Acabaram as aulas à distância – e a lição, foi aprendida?

Em Março, o Governo tomou a decisão de encerrar todas as escolas do país, devido à pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid 19). De repente, alunos e professores tiveram de se adaptar a um novo método de ensino: o ensino à distância. Através de uma plataforma digital, constituída por salas de aula virtuais, as aulas passaram a ser organizadas por público-alvo, ano e ciclo de escolaridade, com recurso a formas de trabalho síncronas e assíncronas.

Status – Escola Profissional da Lousã não foi excepção. Conversámos com alunos e professores que, agora que o ano lectivo está a terminar, fazem um balanço da adaptação ao novo método de aprendizagem e ensino. A escola disponibilizou computadores portáteis, para que ninguém ficasse de fora. Depois de um período em que as aulas foram todas dadas de forma síncrona, ou seja, alunos e professores tinham de estar conectados ao mesmo tempo e interagir entre si em tempo real, passaram a usar um sistema misto. 

Estava a tornar-se muito cansativo, tanto para os alunos como para os professores, explica Jéssica Costa, formadora de Comunicação Gráfica e Audiovisual na Status. As aulas assíncronas, em que alunos e professores não têm de estar online ao mesmo tempo, permitem que ambos desenvolvam o ensino e aprendizagem de acordo com o seu tempo, horário e locais preferenciais. Os professores puderam, por exemplo, gravar as aulas, e os alunos verem-nas quando lhes fosse mais conveniente. 

Jéssica Costa diz que o novo sistema permitiu uma maior liberdade e autonomia para os alunos trabalharem nas coisas que precisavam. A docente garante que, o facto de estarem a trabalhar no estágio ou no projecto de vida, permitiu um trabalho mais aplicado e talvez uma maior motivação, quer para alunos quer para professores. Senti-me bem perdida mas agora estou mais aliviada, pois os professores continuam a dar-nos apoio mesmo sem as aulas presenciais, conta Érica Soares, aluna do 3º ano do curso de Comunicação e Marketing. Professores e alunos garantem que estar muito tempo à frente do computador pode ser exaustivo. 

Com o sistema síncrono e assíncrono, o trabalho ter-se-à tornado menos monótono e mais leve. Acho que é uma forma bem mais eficaz de realizar as tarefas das aulas, além de reduzir a carga de trabalho significativamente, afirma João Antunes. Sinto que estou a desenvolver o meu estágio de forma estável e tenho mais tempo para desenvolver a minha PAP [Prova de Aptidão Profissional], continuou o aluno do 2º ano do curso Comunicação e Marketing. A PAP é o projecto prático que os alunos da escola profissional têm de realizar no final do curso.

Apesar da comodidade q.b., alguns professores afirmam ter tido dificuldade com o ensino à distância. A incapacidade de trabalhar em grupo, torna-se muito individual, diz Sofia Sampaio, coordenadora do curso de Comunicação e Marketing na Status. Uma das maiores dificuldades é enquadrar a matéria que temos de dar, defende Diana Amaral, também professora. Tive mais dificuldade na disciplina de Psicologia, porque eram para ser aulas mais dinâmicas e só se consegue esse tipo de dinamismo em aulas presenciais. A maior dificuldade efectivamente é ter um computador no meio de todos nós, remata.  

O mesmo do lado dos alunos. O ensino à distância não se compara com as aulas presenciais, nas aulas presenciais sentimo-nos mais concentrados na execução das tarefas propostas pelos professores, garante Rodrigo Lourenço, aluno de 2º ano do curso de Desporto. Além disso, em casa não podemos estar cara a cara com os nossos amigos, ou seja, não temos tanta interacção como gostaríamos de ter. Realmente espero que as aulas presenciais regressem em breve. Ainda em plena pandemia, o futuro do ensino é incerto mas segundo o Governo pode passar pela conjugação das aulas presenciais e à distância. 

Texto: Inês Cardoso*
Fotos: Status - Escola Profissional da Lousã, Jéssica Costa, Érica Soares, Rodrigo Lourenço, Diana Amaral, banco de imagens 

* Aluna do curso de Comunicação e Marketing da Status - Escola Profissional da Lousã, realizou esta reportagem no âmbito de um estágio curricular na Coolectiva.

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