Aqui há boa comida, boa bebida e vistas incríveis

Falaram-nos deste sítio como sendo ideal para uma refeição de namoro e assim que lá chegámos percebemos porquê: a sala envidraçada do restaurante Varanda do Casal emoldura o verde da serra e dos montes que guardam o Casal de São Simão, uma aldeia composta por cerca de 20 casas construídas em quartzito, quase todas recuperadas. O cenário é deslumbrante mas não se reduz a momentos românticos, antes é ideal para reuniões de família, encontros de amigos ou até mesmo para uma mesa posta para um.

Enquanto estudávamos a carta, chegou um cesto de pão da aldeia, quente, cozido em forno a lenha, com crosta estaladiça e miolo fofo que estava mesmo a pedir manteiga de alho e ervas. Debicámos também azeitonas pretas, temperadas com raspas de limão e só este momento inicial já justificou a viagem.

Aliás, gastar horas a comer bem e num local agradável é tudo menos tempo perdido.

Ementa

A carta é curta e, ao tempo da nossa visita, apresentava dois pratos de peixe (tiborna de bacalhau e caril de gambas) e três pratos de carne (borrego dos casamentos, vitela no tacho e picanha grelhada). A lista de vinhos inclui rótulos de todas as regiões do país e o pessoal da casa pode ajudar a que a escolha seja certeira.

Para começar, pedimos um conjunto de entradas (3€ por pessoa) que incluía pataniscas de bacalhau, cachola da matança, enchidos da região e cogumelos silvestres. As porções são generosas, acreditem que toda a gente vai regressar ao lar com os estômagos bem forrados de comida caseira saborosa, a começar por estes petiscos iniciais. Depois até foi o funcionário que nos aconselhou a dividir uma dose de tiborna de bacalhau para 2 pessoas e, no fim, ainda viemos para casa com o que sobrou. Isto também aconteceu porque guardámos espaço para as sobremesas: leite creme queimado na hora e uma fatia de torta de laranja.

História

No final da refeição, pedimos para conversar com Renato Antunes, um dos actuais responsáveis pelo espaço. Contou-nos que cresceu no meio dos tachos e das cozinhas porque a família trabalha no ramo da restauração desde 1967, primeiro em Angola e, desde a década de 80, em Figueiró dos Vinhos.  A vida seguiu o seu rumo e Renato foi estudar e trabalhar para Lisboa, onde era fotógrafo profissional. Entretanto, com a integração da aldeia do Casal de S. Simão na rede das aldeias do Xisto, os pais de Renato avançaram com a abertura deste restaurante, no final de 2009. Há 5 anos atrás, Renato regressou às origens e, juntamente com a mãe, Maria Antunes, gere a Varanda do Casal.

Então e a fotografia? Está parada mas o sentido estético fica sempre. O que mais gosto é comida e vinho e é aí onde perco o meu tempo então estou no negócio certo.

Estrelas da carta

Renato explicou-nos que o receituário do restaurante contém cerca de 20 receitas e que a carta nunca tem mais do que 6 delas ao mesmo tempo: depende do que encontramos no mercado, se está bom, é o que vamos trazer. Há uma estreita relação com os produtos locais (por exemplo, a torta de laranja foi feita com laranjas que vêm aqui da aldeia, os grelos são da minha tia) e muitos pratos são cozinhados no forno a lenha, como o pão, a cebola e as batatas do bacalhau, a torta de laranja, a tigelada e muitos outros.

Há sempre 2 ou 3 pratos que nunca saem da carta: o borrego, a tiborna de bacalhau e o caril de gambas. Este último não é gastronomia regional mas resulta do percurso da família Antunes e da legião de fãs que nunca deixou de procurar aquele pitéu.

Ao nosso lado, almoçavam pessoas que vieram de propósito de Lisboa – estamos perto de tudo, a 1h30 de Lisboa, a 1h do Porto, a meia-hora de Coimbra, e os clientes habituais vêm de vários sítios do país. Também aparecem muitos estrangeiros, sobretudo por causa do TripAdvisor. E confessa ter uma ajuda: o contexto já está todo criado, só temos de meter boa comida na mesa e boa bebida.

Loja da Aldeia

O rés-do-chão do restaurante acolhe a Loja da Aldeia, que integra a rede de Lojas Aldeias do Xisto, onde se vendem produtos tradicionais locais, feitos à mão por artesãos, e ainda artigos modernos que reinterpretam os processos e materiais tradicionais em peças de design contemporâneo.

Passeio

No final do almoço, podem percorrer a estrada que desce a encosta e que acompanha a Ribeira de Alge que passa pela praia fluvial das Fragas de São Simão. Em alternativa, podem ir de carro até à praia, mergulhar no verde do vale e ir ouvir a água que corre tranquila nas pedras.

Informações úteis

Como chegar?
O percurso de carro demora 30 minutos a partir de Coimbra. Apanhando a A13 em Ceira, basta seguir nessa estrada durante 33km e sair para a IC8 em Avelar. Ao fim de cerca de 3km, sair na indicação Aguda/Fato e seguir a sinalização na EM525 para o Casal de São Simão.

Quando ir?
Todas as estações do ano são boas para a visita. O restaurante está aberto de quarta-feira a Domingo, de manhã à noite. O descanso semanal é à segunda e terça. Nos meses de Verão (Julho, Agosto e Setembro), o restaurante encerra apenas à segunda.

Como reservar?
Por telefone (236 628 304 ou 967 703 994), por mensagem no Facebook ou por e-mail (varandadocasal@gmail.com), sujeita a confirmação.

Texto e fotos: Joana Pires Araújo

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Fátima Mateus
31.01.2020

Muito obrigada pelas belíssimas sugestões.

GM
06.02.2020

PARECE MUITO BEM