Em Penela brincar nas árvores não é só para meninos

Agora que há menos movimento, pelos motivos que conhecemos, quem marca uma experiência no Expertree, no Parque Verde Quinta da Cerca, em Espinhal (Penela), tem a oportunidade de vivê-la com a paz e sossego que o desconfinamento pede.

É certo que a recepção, a zona de entrada e saída e as áreas exclusivas, as únicas onde é obrigatório usar máscara, acusam a presença da pandemia e o cumprimento do selo Clean & Safe do Turismo de Portugal, mas depressa relaxamos e entramos no espírito de aventura do arborismo, deixando os problemas bem longe, que é onde às vezes precisam de estar. 

 

A expectativa é imensa e, à primeira vista, quase parece defraudada. Não parece assim tão difícil, pensamos nós. Veremos. A Ema e o Rodrigo têm 10 anos e também vão experimentar pela primeira vez. As mães ficam a supervisionar. Mãos desinfectadas, deixamos os pertences numa caixa, mas quem vai em grupo tem uma área exclusiva, com mesa e bancos para descansar e comer qualquer coisa sempre que apetecer. Está tudo pensado para se passarem 2 a 3h bem agradáveis, com a cabeça só ali e o corpo a salvo de qualquer imprevisto. O equipamento permite isso, vestem-nos uma espécie de fato de alpinista com dois mosquetões e uma roldana, que aprendemos a usar, e o sistema clic-it passa a ser a chave de toda a experiência.

Percursos fáceis

Os mosquetões, que depois de um pouco de prática se tornam quase intuitivos, servem para durante os jogos nunca corrermos o risco de cair. Ficamos sempre pendurados. Mas que jogos são esses? É subir às árvores e passar de uma para a outra através de diferentes passagens construídas com madeira, corda, fios de aço e slacklines. Cumprido o primeiro nível, que começa num belíssimo pinheiro manso, achamos fácil e uma brincadeira de crianças mas rapidamente percebemos que fazer arborismo é muito mais do que isso. Já percebeste, não já?, diz Pedro Mendes. Desde o início que o coordenador do Expertree faz tudo para que nos sintamos bem acolhidos, à vontade e em segurança. É tão bom, eles passaram tanto tempo confinados, ouvimos comentar uma das mães. Pedagogicamente, são muitas as perguntas que fazemos quando estamos a fazer arborismo, continua Pedro Mendes. Em primeiro lugar é a relação com a Natureza e depois as capacidades que se ganham, conclui, à medida que nos aproximamos do primeiro slide. 

Percursos médios

O slide é um dos momentos mais esperados dos percursos e também dos mais divertidos, apesar de desafiantes. Mesmo sabendo que não podemos cair, pode ser difícil levantar os pés do chão mas garantimos que a viagem compensa. As marcas verdes no arame (a chamada Linha de Vida) significam que é hora de usar a roldana. Pensar que crianças de 4 anos (desde que tenham mais de 1m de altura) já podem participar nestas coisas ajuda a lembrar-nos que não pode ser assim tão complicado. Não há peso mínimo para participar no Expertree e no máximo os participantes podem ter 110 quilos. Quanto mais leves, mais devagar deslizam no slide. O Gonçalo, estagiário, explica as regras do jogo. Por exemplo, que em cada um só anda uma pessoa de cada vez e a seguinte só avança quando ela terminar. De resto, podemos abraçar os pinheiros, carvalhos, oliveiras e loureiros à vontade. Podem e devem, diz Pedro Mendes, que vai chamando a atenção para os benefícios do contacto com a Natureza. A aranha está no lugar dela, se calhar somos nós que nos temos de afastar e não o contrário, explica o instructor à pequena Ema, que não parece lá muito convencida mas prossegue.

Percursos difíceis

Na travessia em rede, o Rodrigo tem dificuldades. Confirmamos que às vezes é mesmo difícil avançar na corda bamba, mesmo sabendo que vamos parecer uma espécie de Homem Aranha. Os percursos são progressivos, começam nos mais baixinhos e vão subindo, às vezes pode ser preciso dar uma mão, explica Pedro. Sempre com uma voz serena e tranquilizante acalmou os nervos do participante mas ele acabou mesmo por descer da árvore, e deixar a coisa por ali. Foi uma questão de insegurança mas é importante que quem ache que, por exemplo, vertigens não permitem participar, entenda que há esses diferentes graus de dificuldade e também que se pode desistir a qualquer momento, afinal não é uma competição. É suposto ser um momento divertido, em família ou entre amigos ou colegas de trabalho. O equipamento é bem seguro, há uma psicóloga na equipa e Pedro Mendes, além de formação em Ciências do Desporto, PNL e Coaching teve 7 anos de experiência em arborismo noutra empresa. 

Fim da linha

Há álcool gel disponível em vários pontos do parque e não é preciso preocuparem-se com o sol, a maior parte dos percursos fica sob a sombra natural das árvores. Há 8 jogos, os últimos para os mais audazes, e também está a nascer uma casa na árvore. Por causa do imaginário dos miúdos, diz Pedro Mendes. E dos graúdos, pensamos nós. No final, sentimos o corpo um pouco dorido mas revigorado, como a alma. A mãe da Ema diz que ela sempre foi destemida, por isso nunca ficou preocupada e, se ela quiser voltar, para a próxima faz com ela. O Rodrigo garante que gostou e a mãe nunca mostrou sinais de aflição. Quem nunca sentiu prazer com a adrenalina de enfrentar os próprios medos? Podem descobrir no Expertree, está aberto em Junho e Setembro aos fins de semana e feriados, das 14h às 19h, e de Julho a Agosto todos os dias, das 10h às 19h. Durante o resto do ano dá para reservar, desde que não chova torrencialmente e sejam no mínimo 3 pessoas. Os preços variam entre os 10€ e os 16€ e há pacote família, que fica mais em conta. Têm informações no site e podem seguir o Instagram e Facebook. O Parque de Lazer da Quinta da Cerca convida a um belo piquenique (tem casas de banho disponíveis e limpas no edifício do antigo ginásio). Se não quiserem ter trabalho, no Viridi preparam cestas óptimas, é só encomendar.

Texto e fotos: Filipa Queiroz

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