Podem ver no cinema “Bruno Aleixo” e “Alva” rodados em Coimbra

A personagem icónica do humor televisivo, criada há 10 anos por João Moreira, João Pombeiro e Pedro Santo, saltou para o grande ecrã. Bruno Aleixo: O Filme estreia dia 23 de Janeiro e conta com os actores Gonçalo Waddington, Rogério Samora, José Raposo, Adriano Luz e José Neto no elenco. 

Rodado entre Coimbra e Anadia, é um filme sobre o filme auto-biográfico que Aleixo é convidado a escrever, missão para a qual conta com a ajuda de Renato Alexandre, Busto e Homem do Bussaco. Continua a ser uma conversa de café com referência a coisas do quotidiano, só que centrado no imaginário comum do cinema. 

Bruno Aleixo é um chico-esperto de 62 anos com cara de cão de peluche mas que na verdade é um Ewok (da Guerra das Estrelas) depois de uma cirurgia plástica, natural de Coimbra mas com ascendência brasileira. Confuso? Natural, porque se trata de uma persongaem de humor nonsense mas que desde a primeira série Os Conselhos Que Vos Deixo, na Internet, até ao talk show O Programa do Aleixo, na SIC Radical, e Aleixo FM na RTP, provou que estava para ficar o boneco com sotaque bairradino que acumula fãs, haters e indiferentes. Esta conversa com Nuno Markl para a rubrica Os Incorrigíveis ajudou.

Alva, de Ico Costa, acaba de estrear nas salas e é uma observação crua e íntima sobre a solidão de um homem em fuga. A história está localizada no interior de Portugal, filmada no concelho de Coimbra, arredores de Oliveira de Hospital, junto ao rio com o mesmo nome. As curtas Quatro Horas Descalço (2012) e Antero (2014), do mesmo realizador, também já tinham sido filmadas em vila Avô. Alva respira o isolamento e desertificação do Interior e das pessoas que lá vivem, toca os assuntos de violência do ponto de vista de carências sociais e desespero das questões da guarda parental depois de um divórcio. 

Depois de fazer a rota dos festivais, entre eles o Caminhos do Cinema Português onde ganhou 3 prémios, já podem ver em sala o trabalho de estreia de Ico Costa nas longas-metragens de ficção, com Henrique Bonacho no principal (e praticamente único) papel. Uma interpretação notável, sujeita às mais diversas interpretações. Segundo o realizador, a história teve inspiração em notícias publicadas na imprensa portuguesa que de certa forma reforçaram o interesse por certos fenómenos sociais surgidos em contextos de isolamento rural. Ao mesmo tempo, interessava-lhe estudar as circunstâncias em que o desespero pode desembocar na decisão de alguém romper com o contrato social, transformando o homem em fugitivo.

Sinopse: Após cometer um crime, um homem refugia-se na floresta. Rodado no centro de Portugal, em 16mm, o filme acompanha Henrique, um homem solitário em fuga da sua vida e do mundo. Num estilo progressivamente imersivo vemo-nos transportados para esse espaço de solidão, questionando-nos sobre o que realmente move o protagonista.

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Oficiais

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