Um dos melhores vinhos do Mundo foi feito no Dão

Depois de umas décadas longe dos holofotes, os vinhos do Dão têm surpreendido pela positiva: a produção de vinho certificado aumentou cerca de 50% e muitos rótulos têm conquistado prémios que reposicionam a região como um importante exportador nacional de vinho que está também dar cartas no mundo do enoturismo.

Um excelente exemplo é a Festa das Vindimas, que permite que grupos organizados possam viver de perto o dia-a-dia da Quinta, vindimar e experimentar participar numa pisa a pé. O bónus? A vinoterapia faz muito bem à pele.

A Quinta de Lemos começou por ser um hobbie de Celso de Lemos (engenheiro têxtil) mas o resultado estrondoso da primeira produção (de 2005) confirmou que esta unidade de produção de vinhos veio para ficar.

Fizemos uma visita à adega na companhia de Pedro Figueiredo (adegueiro) e pudemos perceber melhor como é que, sob os comandos do enólogo Hugo Chaves, aqueles cachos de uvas se transformam em néctares dos deuses.

Vinhas

As castas da Quinta são as 4 tradicionais da região do Dão (touriga nacional, tinta roriz, alfrocheiro e o jaen), o branco encruzado e o malvasia-fina.

Os 25 hectares de vinha permitem que se produzam anualmente cerca de 100 mil litros de vinho.

Vindima

É manual, feita casta a casta, para pequenas caixas que suportam até 10kg. Desta forma, as uvas chegam às instalações intactas e nas melhores condições, sem estarem feridas nem esmagadas.

Costuma acontecer na primeira semana de Setembro.

Laboratório

Uma zona da adega particularmente importante na altura das vindimas que permite que seja um processo controlado: recolhem-se amostras na própria vinha para verificar se a maturação das uvas está ou não no ponto ideal para que sejam colhidas.

Em frente ao laboratório encontra-se uma máquina imponente - o esmagador-desengaçador - que serve para aproveitar apenas a polpa, sementes e o sumo das uvas e retirar a parte mais amarga que o engaço pode trazer ao vinho.

Fermentação e estágio

Desde 2015 que cerca de 80% da colheita é fermentada nos lagares exteriores, salvo raras excepções dos brancos, espumantes e rosés. Apesar da máquina desengaçadora já fazer grande parte do trabalho (a uva já vai relativamente esmagada para dentro dos lagares), o trabalho das remontagens ou arejamentos é feito no modo tradicional, com a chamada pisa a pé.

Após a fermentação, os vinhos seguem para a cave que fica a cerca de 8/9 metros abaixo do solo para estabilizarem, numa sala que se encontra sempre a 14-16 graus célsius.

Vinhos

Os nomes são homenagens de Celso Lemos a mulheres: à sua mãe (Georgina), à sua avó (Santana), à sua sogra (Louise), à sua mulher (Paulette), à sua sobrinha (Nolita) e à sua filha (Geraldine).

A primeira produção do tinto Dona Georgina (colheita de 2005), feito em barrica de carvalho francês nova, recebeu o prémio de melhor vinho do mundo em 2013.

Em média, os vinhos tintos demoram cerca de 2 anos em média desde a vindima até à mesa, dos quais passam cerca de 15 a 18 meses em estágio (os brancos só precisam de entre 6 a 9 meses de estágio).

A colheita de 2019 (brancos e rosés) só sai para o mercado em 2021 e os tintos em 2024. Pedro Figueiredo garante que todos os vinhos passam 15 a 20 anos nas melhores condições porque aqui não fazemos vinho de consumo rápido mas de longevidade.

Mesa de Lemos

Desde 2014 que a Quinta de Lemos acolhe também o restaurante Mesa de Lemos, um edifício projectado pelo atelier Carvalho Araújo e decorado por Nini Andrade Silva.

A sala é toda envidraçada, com vistas deslumbrantes para as vinhas, e desenvolve-se à volta de um rochedo.

No dia 20 de Novembro (2019), o Mesa de Lemos ganhou uma estrela Michelin que veio recompensar o trabalho desenvolvido pelo chef Diogo Rocha que é um hino à gastronomia do Dão e do país e onde se servem apenas os vinhos produzidos na Quinta de Lemos.

Texto: Joana Pires Araújo
Fotos: Quinta de Lemos, Mesa de Lemos e Joana Pires Araújo

Viajámos a convite do Turismo do Centro de Portugal e a propósito do lançamento dos roteiros Road Trips Centro de Portugal – 1 é bom, 2 é ótimo, 3 nunca é demais. Podem consultar o roteiro da Região Viseu Dão Lafões aqui

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