Procuram uma casa de campo sossegada?

A busca por alojamento em locais isolados e com poucos quartos já era hábito para alguns mas passou a ser uma tendência neste ano marcado pela pandemia da Covid-19. Por ocasião de uma viagem a Abrantes, Constância e Sardoal, fomos conhecer a Quinta da Eira Velha, na Aldeia do Mato, uma povoação rural nas margens da albufeira do Castelo de Bode.

Jorge Esteves, proprietário, estava à nossa espera e conduziu-nos pela Quinta enquanto nos contou um bocadinho do seu percurso e nos mostrou os cantos à casa. Ao revermos as gravações desta conversa, viajámos de novo para a tranquilidade daquele sítio que nos desperta os sentidos com as colinas verdes, o chilrear intenso dos pássaros e as vistas para o espelho de água da albufeira que nos deu um dos melhores entardeceres deste ano.

Quinta da Eira-Velha

Onde antes existiam ruínas de 2 casas residenciais, um palheiro, um antigo forno de lenha e uma velha eira, agora existe uma casa de campo que nos faz sentir em casa. Os azulejos, as traves dos tectos e o chão são alguns elementos da traça original que foram complementados com uma intervenção moderna e elegante.

A propriedade tem 4 quartos e não está prevista qualquer expansão, numa clara aposta no atendimento personalizado e de qualidade. Só faz sentido se for assim. Há dois quartos no rés do chão com casa de banho privada mas externa (no corredor) e, no andar de cima, os outros dois quartos são ligeiramente maiores e têm casa de banho privada. Todas estas divisões são luminosas e decoradas de forma sóbria e acolhedora, com mobiliário e objectos decorativos antigos com um toque de modernidade nas composições.

A sala de refeições tem um pé direito duplo e servem-se pequenos almoços caseiros e deliciosos: tudo é feito cá em casa como as compotas, o pão e os croissants e o resto compramos a pequenos produtores locais. Quando o tempo permite, a mesa exterior é palco para estes inícios de dia sempre servidos por Benvinda, a governanta da casa que coloca a sua amabilidade em tudo o que faz.

Existe uma sala de estar com televisão que parece desafiar-nos para jogos de tabuleiro, conversas regadas pelos vinhos locais e serões animados em família.

E guardámos o melhor para o fim: a eira. Baptiza a casa e é, sem dúvida, um local especial que nos acolheu para um final de tarde de luz dourada que levamos na memória.

Localização e experiências

A Aldeia do Mato tem cerca de 40 residentes (a maioria com idades acima dos 80 anos) e é um local pacato, com vistas soberbas para a albufeira de Castelo de Bode. Fica a 20km de Tomar ou do castelo de Almourol, a 15km de Constância ou de Abrantes, convida a explorações das aldeias do xisto, do Pinhal interior e ainda das margens do rio Zêzere.

O grande trunfo da casa é o próprio anfitrião que procura sempre falar um bocadinho com os hóspedes e recomendar restaurantes ou até enseadas paradisíacas fora dos locais habitualmente assinalados nos roteiros turísticos. Aliás, Jorge entende ser necessário reflectir sobre os benefícios que o turismo da praia fluvial da Aldeia do Mato traz à aldeia: é turismo de massas, milhares de pessoas ao fim-de-semana, uma berraria e gritaria, os hóspedes não vão lá. Estas praias fluviais estão a tornar-se numa acumulação de gente que tenho dúvidas que seja o turismo que queremos ou que que as aldeias retirem benefícios disto para encarar os seus desafios, como o despovoamento.

História

A Quinta da Eira Velha conta com mais de 250 anos de história e é uma das propriedades da família Esteves que, ao longo de várias gerações se dedicou à exploração florestal e à produção de azeite, a plantações de pinheiro e eucalipto e, desde há 4 anos para cá, também ao turismo no espaço rural, nesta casa de campo na Aldeia do Mato.

Jorge Esteves (militar, passado à reserva) avançou com o sonho de recuperar a quinta de família abandonada e em 2006 começou a planear dar uma nova vida a um conjunto de ruínas na aldeia dos avós. A casa era grande para estar aqui sozinho, então avancei com este projecto na área do turismo que é uma actividade muito interessante. Confesso que acabei por ter mais hóspedes do que as minhas expectativas, que eram baixíssimas, achei que ninguém vinha aqui. É verdade o que dizem e se recebermos bem e fizermos com que as pessoas se sintam bem, as pessoas vêm e a internet é um lugar terrível de comunicação e partilha de experiências.

Texto: Joana Pires Araújo
Fotos: Quinta da Eira-Velha e Joana Pires Araújo

* A Coolectiva viajou a convite da TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior que, em parceria com O Meu Escritório Lá Fora, dá a conhecer o território, numa lógica informal de viagem onde as pessoas são o destaque.

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