Este património da região Centro está abandonado

André Ramalho, natural de Caldas da Rainha, tem 30 anos, é designer de interfaces (sites e aplicações) e tem um hobby original que já lhe valeu o prémio de Blog do Ano 2018: percorre o país de lés a lés em busca de imóveis abandonados que fotografa e documenta na sua plataforma online, o blogue Abandonados.pt.

Hoje em dia, já conta com o registo de cerca de 90 locais documentados - mosteiros, fábricas, casas, armazéns, mercearias, hospedarias, centros comerciais, parques aquáticos, cine-teatros, palácios, quintas e até uma central termoeléctrica. Conversámos com o curioso blogger e ficámos a saber mais sobre algum património deixado ao abandono na região Centro.

Blogue

O bichinho por locais abandonados surgiu depois de visitar uma antiga discoteca que chegou a frequentar quando era mais jovem. Essa visita aconteceu numa noite, no decorrer de uma conversa com amigos, e André adorou a experiência que descreveu como um misto de nostalgia com sensação de aventura. Foi apenas dois anos mais tarde que surgiu a primeira versão do blogue Abandonados.pt.

Pesquisa

Os locais abandonados que André já visitou são de todas as regiões do país. Aproveito alguns fins-de-semana para fazer estas viagens e tenho a sorte de ser da zona centro, o que facilita um pouco também. As buscas dos locais a visitar são feitas através de pesquisas na internet, no Google Maps e também por partilhas com outras pessoas que têm este gosto por locais abandonados. Mais recentemente como o meu blog tem tido bastante visitas recebo muitos e-mails com sugestões de locais também.

Riscos

As visitas costumam acontecer na companhia da namorada ou de amigos. André tem um estojo de primeiros socorros no carro mas felizmente nunca foi usado. Numa das vezes já ficou seriamente magoado numa queda que aconteceu num local abandonado: tratou-se de um corte na mão em que foi necessário cirurgia, levou vários meses a recuperar e ainda por cima ia sozinho. Foi uma lição que aprendi e sempre que olho para a minha mão e vejo a cicatriz lembro-me das consequências quando não se tem o devido cuidado, e é por isso que hoje em dia sou mais cauteloso e nunca visito estes locais sozinho.

André está consciente dos riscos deste hobby. Em termos legais, estando ou não abandonado, na prática tudo tem dono e é preciso ter consciência disso e respeitar. Outro risco é o estado dos locais, alguns em ruína outros a caminhar a largos passos para isso, não são na sua grande maioria locais seguros para estar. E depois claro, riscos relacionados com o desconhecido: encontrar pessoas ou animais ou até mesmo um local que pode parecer abandonado e na realidade não estar. Já tive problemas com donos das propriedades, vizinhos, segurança e até com a polícia... mas no final tudo se resolveu. Já encontrei também sem-abrigos diversas vezes neste sítios, mas nunca tive problemas com nenhum deles, é preciso respeitar o espaço deles e tentar não incomodar.

Região Centro

A maioria dos lugares divulgados no blogue Abandonados.pt aparecem com um nome fictício para proteger o local de vandalismos e furtos. Por esta razão, André não fornece a localização de nenhum desses locais.

Excepções são imóveis conhecidos pelo público como o Mosteiro de Seiça (Figueira da Foz), Mosteiro de Verride (Montemor-o-Velho), as Piscinas de São Pedro de Moel (São Pedro de Moel), o Teatro Avenida (Luso), a Locomotiva BA-61 (Pampilhosa), o Centro Comercial Sol (Leiria), o antigo Hospital Pediátrico de Coimbra (Coimbra), a Fábrica Elias Paiva (Alcobaça), o Palácio do Conde de Sucena (Águeda) e o Presídio da Trafaria (Trafaria), todos localizados na região Centro.

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Luis Febra
17.10.2020

Adorava poder visitar lugares abandonados mas infelizmente o único que conheço é impossível a entrada