, instrumentos, mesas de som e aparelhagens várias. O resultado é um autêntico estúdio e plateau improvisados, onde Rui já pensava fazer uma caixa negra para gravar videoclipes e artistas prepararem digressões. Nós somos do rock e estamos habituados a fazer e desenrascar tudo, seja a que horas for, só não há é dinheiro agora mas tudo se arranjou com muita colaboração, que aliás tem sido uma constante no meio audiovisual, felizmente.

A ideia de Ricardo, que teve de ficar na toca mas arranjou maneira de sair dela, chamou as atenções de muita gente - mais de dois mil seguidores no Facebook -, em grande parte por causa do seu à vontade em frente à câmara. Ouvimo-lo a falar com amigos como o Chico, que também é músico e agora assume o papel de realizador, o Ferreirinha que é o boss das luzes. Há nervosismo mas sobretudo alegria, orgulho, motivação. São pessoas que em vez de ficarem paradas a lamentar-se reinventaram-se e esperamos que isto sirva para lhes dar voz e algum retorno, explica

Ricardo é, ele próprio, músico e professor em stand by. Além de muitos amigos e conhecidos, empresas regionais como a Licor Beirão e a loja Música.com deram uma mão a este projecto, cujo cenário vai contar com os contributos dos próprios convidados. Com conversas relaxadas, muita música, jogos diferentes e acompanhados por um bom copo, os serões de domingo à noite passam a ser a falar de cultura, entre artistas e não só, a partir da zona Centro.

Estreia

Dás-me aqui uma ajuda? Não estou a conseguir reduzir isto a 1 Mega. Todos fazem um pouco de tudo, há quem trate dos teasers nas redes sociais, quem se certifique que os botões estão todos ligados na régie e quem posicione as 5 câmaras usadas na transmissão. Ao todo são 14 os elementos da equipa técnica, todos a trabalhar voluntariamente. Tudo tem de estar a postos para a grande estreia no Domingo, dia 6 de Setembro, às 21h30, no Youtube e Facebook. O talkshow A Vida na Toca é aos domingos e, por agora, a expectativa é de fazer uma primeira temporada até ao final de 2020. Os primeiros convidados são Helena Teodósio, Presidente da Câmara de Cantanhede, Pedro Barbosa da empresa de agenciamento de artistas Primeira Linha, a cantora Bárbara Tinoco e o acordeonista João Gentil. No plateau, há um Bar da Beirão onde diferentes profissionais preparam cocktails para os convidados, Nelson de Matos é o primeiro. Também há uma banda residente e cada programa tem cerca de 1h30 que variam entre conversa, música e jogos.  

Ricardo Figueiredo

Já tinhas pouco e de repente o pouco que tinhas é zero, diz Ricardo enquanto vai controlando o que os colegas vão fazendo com os tripés e as câmaras. Gostava mesmo que isto fosse uma coisa positiva que nasceu de uma coisa muito negativa, continua. Ricardo é de Coimbra, formado em Artes do Espectáculo e mora em Cantanhede. Já era um líder natural, típico bobo da corte, e o facto de estar habituado a ser o centro das atenções nos palcos, como cantor, ajudou à festa. A Vida na Toca nasceu por acidente. Estava numa plataforma de streaming a tentar entrar naquela coisa que toda a gente fez durante a quarentena, dos directos com uma câmara a tentar mostrar trabalho. Comecei a ver uma parte que tinha uma caixa de comentários e percebi que havia pessoas que me estavam a ver do outro lado, acabaram por se ir juntando amigos músicos, falámos, bebemos copos e quem entrava perguntava sempre: o que é que se passa? Eu respondia que não era nada, que tinha sido um erro, mas a ideia de fazer aquilo regularmente e com pessoas diferentes ficou. E pronto, nunca mais dormi, conta Ricardo. Às páginas tantas, estava a conversar com Tiago Nogueira (Os Quatro e Meia) e José Cid.    

O Texugo

Ricardo ainda não decidiu se ou em que momento vai cantar no programa mas está certo de conseguir criar um registo próprio, original, como apresentador . As perguntas alinhavadas para os convidados são no sentido de conhecer mais as pessoas e menos os cargos que ocupam. A ajudar à festa, tem uma ajuda. Durante algum tempo, nas sessões durante a quarentena, o amigo Tiago Beça foi o seu sidekicker (ajudante) que agora, não podendo comprometer-se presencialmente, foi substituído por uma mascote. O Texugo tem uma voz alterada, manda umas bocas e até já tem uma página no Facebook. Não é o papagaio do Rui Unas, não é mal educado, aliás não há vernáculo no programa, esclarece Ricardo, que confessa que acredita que se formos boas pessoas vamos ter boas coisas e se fizermos por estar bem atraimos boas energias também. É imbuído nesse espírito optismista que sonha com o êxito da Toca (como lhe chama). Dois músicos já conseguiram trabalho graças a uma sessão e um deles disse-lhe: se a Toca for isto vais ter muita gente a apoiar-te e isto vai voltar a acontecer. Que seja como diz Sérgio Godinho: Hoje vais crescer / Para lá do teu tamanho o cansaço e tamanho / Mas talvez amanhã seja domingo no mundo / E tudo bata certo nem que por um segundo / Fogo de artifício explodiria / Se fosse assim para sempre um dia. 

Texto e fotos: Filipa Queiroz

Deixa-nos a tua opinião!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.