Este restaurante é para repetir vezes sem conta

Já nos tinham falado mais do que uma vez deste sítio e aproveitámos um dia de sol para rumar até à Praia Fluvial da Louçainha e experimentar o restaurante Xisto. Se partirem de Coimbra, a meia hora de viagem de carro leva-vos por Penela, pelo Espinhal, até à Louçainha.

Pelo caminho, vimos dois veados que se passeavam pela mata, mesmo à beira da estrada. Este cenário quase mágico conduziu-nos ao parque de estacionamento da praia fluvial, de onde espreitámos o restaurante sobranceiro ao rio.

Abrimos a porta de correr, entrámos na sala envidraçada e vimos que todas as mesas ficam encostadas às janelas e que todos os lugares sentados gozam da relação soberba com a água e o verde envolvente. O interior de madeira apela ao conforto e a um momento que se quer sem pressas. (E deixamos uma dica: no inverno, peçam mesa ao pé da lareira!).

Estudámos as opções na carta, fizemos algumas perguntas e apercebemo-nos que o menu é um exercício cuidado de memória dos sabores da cozinha portuguesa regional.

Almoço

Pedimos as boas-vindas e apresentaram-nos pão e broa da padaria de Penela, azeitonas e azeite do Lagar do Rabaçal, manteiga com alheira feita pelo chef e pataniscas (muito crocantes e saborosas) de chouriço e cogumelos.

Em seguida, acolhemos a sugestão do Bacalhau dos Cucos, uma receita dada em mão por uma senhora de 93 anos, em Castelo Branco. Estávamos num concurso de papas de carolo e ela aparece com isso para almoçarmos. Deixou-me um livrinho de receitas e disse-me “não tenho mais ninguém, fica para si.” Este prato é bastante generoso: uma posta de bacalhau suculenta é servida com os acompanhamentos habituais (cebola, alho, azeite, batata e grão de bico) e apresenta-se coberta por uma fatia de pão e uma folha de ovo, como se de um embrulho se tratasse. O resultado é irrecusável, um favorito dos clientes habituais.

Para terminar, saímos do almoço numa nota doce com um pudim de pão servido com compota que havemos de repetir quando lá voltarmos.

Buscas no baú da gastronomia regional

A nossa mesa exibia um exemplar do livro A Nossa Mesa: Receituário Gastronómico da Figueira da Foz, editado pelo Município da Figueira da Foz, em 2015.

Durante a refeição, o chef João d’Eça Lima deixou-nos folhear um de vários cadernos antigos de receitas que recolheu numa viagem que fez com a família, pelo interior do país, onde andou de porta em porta à procura destes e de outros registos culinários. Estamos a cozinhar o que gosto e o que faz sentido na região que tem tantos pratos esquecidos. O restaurante está num círculo que vai da Figueira até mais ou menos Castelo Branco, compramos tudo a produtores locais e sou eu que vou buscar os produtos. O nosso trabalho passa por ir buscar ao baú o sabor de que já ninguém se lembra e que tem uma beleza especial.

Ementa 

A carta muda sazonalmente, respeitando o que a terra dá ao longo do ano, e não é muito extensa. Não faz sentido ter pratos com castanhas se olhamos lá para fora e já não há castanhas. Trabalhamos mesmo à época que é marcada por aquilo que está à nossa volta.

No Outono (de 2019), apresentava boas-vindas, pratos para começar (como a sopa do dia, enguias fritas de escabeche, passarinhos à caçador e cogumelos estufados com alecrim e salpicão), pratos do campo (como o veado com castanhas e cogumelos, entrecosto de javali, batata salteada e migas de couve e a posta de novilho à Xisto), pratos do mar (como a Caldeirada de Sargo, o polvo em vinho tinto e o Bacalhau dos Cucos), iguarias disponíveis apenas por encomenda (como a chanfana, o cabrito assado, o arroz de cabidela de galo e favas à portuguesa) e pratos para sair feliz (como as papas de carolo e mel, a tarte de maçã e noz e o bolo de mousse de chocolate).

Ementa de inverno

Para além de novidades como a perdiz e feijoada de chocos e lulas, vem lá uma chora de bacalhau e a recriação de um prato cheio de história.

Todo o bacalhau tem uma ligação à serra ou ao mar: as pessoas saíam daqui para trabalhar na salga do bacalhau, apanhavam uma camioneta e paravam numa terra que só tem essa estação e que se chama Vais. Era onde deixavam as pessoas que seguiam para a salga do bacalhau ou para a apanha do arroz. As pessoas levavam da serra pão e presunto e eles punham lá o mexilhão e o bacalhau, era assim que se fazia o bacalhau dos Vais.

João d’Eça Lima

Contou-nos que passou pelo Yours Bistrô, no Porto, fez a abertura do Garça Real, em Montemor-o-Velho, foi chefe de cozinha na Pousada de Condeixa e, em Junho de 2019, deu início a este projecto próprio. À medida que foi partilhando detalhes desta sua aventura, o sorriso ganhou corpo e deu lugar a um enorme entusiasmo. 

João partilhou connosco a paixão por servir pratos que já não se fazem, o que implica investigar o que é verdadeiramente típico mas que se perdeu no tempo.

Horário e reservas

O restaurante está aberto de quarta-feira a domingo ao almoço e sexta-feira e sábado ao jantar. Na Primavera e Verão, o espaço passa também a abrir à terça-feira ao almoço.

Recomendamos que façam reserva, por telefone, para o 239 012 296.

Existe sempre uma opção vegetariana e/ou vegan.

Horário e reservas

O restaurante está aberto de quarta-feira a domingo ao almoço e sexta-feira e sábado ao jantar. Na Primavera e Verão, o espaço passa também a abrir à terça-feira ao almoço.

Recomendamos que façam reserva, por telefone, para o 239 012 296.

Existe sempre uma opção vegetariana e/ou vegan.

Texto e fotos: Joana Pires Araújo

Artigo revisto e actualizado no dia 11 de Fevereiro de 2020.

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Nuno Barreto
08.01.2020

Qual o horário de funcionamento? Todas as vezes que lá vou, exceptuando na época balnear, está fechado!

Restaurante Xisto
08.01.2020

Boa tarde. Estamos abertos de quarta-feira a domingo ao almoço e sexta-feira e sábado ao jantar. Na primavera e verão passamos a abrir também à terça-feira ao almoço. Obrigado

Restaurante Xisto
08.01.2020

Olá. Estamos abertos de quarta-feira a domingo ao almoço e sexta-feira e sábado ao jantar. A reserva de mesa é sempre a melhor opção. Obrigado

Liliana Barata
09.01.2020

Olá será que me podia enviar a morada exata

fatima esteves
13.01.2020

Qual o horario de funcionamento e aceitam reservas??? obrigada…

ana
22.01.2020

e opções para quem não come animais?

Restaurante Xisto
24.01.2020

A reserva é essencial. Temos sempre opção vegetariana e vegan

Restaurante Xisto
29.01.2020

Temos sempre opções vegan e vegetarianas disponíveis. Obrigado