A música nos tempos de quarentena

Dos emocionantes registos de cantores líricos italianos a cantar à varanda aos sketches cómicos de espanhóis e concertos em directo de músicos portugueses em quarentena, multiplicam-se os vídeos caseiros a mostrar que a pandemia do novo coronavírus não paralisou a alma e o espírito criativo sintonizado num só canal: o da esperança.

Uma esperança que até pode ser mero instinto de sobrevivência mas que se revela das mais variadas formas dessa tábua de salvação chamada Internet, sobretudo em prol do alento de quem assiste do outro lado do ecrã, como um bálsamo que afaga o corpo moído pela tensão das notícias, da incerteza, do medo. 

Hoje partilhamos os vídeos de alguns artistas de Coimbra que aqueceram corações e rasgaram sorrisos nas redes sociais. Ergue-te ao Sol de Verão, somos nós os teus cantores canta, no vídeo em cima, o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade e Coimbra. Cada elemento do colectivo gravou a sua parte em casa e fez-se a montagem sonora deste incrível e auspicioso Coro da Primavera, de Zeca Afonso. 

Resultou num momento que pretende gritar a esperança, nas palavras do grupo. Queremos mostrar que mesmo isolados podemos agir colectivamente e fazer alguma coisa pelos outros. Ter esperança no futuro, acreditar na força e vontade colectiva, livrar-nos do medo.

Home

Significa casa, em português, que foi onde foi gravado e partilhado por Luís Figueiredo no Instagram. Na legenda: Escrevi isto há uns tempos e chamei-lhe Home. Faz ainda mais sentido agora, se calhar. Em quarentena voluntária, o pianista e compositor de Coimbra assistiu de casa ao lançamento do novo disco de Cristina Branco, com quem colabora, e deste novo tema e vídeo, com Bernardo Moreira e Bernardo Couto. Um tema meu que gravámos numa pequena sessão que fizemos no último dia de liberdade, contou-nos. Foi no dia 18 de Março, dia da declaração do estado de emergência em Portugal devido ao surto de COVID19. 

D'Artacão de corona

Alexandre de Barros foi mais além. Pegou na pandemia e fez uma letra nova para o genérico dos desenhos animados dos anos 80 e 90, Dartacão e os Três Moscãoteiros. É uma forma de entretenimento para mim e quem me segue (amigos) - alegria em tempo de cólera, também, disse-nos o músico e professor de Coimbra, que ainda recentemente lançou Auto da Paixão de Mariana com os Macadame e, num registo mais a sério, também atirou para o Youtube esta Cantiga da Roda. O tema é inspirado nesta deliciosa recolha de Michel Giacometti, usada pelo Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra no espectáculo A Água Dorme de Noite, aqui adaptado para voz e viola braguesa. 

Há outros artistas a espalhar melodias nas redes sociais, Susana China faz directos diariamente na página do Facebook, em modo quem canta seus males espanta.

A Bonifrates está apartilhar aqui e aqui vídeos não com canções mas com poemas, numa produção para redes sociais em tempos de isolamento: Há palavras que nos tocam. Já lá vão 10.

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