Vêm aí 9 dias de muito cinema e fazemos já alguns destaques

Documentários sobre o escritor Mia Couto e a interessante Suzanne Daveau, animações como a mais recente da multipremiada Regina Pessoa, o novo de Pedro Costa na ficção, mas há imensas curtas e longas-metragens e até algumas produções internacionais. De 22 a 30 de Novembro, o Festival Caminhos do Cinema Português promove o cinema nacional em várias salas de Coimbra. Vai estar a concurso cinematografia portuguesa contemporânea, são colocados no mesmo plano realizadores consagrados e em início de carreira e há mesmo filmes para todos os gostos e feitios.

Logo no dia 22 de Novembro, vai ser atribuído o Prémio Ethos à actriz Isabel Ruth - que entrou em mais de 70 filmes, desde Os Verdes Anos (1962) e Raiva (2018) -,  e celebrado o momento Verdes Anos com um espectáculo que conjuga passado e presente. Depois da cerimónia há filmes, pois claro, e a programação completa está toda aqui, muito fácil de consultar. Também há informação sobre compra de bilhetes, localização das salas e alojamento para quem chega de fora aqui. Os bilhetes pontuais custam 4€ (com descontos), mas há opção de pacotes de bilhetes e livre trânsito para quem quiser passar a semana imerso na 7ª arte. 

Abertura

22 Nov | 21:45 | Teatro Académico de Gil Vicente 

Cerimónia de abertura com entrega de Prémio Ethos à actriz Isabel Ruth, um espectáculo e exibição dos filmes:

- Horizonte Artificial, projeto do 9.º curso cinemalogia promovido durante 2018/2019

- Les Extraordinaires Mésaventures de la Jeune Fille de Pierre de Gabriel Abrantes

- Projeção de René Alan

- Chopper, de Giorgos Kapsanakis

- Em Caso de Fogo, de Tomás Paula Marques, que fazem parte da Seleção Ensaios

Selecção Caminhos

É dedicada a toda a cinematografia nacional de produção profissional consagrando todos os géneros cinematográficos. Durante os 9 dias de festival a programação, que terá palco no TAGV, as 21h45, passa pelas obras de nomes como Tiago Guedes, Miguel de Jesus, Mariana Galvão, Catarina Mourão, Ivo Costa, Sol de Carvalho, Rui Simões e Vicente Alves do Ó. Destacamos Vitalina Varela, de Pedro Costa, que recebeu o Leopardo de Ouro, prémio máximo do Festival de Locarno de 2019, e Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias, de Regina Pessoa, distinguido no Festival Internacional de Animação de Pernambuco, no Brasil. Também Suzanne Daveau, de Luísa Homem e Eu Sou o Autor do Meu Nome Mia Coutode Solveig Nordlund, o documentário que revela algumas facetas que talvez não conheçam sobre o escritor moçambicano. Também o interessante Bela Vista – Ilha Habitada, de Rui Gonçalves Rufino, sobre uma ilha portuense que foi reabilitada e as respectivas histórias e reacções dos moradores a essa mudança.

Selecção Ensaios

Nos Cinemas NOS Alma Shopping podem ver obras produzidas no seio das academias e escolas. São sessões que representam o aceder a mentes de jovens criadores, a oportunidade única de ver a semente que germina, as primeiras obras, as novas formas de olhar o cinema e o mundo. De Memoriam, de Andreia Pereira, I Don’t Believe in Father Christmas de Anna Ludwig e Leo, de Maria Eduarda Rodrigues a Infinito Enquanto Dure,
de Akira Kamiki, Carnation, Lily, Rose,
de Maju de Paiva e Actually She is my Little Brother,
de Lena Lobers. São todos filmes curtos e que podem verdadeiramente surpreender.

Outros Olhares

Durante todo o festival, o Mini Auditório Salgado Zenha vai ser o palco da exibição dos filmes desta nova selecção, sempre às 17H30. Disaster Zone (for A. T.), Jerónimo Rocha e Actos de Cinema, Jorge Cramez, dia 23, por exemplo, abordam a reflexão sobre a hipótese do fim da humanidade, provocada por tensões e mitos, assim como pelas imagens das pessoas que habitam os nossos dias. Dia 24 é a vez de Sol Negro, Mysteries of the Wild e Fade into Nothing, do músico Paulo Furtado, com imagens do eclipse solar de Março de 2015, uma descoberta científica que põe em causa o que sabemos sobre a evolução das espécies e a jornada de um homem que se quer tornar no Nada, respectivamente. Também autores como Pedro Neves, Manuel Botelho, João Martinho, Rúben Gonçalves, André Miguel Ferreira, Filipa Abranches, Francisco Noronha e Rita Maia/ Vasco Viana. Destacamos Six Portraits of Pain de Teresa Villaverde no dia 28 de Novembro. 

Selecção Mundiais

É uma programação heterogénea que cruza ficção, documentário e animação no formato de curta e longa metragem ao longo de um eixo temático predominante. O Mini Auditório Salgado Zenha, no edifício da AAC, vai acolher as obras da seleção, às 22H. Destacamos os filmes Ruben’s Choice, de Hanspeter Ammann, Running Waters, de Diego Zon, Panick Attack de Eileen O’Meara e Rea, de Joanna Bielinski. Ainda The Evil Eye, de Leonore Kasper, The Barber, de Melanie Aronson, Way Back de Per Kasch; Pen Pals, de Ray Fennelly, The 100th Victim, de Anthony von Seck, Chair Amour, de Patrick Serre e Cuerpos de Sal, Atonatiuh Bracho e Damián Comas. Desde o Canadá, ao México, na França, Bélgica ou África do Sul, esta secção pretende mostrar ao público do festival o melhor cinema experimental que se faz no globo. Podem ver a programação completa aqui.

 

Júri

O Festival Caminhos do Cinema celebra, este ano, as sua bodas de prata. Desde 1988, este é um festival generalista, aberto à exibição e premiação de todas as correntes cinematográficas nacionais. As novidades da 25.ª edição, passam pela nova secção competitiva Outros Olhares e o Prémio do Público Chama AmarelaA decisão dos vencedores de todas as distinções compete a cinco equipas: Caminhos, Ensaios, Outros Olhares, Júri da Federação Internacional de Cineclubes,‘Imprensa CISION’ e ao Público. Na primeira está o encenador/dramaturgo João Telmo, o cartoonista Hugo Van Der Ding e as atrizes Carla Vasconcelos, Lucinda Loureiro e Alexandra Lencastre. Na segunda, Catarina Neves Ricci e Tiago Afonso, realizadores, e Pedro Ribeiro, montador de cinema. António Pedro Pita e Cristina Janicas, professores, e Rita Alcaire, antropóloga, decidem o prémio Outros Olhares e do Júri Federação Internacional de Cineclubes (FICC) fazem parte Bruno Fontes, Sarah Adam e Toni Cuadras i Morató. O Júri Imprensa Cision é constituído pela jornalista Sara Afonso, que mantém a sua ligação à sétima arte na revista Metrópolis, Claúdia Sobral, jornal I, e Filipa Queiroz, da Coolectiva. A organização do festival também faz alguns destaques que vale a pena ler aqui

Texto: Filipa Queiro
Fotos: Vitalina Varela (Pedro Costa), Isabel Ruth, Eu Sou o Autor do Meu Nome Mia Couto (Solveig Nordlund), Six Portraits of Pain (Teresa Vilaverde), Relicious (),  

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