Estivemos em Santar a comer e beber o melhor do Dão

Chegámos ao Paço dos Cunhas numa noite de chuva e frio mas, ao entrarmos naquele solar que data de 1609, o corpo e alma aqueceram porque percebemos que estávamos prestes a dar início a uma experiência especial.

A sala de refeições abraça os comensais com paredes de granito e uma decoração sóbria e a mesa estava a postos para ser o palco de um menu de degustação planeado e executado pelo chef Henrique Ferreira. Neste restaurante, o conceito é de fine dining com base na cozinha tradicional portuguesa, com produtos nacionais locais e de época. 

As horas de festim no palato passaram por croquetes de espinafres e mostarda, croquetes de presunto e queijo azul, pickles de cogumelo com colheita tardia, vieiras coradas, puré de cenoura e baunilha e creme de bergamota, cevada de carabineiro, robalo e espuma de limão, filetes de salmonete e molho de caldeirada, vitelinha de leite de Lafões, puré de batata trufado, míscaros e molho de vinho tinto, e ainda esferas de yuzo, suspiro de lavanda e creme de iogurte.

A cada garfada, a surpresa de texturas e sabores que tanto nos fizeram viajar para algumas memórias dos tachos das avós como, no segundo seguinte, nos sentaram no lugar da contemporaneidade.

Foi um privilégio termos a companhia de Daniel Rainho, enólogo residente na Casa de Santar que, numa conversa solta, nos foi apresentando os vinhos do grupo Global Wines que acompanharam a dança de comida, explicando as castas, as cores, o equilíbrio entre a elegância e a pujança dos rótulos e os aromas. Aliás, no Paço dos Cunhas só se trabalha com os rótulos do grupo, que conta com cerca de 90 referências, e os menus são o resultado de um trabalho estreito com os escanções e enólogos da casa para que o melhor da cultura gastronómica do Dão case nos pratos servidos.

Se ficam com um pé no ar para repetirem a experiência, podem optar por ficar nas mãos do chef ou compor a vossa refeição com entradas (entre 5,50€ a 8€), pratos de peixe ou carne (entre 18€ e 24,50€) e sobremesas (entre 6€ e 7,50€) que constam da ementa. Esta muda 3 vezes por ano para ir acompanhando o ritmo da natureza.

Para além de almoços e jantares, é possível visitar as salas temáticas, o pátio e os jardins palacianos do Paço, bem como a loja de vinhos e winebar.

Paço dos Cunhas
Largo do Paço, 28 (Santar)
Horário: Terça a Quinta das 10h às 18h, Sexta e Sábado das 10h às 22h e Domingo das 10h às 16h30
Reservas: 232 945 452 (é recomendável marcação prévia)

Henrique Ferreira

Estagiou com Henrique Sá Pessoa e Vítor Sobral e trabalha no Paço dos Cunhas há cerca de 11 anos. Desde 2013 que é chefe-residente deste restaurante e as responsabilidades continuaram a crescer quando, há 3 anos, passou ainda a exercer as funções de chef executivo e responsável da restauração do grupo que inclui ainda a Quinta de Cabriz e a Quinta do Encontro.

Em conversa depois do jantar, confessou-nos que um chef que diz que não quer uma estrela Michelin mente mas não é um objectivo a curto prazo. Natural de Santar, fala com orgulho na evolução e no investimento na região.

Casa de Santar

As horas que antecederam o nosso jantar no Paço dos Cunhas foram de visita à adega da Casa de Santar, fundada em 1790, uma das marcas mais emblemáticas da região do Dão, conhecida pela sua tradição e história. A propriedade está na mesma família há 13 gerações e uma visita à adega permite que conheçam a sala de fermentação com cubas de aço inoxidável, a sala de envelhecimento dos vinhos, tintos e brancos, repleta de barricas de carvalho com tostas diferentes. Ao fundo desta sala, vemos um alambique de cobre antigo, a prova de que o vinho atravessa gerações e que há muitas histórias que vão para além do que acontece na adega e são feitas da experiência do passado.

As visitas à Casa de Santar são realizadas apenas por marcação e cada uma delas adapta-se aos vossos interesses e curiosidade. Há quem prefira espreitar as vinhas, há quem goste de se perder nos cheiros dos barris. Numa destas visitas de enoturismo, que têm vindo a aumentar, um senhor descobriu-se numa fotografia do 25 de Abril, pendurada no Paço dos Cunhas. Era uma fotografia de militares e aquela pessoa não fazia ideia que o momento da sua participação no dia da revolução tinha ficado registado.

A Região Demarcada do Dão foi criada em 1908 e é conhecida pela sua acidez, aromas complexos e delicados. As principais castas são a Touriga Nacional, o Encruzado, o Alfrocheiro Preto e o Jaen.

Texto e fotos: Filipa Queiroz e Joana Pires Araújo                       

Viajámos a convite do Turismo do Centro e a propósito do lançamento dos roteiros “Road Trips Centro de Portugal – 1 é bom, 2 é ótimo, 3 nunca é demais”. Podem ver o roteiro da Região Viseu Dão Lafões aqui

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