Agora não é nada cool ir ao Choupal

A cada raio de sol matinal ou vontade súbita de fazer uma caminhada e apanhar ar puro, devem ser poucos os que vivem na cidade e não pensam logo numa incursão a um dos seus pulmões. No caso de Coimbra, a um pedacinho dos 80 hectares repletos de arvoredo da Mata Nacional do Choupal. Mas tal como quando estamos com uma perna partida ou atolados de trabalho ou está um temporal dos diabos, neste momento o passeio não é opção.

O Presidente da República decretou a renovação do estado de emergência por mais 15 dias, pelo que deverá vigorar até 17 de Abril. De acordo com o jornal Público, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou: Continua a ser até mais necessário. Não porque o número de casos novos esteja a desacelerar, mas sim porque o risco vai aumentando, porque vai aumentando a dor e os sacrifícios que estão a ser impostos e vamos viver um período de risco acrescido como o da Páscoa, reiterando que a forma de travar a pandemia é mesmo mexer-nos o mínimo possível e aproximarmo-nos dos outros o menos possível. 

O Governo tem confiado. Por agora, o decreto que regulamenta o Estado de Emergência é mais permissivo do que noutros países. Em Itália, por exemplo, há penas de prisão de um a cinco anos para casos confirmados com o novo coronavírus que não respeitem o confinamento em casa e as multas por violação das restrições impostas a toda a população, infectada ou não, podem variar entre 400 e os 3 mil euros por serem considerados crimes contra a saúde pública. E se estão a pensar: Mas eu não estou infectado, a resposta é que podem estar e não saber. 

Uma grande aglomeração de pessoas no Choupal já levou o presidente da Câmara Municipal de Coimbra a solicitar formalmente à Direcção Regional do Centro do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (responsável pela gestão do espaço) que garantisse a limitação e/ou proibição de acesso. Através da Polícia Municipal e em articulação com a Polícia de Segurança Pública, a autarquia está a patrulhar as zonas verdes da cidade. 

Mesmo que os locais sejam amplos e aparentemente inofensivos, as saídas de casa devem mesmo ser reduzidas ao mínimo porque só assim podemos tentar conter a pandemia. Pensemos nas nossas famílias e amigos, pensemos nos inúmeros comerciantes a correr o risco de perder negócios, nas muitas pessoas prestes a perder os empregos, para não falar no incansável trabalho dos profissionais de saúde e de quem está doente e, na pior (mas possível) das hipóteses, em risco de vida graças à infecção COVID-19. 

Se todos colaborarmos, mais rapidamente poderemos voltar ao Choupal e onde quisermos em segurança. Desafiamo-vos a revisitar esses lugares através dos vossos vídeos e fotografias nas vossas casas, a desafiar os miúdos a desenhá-los ou a procurar novos destinos de sonho no Google. Que isso seja um estímulo para aguardarem com paciência e resiliência aquilo que vos espera lá fora, assim que a quarentena terminar. O mesmo se aplica às férias da Páscoa. O primeiro-ministro já apelou para que ninguém vá à terra, nem goze a Páscoa numa segunda habitação, e que digamos aos familiares e amigos emigrantes que este ano não é uma altura para nos visitarem.

Texto e foto: Filipa Queiroz

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M. Costa
15.04.2020

Lamentavelmente isto atingiu,
não só os os passeantes ocasionais como pessoas que como eu, há para aí 34 anos, elegeu o Choupal como a sua casa de desporto de manutenção. Também já lá joguei ténis, mas corrida e agora marcha, com alguns exercícios respiratórios, fazem parte, dos meus dias de Choupal.
Por questões de saúde não deveria estar privado de tais actividades. Dada a idade também não posso ir caminhar por qualquer estrada.
Claro que também gosto do ar livre, dos cantos da passarada, mas para mim e muitos mais o Choupal não é só sítio para um passeio agradável.
Até tudo seria aceitável se não ilustrassem o artigo com aquela fotografia enganadora da jovem alheia a tudo o resto manipulando o seu telemóvel.
Cumprimentos.