Se gostam de fotografia esta loja museu é uma autêntica revelação

É laboratório, estúdio, mini museu e galeria. A Diorama mora há 42 anos na Rua dos Esteireiros, na Baixa de Coimbra. Eu estou com 65 anos, 7 meses e 14 dias de profissão, diz Arlindo de Almeida Santos. Que eu saiba não tenho nada a ver com o político mas até pode haver alguma afinidade porque ele é do meu concelho e do meu districto. O districto é Seia, que Arlindo deixou para estudar e trabalhar em Coimbra. 

Mas a história de amor com a fotografia começou muito antes. Hoje, a loja do fotógrafo, transformador, construtor e coleccionador de máquinas fotográficas, é uma das pérolas em (possíveis) vias de extinção da zona histórica mas que não deixa de ter novidades. Como o modelo único e ainda desconhecido do público que Arlindo construiu pelo 75º aniversário e a Exposição Há 50 Anos era Assim com registos da sua autoria.

Modelo único

Demorou um mês a construir e trabalha com duas objectivas. Esta não encontra em lado nenhum do mundo! atira Arlindo de Almeida Santos, que construiu o modelo na imagem com as próprias mãos ainda por experimentar. Faz fotografias de 6X12cm e a ideia é captar sobretudo paisagens. Não é a primeira que Arlindo constrói e a relação do fotógrafo com a fotografia não começou propriamente ontem. A paixão é grande e a curiosidade ainda mais, conta. Começou quando tinha 8 anos. Um dia vi na montra de uma livraria este livrinho, em 1952, que explica de forma simples como se faz e a partir daí comecei a fazer fotografias até hoje. Com 10 anos ofereceu-se para trabalhar numa loja de fotografia e 13 anos depois abriu o próprio negócio, já em Coimbra, e quase por obra do destino. Gostava da cidade e mudou-se para estudar e trabalhar ao mesmo tempo mas um acidente de troley, que lhe esmagou um pé contra o passeio, troucou-lhe as voltas. Obrigou-o a deixar os estudos na escola comercial e reinventar-se. 

Museu

Arlindo de Almeida Santos chegou a ter 8 empregados. Hoje está sozinho na Diorama e com pouca fé no futuro. A fotografia agora já deu o que tinha a dar, a partir do momento em que se massificou através do digital e mais recentemente com os telemóveis. O dono da loja mostra-nos, curioso apesar de contrariado, um smartwatch com câmara fotográfica que tem mas não usa. Entretanto entra uma cliente para levantar algumas fotografias, outro acaba de pagar algumas do filho para o passaporte, mas impossível é o olhar não se desviar e fixar nas dezenas de máquinas fotográficas expostas num corredor imenso de vitrine na parede. O Mini Museu que Arlindo construiu ao longo de décadas continua no estúdio, noutra sala, e dentro de armários. Rolleiflex, Kodak, Hasselblad, Canon, quase todas a funcionar. Fui guardando e outras deram-me, outras fui comprando na Internet, revela o coleccionador. Tem exemplares notáveis, inclsusive de madeira como a da imagem, de 1882. Muitas estão transformadas para fazer, simultaneamente, fotografia analógica e digital. Na montra da Diorama estão também expostas imagens inéditas que Arlindo tirou em plena Crise Académica de 1969, em Coimbra. Pedaços de história que podem visitar sem qualquer custo, de propósito ou quando precisarem de revelar qualquer coisa lá de casa.

 Texto e fotos: Filipa Queiroz

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