Férias pela costa portuguesa fora em bicicleta

Quinta-feira, dia 30 de Maio, o catalão Alex Tebar aterra às 9h da manhã em Santiago de Compostela e segue para Caminha para encontrar Henrique Patrício. Juntos, vão percorrer 1.200km de bicicleta da nossa Costa Atlântica, desde a vila raiana do distrito de Viana do Castelo até à pontinha do Algarve, Vila Real de Santo António. Porquê? Porque se para eles já era um favorito o meio de transporte que tem ganho novos adeptos com a pandemia, não há nada como viajar com o vento a bater no rosto, as pernas a mexer e o estômago a ditar as paragens pelo caminho. Sem precisar de muito dinheiro no bolso e, no caso, em boa companhia.

Henrique e Alex conheceram-no no ano passado, enquanto percorriam os Caminhos de Santiago, juntamente com Gonçal Fontanet, na costa espanhola do Norte. Bicigrinos, diz Henrique Patrício que, na altura, relatou tudo no Facebook. Em videochamada desde Celorico da Beira, com vista para a amada Serra da Estrela, mas quase de regresso a Coimbra onde mora há duas décadas, o viajante conta que o plano inicial para o Verão de 2020 era conhecer a costa italiana mas o novo coronavírus fê-lo moderar as expectativas. Ainda em contacto com Alex, o catalão propôs-se a acompanhá-lo e Henrique vai partilhar o périplo diariamente e em primeira mão aqui, na Coolectiva.

Quem é o Henrique?

Henrique Patrício é o da esquerda, na fotografia. Vive em Coimbra há 20 anos mas foi lá na Beira Alta, onde cresceu, que começou a dar ao pedal. Dois tios eram ciclistas amadores e passaram-lhe o bichinho. Participou em competições mas o que gostava mesmo era de pegar na mochila e sair para passear sobre duas rodas, de manhã à noite. Com 19 anos, o filho de fotógrafos mudou-se para Coimbra. Designer gráfico, toda a vida fez fotografia, vídeo e também pintura e dança com o Grupo de Etnografia e Folclore da Universidade de Coimbra. O ciclismo como desporto ficou para trás mas o amor pela bicicleta não e, quando se viu sem amarras, resolveu começar a pegar na sua Alzira e elevar a fasquia: viajar de mochila às costas. A primeira aventura foi a Norte, por cidades como o Porto, Braga, Póvoa do Varzim e Aveiro, a propósito de um concerto da Pensão Flor. Pedalar por montes e vales, escarpas sem fim, florestas e mais florestas e fazer amigos é tudo o que eu quero, relatou na página Henrique Patrício - Bike Traveller, com mais de 600 seguidores. O que me interessa não é fazer quilómetros, é conhecer locais e experienciar as coisas.

Como é que ele faz a mala?

Da forma mais prática e simplificada possível. O Henrique usa alforges, aquelas malas laterais que se colocam junto às rodas traseiras da bicicleta, e diz que esta é a lista essencial: 

1. Uma ou duas câmaras de ar, spray anti-furo, bomba e ferramentas para resolver problemas mecânicos;

2. Toalha, muda de roupa para jantar à noite, um par de sapatilhas, calções de praia e chinelos de banho;

3. Bolsa com produtos de higiene em miniatura;

4. Barras energéticas, compradas ou feitas em casa, e fruta;

5. Uma garrafa de vinho. Aprendi que pode ser uma salvação quando se precisa de um favor, por exemplo, ou se alguém te dá comida ou dormida. 

Qual é o plano?

Henrique consultou sites como o Ecovias 2020 ou Ciclovias.pt, marcou o percurso aproximado no site do Alltrails e tem o trail do Eurovelo que leva na aplicação BikeGPX. O telemóvel vai no guiador da bicicleta, porque o Google Maps é essencial. Mas a verdade vai ser marcada à medida que vamos pedalando, diz. Quanto à preparação física, nota que é preciso estar em forma, até porque há muito calor em Agosto e algumas etapas são de muitos quilómetros. As dormidas vão ser em parques de campismo, com os cuidados e o distanciamento social que os tempos pedem. Para comer, de manhã compra fruta fresca e o almoço. Uma coisa que gosto muito, e que na nossa costa dá para fazer muito, é almoçar nas falésias. O jantar é mais completo e confortável. A segurança: é sempre um risco. No passado, recorda que o suporte para o telemóvel apareceu partido e falta de bom senso da parte dos automobilistas. Cumpridor das regras de circulação, conta com as ciclovias mas sabe que terá de recorrer à estrada - há zonas em que é muito confortável e outras em que as pessoas as usam para caminhar. Acompanhem o diário de viagem do Henrique aqui e nas redes sociais da Coolectiva.

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Henrique Patrício

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Graça Patrício
30.07.2020

O meu Coração fica muito apertadinho quando o Henrique resolve partir nestas aventuras mas, sei que é a vontade dele e por isso resta me rezar para que tudo corra bem ❤️

Francisco Linhares
31.07.2020

Espetáculo!! Parabéns amigo!

Concha
31.07.2020

Força. Grande abraço.