Encontrámos um pequeno restaurante surpreendente

A história do restaurante Passeite começa quando Guilherme Passos (Gui) e Marije van den Boogaard decidiram largar os empregos estáveis na Holanda e vieram para Portugal, em busca de uma vida mais simples, afastados de uma grande cidade. Gui é algarvio e abraçou o projecto dos pais, Marjolijn e João Passos, que se reformaram de uma vida profissional no sector da restauração, na praia do Ancão, e instalaram-se num antigo moinho de água em Condeixa-a-Nova, convertido numa casa em 1985. A compra da casa incluiu terreno onde decidiram plantar um olival, em 2001.

Em 2005, as oliveiras começaram a produzir azeitonas e, em 2015, Gui e Marije começaram a aproveitar as férias para ajudar os pais de Gui mas também por sentirem que este contacto com a terra os fazia felizes. Amigos e familiares ajudavam nas apanhas da azeitona e este hobby da família Passos tornou-se num negócio quando a vida na Holanda ficou para trás e o objectivo passou a ser a produção de azeite. O Passeite é feito por quem engarrafa trabalho honesto e resultado desta aposta está à vista (e no bico) de todos: azeite de boa qualidade e um restaurante a visitar.

Passeite

Este é o nome da marca da taberna e do azeite da família Passos (que é vendido online, na taberna em Coimbra e em vários outros locais do país, na Holanda, Polónia e Inglaterra).

O restaurante surge em 2016, como complemento à venda de azeite e fica localizado na Rua da Sota, n.º 44, mesmo atrás do Banco de Portugal, no largo da Portagem, em Coimbra

Taberna do Azeite

A carta exibe pratos saudáveis e outros menos comuns, com influências portuguesas e holandesas, mas todos são um hino ao azeite virgem extra que dizem ser ferramenta contra qualquer vírus.

Para uma refeição ideal, comecem com uma degustação de azeite e não se inibam de pedir ajuda, recomendações e outras informações. Gui fala com entusiasmo e conhecimento dos sabores e aromas dos diferentes azeites, das qualidades de azeitona e outros tantos detalhes que escapam ao comum mortal: este aqui é monovarietal galega (feito com um único tipo de azeitona) mas já vão provar um blend (mistura). Mas a que devemos prestar atenção quando experimentamos azeite? A resposta foi simples: não há regras, é o gosto pessoal, tem tudo a ver com cheiro e sabor. Foi o que fizemos, enquanto molhávamos o pão em tacinhas deste ouro português, ora mais intenso ora mais suave no início ou no fim da prova.

Em seguida, façam as contas a 3 petiscos para 2 pessoas e escolham entre petiscos frios e quentes, vegetarianos ou com carne ou peixe. Como o pão e o azeite estavam mesmo a pedir um copo de vinho tinto, pedimos uma tábua de queijos e enchidos, ovos mexidos com alheira e tomate e gambão à passeite. Numa próxima visita, vamos explorar a rica carta de petiscos vegetarianos. No final, guardámos espaço para uma mousse de chocolate feita sem açúcar e sem ovos mas cheia de sabor.

Azeite

As azeitonas vêm de Condeixa e, após a colheita, são levadas no dia seguinte para um lagar em Porto de Mós, um sítio que a família Passos entende ter a qualidade e as condições necessárias para produzirem um azeite de qualidade: existe controlo de higiene, conseguem controlar temperatura e produzem azeite virgem a partir da prensa da azeitona que é feita apenas por meios mecânicos que não alteram o óleo obtido. O azeite Passeite tem uma percentagem de acidez igual ou inferior a 0,8% e praticamente sem defeitos sensoriais.

São produzidas 4 qualidades de azeite virgem extra: Arbequina, Galega, uma mistura de Cobrançosa e Verdeal (Better Blend) e uma mistura de Galega, Picual e Cobrançosa (Dutch Blend). Se ficam curiosos, explorem a loja online e façam uma encomenda.

Texto e fotos: Joana Pires Araújo

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