2020 vai ser mindfulness? As primeiras Jornadas são em Coimbra

Dong! Soa a pequena taça japonesa, fecha-se os olhos e pensa-se em tudo...e em nada. Uma voz guia-nos pelo corpo, pela mente, depende da meditação, depende do propósito. Cabe tudo, menos expectativas. A ideia não é relaxar, não é desligar, não é alcançar nada. Apenas estar. Ouvem-se muitas coisas mas afinal o que é o mindfulness e por que é que parece estar na moda? Assistimos a uma aula do (também) psiquiatra José Pinto Gouveia e ficámos a saber algumas coisas. A primeira é que são muito diferentes as pessoas que procuram a prática de meditação focada no prestar atenção ao momento presente e reprogramar o cérebro para perder menos tempo a julgar e remoer em determinados pensamentos - inevitavelmente ligados ao passado ou ao futuro. 

Há quem procure o mindfulness por precisar de lidar com problemas de ansiedade, há quem esteja a fazer estudos na área da psicologia e psiquiatria, quem queira usar na área profissional e quem seja apenas curioso. A segunda coisa que percebemos é que o mindfulness não é de agora. A maioria do que conhecemos da também chamada atenção plena tem origem no budismo, ou seja é uma técnica milenar, que terá sido introduzida mais recentemente na sociedade ocidental pelo investigador de biologia molecurar Jon Kabat-Zinn. Pinto Gouveia é presidente da Associação Portuguesa para o Mindfulness (APM), em Coimbra, pratica este tipo de meditação há mais de uma década e ensina há 9 anos. A associação científica promove acções de formação, cursos e colóquios e a terceira coisa que descobrimos é que o mindfulness não só pode ajudar como prevenir doenças físicas e mentais. 

Mindfulness

Segundo a Associação Portuguesa para o Mindfulness a prática é uma forma particular de prestar atenção à experiência do momento presente, momento a momento, com um propósito, intencionalmente, aceitando-a tal como ela surge e sem a julgar. Implica estar presente, estar no aqui e no agora, que é tudo o que temos, e é uma forma de nos relacionarmos com a totalidade da nossa experiência que altera a forma como lidamos com as dificuldades inevitáveis com que a vida nos confronta. O mindfulness é então a prática de viver no agora, com gentileza e bondade, estando completamente envolvidos naquilo que está a acontecer à volta e dentrod e cada um. Implica sair dos nossos padrões habituais de julgamento e criticismo, adoptando uma atitude de curiosidade e bondade perante a nossa experiência, ensina José Pinto Gouveia. Intimamente associada à prática de mindfulness está a prática da compaixão, que pode ser definida como a sensibilidade ao sofrimento pessoal e dos outros  e que é acompanhada por uma forte motivação para o diminuir. Todas as práticas de mindfulness devem ser feitas com uma atitude compassiva em relação a si mesmo e aos outros. 

Benefícios

O mote do mindfulness e compaixão é que permite desenvolver um modo próprio da mente no qual podemos aprender a estar com os problemas e dificuldades que a vida traz, libertando os pensamentos e acções da nossa forma habitual e automática de reagir que muitas vezes está na base de dificuldades emocionais e sofrimento psicológico. De acordo com a APM, vários estudos têm mostrado que a prática diminui a depressão, ansiedade e stress, diminui os indicadores de stress crónico (por exemplo, hipertensão), aumenta o bem-estar e a felicidade, estimula o sistema imunológico e tem efeitos positivos a nível da estrutura cerebral. Nas crianças e adolescentes a investigação terá mostrado que promove competências de atenção e concentração, de resolução de problemas, de regulação emocional e de interação interpessoal, que se sabe serem constituintes essenciais para um desenvolvimento psicossocial equilibrado e harmonioso. O desenvolvimento destas competências, ao promover a resiliência emocional das crianças e adolescentes, permite-lhes lidar melhor com as diversas dificuldades e tarefas, bem como perante futuros desafios que ocorrerão ao longo da vida. 

I Jornadas de Mindfulness e Compaixão

É uma estreia. Nos dias 14 e 15 de Fevereiro de 2020 a APM organiza as primeiras Jornadas de Mindfulness e Compaixão. Vai ser nos Auditórios dos Hospitais da Universidade de Coimbra, em parceria com o Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e a Associação Mentes Sorridentes, e segundo a organização vai ser um encontro de partilha de conhecimentos com simpósios, conferências e workshops, dirigidos por professores, psiquiatras, psicólogos e terapeutas, gestores e gestores de recursos humanos, estudantes e público em geral. A informação está aqui

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