Como lidar com uma situação de isolamento (ainda que voluntário)?

A pandemia mundial do novo-coronavírus (COVID19) trouxe-nos um quotidiano muito diferente do que conhecíamos, para o qual nenhum de nós estava preparado. Dia após dia, fomos assistindo a um crescendo na urgência de contribuir para a contenção da propagação do vírus, através de medidas do Governo, recomendações da Direcção-Geral de Saúde e também das acções levadas a cabo por familiares e amigos que passaram a ficar por casa.

Trata-se de uma situação nova com um impacto brutal para todos: o receio do vírus, os negócios que fecham as portas indefinidamente e ainda sentirmo-nos confinados a 4 paredes, frustrados e aborrecidos, sem sabermos quando poderemos retomar um dia-a-dia mais despreocupado. É normal sermos invadidos por um rol de emoções – ansiedade, medo, preocupação e até raiva. Mas há coisas que podemos fazer para enfrentar esta experiência.

Recomendações da Organização Mundial de Saúde

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) publicou, a 9 de Março, um conjunto de recomendações bastante úteis para todos os que se encontram numa situação de isolamento, com ou sem crianças ou no caso de se tratar de um familiar ou amigo sénior. Encontram os documentos de apoio completos na página da OPP. Tratam-se de traduções de materiais disponibilizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com instruções fundamentais para lidarem com todas as emoções provocadas pelo surto de COVID19.

Lembrem-se sempre que o isolamento contribui para que o vírus não se propague e não irá durar para sempre, são apenas alguns dias.

Mantenham-se informados
A cobertura mediática pode criar a impressão de que existe um perigo e um risco maior do que aquele que realmente existe. Procurem estar actualizados sobre o que se passa, mas basta consultar fontes de informação de instituições oficiais (como os sites da DGS e OMS ou SNS24) apenas uma a duas vezes por dia. Desta forma não aumentam a vossa ansiedade ou preocupação. Não tenham medo de saber e fazer perguntas sobre a doença, o diagnóstico e o tratamento a profissionais de saúde.

Peçam ajuda
Sem vergonhas, sem tabus, sem desconfortos: peçam ajuda e falem sobre tudo o que precisarem para se sentirem seguros e confortáveis – medicamentos, compras, produtos de higiene pessoal ou meios de comunicação.

Mantenham o contacto
Falar com pessoas de quem gostam e em quem confiam é uma das melhores formas de reduzir a ansiedade, a solidão ou o aborrecimento durante o período de isolamento. Usem o telefone, o e-mail, as mensagens e as redes sociais para permanecer em contacto com amigos e familiares, nomeadamente através de videochamadas.

Façam actividades de que gostem
Leiam um livro, vejam filmes, séries ou os programas favoritos, envolvam-se em actividades e tarefas que vos tragam prazer e tranquilidade. Aproveitem a oportunidade para fazer coisas para as quais não costumam ter tempo.

Mantenham as rotinas
Levantem-se à hora habitual, vistam-se e façam as refeições a horas. Se for praticável, trabalhem a partir de casa.

Façam exercício físico
Não é preciso treinar para a meia-maratona, basta executarem exercícios simples no chão, dança, yoga, sem esquecer uma alimentação equilibrada. Podem aproveitar para organizar as refeições da semana.

Mantenham-se confiantes
Fale sobre a sua experiência e os seus sentimentos com amigos, familiares ou profissionais de saúde. Confie nas suas capacidades para lidar com situações adversas, nos profissionais de saúde e recorra às estratégias que costumam resultar consigo noutras situações difíceis.

Situação de isolamento com crianças

As crianças pequenas podem sentir-se tristes, ansiosas, com medo, confusas com a alteração das rotinas diárias e com saudades dos amigos. Podem fazer mais birras e mostrar-se mais dependentes, irritáveis e terem dificuldade em adormecer:

- Aceitem que existirão conflitos e birras.
- Sejam compreensivos e pacientes perante estes comportamentos e tentem resolvê-los rapidamente.
- Dêm-lhes oportunidade para expressarem os seus sentimentos e receios.
- Expliquem-lhes o que se passa e tranquilizem-nas utilizando linguagem apropriada à idade.
- Expliquem-lhes a importância do isolamento e assegurem-nas de que são apenas alguns dias.
- Limitem a exposição dos mais novos a notícias que as possam perturbar.
- Procurem manter as actividades diárias habituais, nomeadamente a hora das refeições e de ir dormir, proporcionando-lhes espaço para brincar.
- Não recorram exclusivamente à televisão e a outras tecnologias e aproveitem para realizar actividades para as quais não costumam ter tempo: jogos de tabuleiro, trabalhos manuais, desenhos, leitura.
- No caso de crianças em idade escolar, peçam ao professor que vos envie por email informação de estudo, actividades ou trabalhos.
Encontram todas as informações aqui.

O Instituto de Apoio à Criança tem uma linha para os mais novos conversarem, tirarem dúvidas e procurarem ajuda e conforto. O número do SOS Crianças é o 116111 e está disponível de 2ª a 6ª feira, das 9h às 19h, ou via Whatsapp: 91 306 94 04. 

Texto: Joana Pires Araújo
Vídeo: Ordem dos Psicólogos
Fotos: Ordem dos Psicólogos e Banco de imagens

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