Temos de ajudar quem não tem a sorte de ficar bem em casa

Uma enorme parte do mundo está em confinamento porque o isolamento social é fundamental para combater a pandemia de Covid-19. Mas há muita gente para quem essa solução é um problema ainda maior do que o próprio vírus. Há pessoas que são vítimas de agressão, para quem ficar em casa significa viver entre a espada e a parede, num beco sem saída, porque casa, para elas, não significa segurança. Muito pelo contrário. Milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo mulheres e meninas, precisam de ajuda, e às vezes essa ajuda podemos ser nós. 

Com o isolamento social, as situações de tensão e o número de casos de violência doméstica agravaram-se por isso a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) juntamente com a Altice Portugal e a MEO estão a fazer uma campanha de sensibilização que incentiva a uma maior atuação cívica chamada Dê a cara por quem não pode. O vídeo (em cima), conta com os Embaixadores MEO Miguel Oliveira, Frederico Morais, Carolina Deslandes, Jéssica Silva, João Sousa, Armindo Araújo, Bárbara Tinoco e Ercília Machado e está a ser divulgado nos orgãos de comunicação social e redes sociais, apelando a familiares, amigos, vizinhos e outros membros do círculo próximo das vítimas para que não fiquem em silêncio e falem por quem não consegue fazê-lo por si mesmo. 

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, também já sublinhou num comunicado que é necessário um aumento do investimento nos serviços online e das organizações da sociedade civil. Os especialistas das Nações Unidas chamam à violência doméstica a epidemia escondida e se os números da ONU já eram assustadores antes da pandemia – 249 milhões de mulheres e raparigas dos 15 aos 49 anos foram vítimas de violência nos últimos 12 meses –, sabe-se já que subiram em tempos de confinamento. Muitas organizações também tiveram de se reorganizar para trabalhar a partir de casa e com menos voluntários disponíveis.

A violência doméstica é tão alarmante que é uma preocupação prioritária da GNR e é mesmo urgente que a sociedade mude comportamentos. Por ser praticado pelos que são mais próximos, o efeito é ainda mais traumático e as sensações de profunda vulnerabilidade e abandono fazem com que pensem que não há solução e vivam em estado de pânico permanente.

Se precisarem de ajuda ou quiserem ajudar alguém liguem o nº gratuito 116 006, entre as 9h e as 21h. O email geral da APAV é o apav.sede@apav.pt e, localmente, apav.coimbra@apav.pt. A PSP também reforçou os contactos directos com as vítimas através do email: violenciadomestica@psp.pt. 

Gabinete de Apoio à Vítima

A partir de 14 de Maio, o Gabinete de Apoio à Vítima de Coimbra volta a fazer atendimento a partir das instalações no nº153 da Av. Fernão de Magalhães, 1º andar, sala 1. O contacto telefónico é o 239 781545 e está aberto das 10h às 12h30 e das 14h às 17h30. Contactado pela Coolectiva, o gabinete sugere que tendo em conta as recomendações sanitárias e para garantir a saúde de todos, seja feito contacto telefónico prévio para agendamento de atendimentos presenciais.

A APAV acompanhou cerca de 11 mil vítimas no ano passado em Portugal, sendo que o total de crimes e outras formas de violência assinalados ultrapassou a faixa dos 29 mil - mais 40% do que em 2018. No concelho de Coimbra foram atendidas quase duas centenas de pessoas, bem mais de metade vítimas de violência doméstica. A maior parte dos autores foram do sexo masculino, com idades entre os 35 e os 54 anos, e 81% das vítimas eram mulheres com uma idade média de 42 anos, a maioria casada com o autor do crime. As crianças são também, na maioria, meninas com uma idade média de 11 anos. Os locais de crime mais referenciados por quem procurou a APAV em 2019 foram a residência comum ou a residência da vítima. Das situações que chegaram à APAV, mais de 40% fizeram queixa/denúncia numa entidade policial.

 

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Meo | Dê a cara por quem não pode

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