Web Summit | De Leiria, Aveiro e Coimbra até Hollywood, China e mais além

A Web Summit, em Lisboa, é um dos maiores eventos de empreendimento e tecnologia do mundo. Falámos com responsáveis de algumas empresas da Região Centro presentes no evento. 

Quais são? O que fazem? Como é que tudo começou? Há vantagens ou desvantagens em criar negócios a partir do Centro do país? Estas foram as respostas da SavingsCoin, Fast-MP, eCO2Blocks, Sound Particles, Youship e Wiseware.

Savingscoin

Morada física: Startup Leiria
Morada online: https://www.savingscoin.pt/

Tudo começou num café da capital onde se encontram pessoas ligadas à tecnologia. Sérgio Silva já tinha a ideia mas precisava de mais e, conversa puxa conversa, foi encaminhado para aquele que se tornaria o futuro sócio do SavingsCoin. O Savingscoin é um fundo de poupanças digital assente em blockchain a nível mundial que ambiciona ser ser o maior fundo de poupanças mundial digital e o único que não toca nos fundos que as pessoas lá puseram para o fazer crescer, explica o CTO. Sérgio conta que as cripto moedas são extremamente voláteis, tanto valem 9 mil num dia como 400 no outro, por isso a equipa desenvolve algoritmos que amortecem ou estabilizam essa alta volatilidade, para além de apoiarem noutras situações e até aconselharem os utilizadores em tempo real sobre como não perder dinheiro graças à inteligência artificial. O Savingscoin está pensado para o utilizador comum, nós queremos ser anti whales (baleias), já por isso cada carteira individual só pode ter até 10 mil savings, diz. Na estreia no Web Summit como start up Alpha, orgulhosamente acelerados pela Startup Leiria, confessam que antes disso o negócio esteve a marinar apenas com fundos próprios e depois, em 2 ou 3 meses, ganharam 200 clientes/investidores que investiram cerca de 300 mil euros, o que lhes permitiu contratar mais programadores, sair do cowork para um escritório próprio e começar a participar em feiras e fazer contactos. A rede é tudo, não é o mais importante, o mais importante é o dinheiro para fazer equipa, mas é muito importante, garante Sérgio Silva. Isso e o marketing. Porque estava tudo a correr bem mas tudo em bastidores. Neste momento, a Savingscoin, que também tem uma componente social em que 10% do lucro dentro da plataforma é alocada numa carteira chamada Save the Planet, está em negociações com a gigante chinesa Biki. Estar em Leiria, é um statement. Fomos muito bem recebidos e queremos que o desenvolvimento fique lá.

Fast - MP

Morada física: Leiria, Portugal
Morada online: https://www.fast-mp.com/en/ 


É uma aplicação para resolver os problemas do atendimento nos bares e restaurantes que são feitos no telemóvel dos consumidores dentro ou fora da loja. Já esta a ser aplicada em cerca de 20 lojas, em Leiria e em Braga, e agora procuram investimento para vender em todo o país e, esperam, no resto mundo. Achamos que isto dá para utilizar em todo o mundo e eu, com o meu background de formador em Telecomunicações, já visitei cerca de 160 países e nunca vi nada do género, garante João Gaspar. O co-fundador diz que a aplicação também pode funcionar com estafetas e foi pensada sobretudo para as horas de pico de clientela, como o almoço e jantar. A ideia é que as mesas tenham um código QR e se os empregados não vierem atender os clientes eles possam fazer o pedido na mesma, a partir do smartphone, pedido esse que é enviado para os responsáveis pelo atendimento. Vamos começar a fazer integração com softwares de facturação que também permitam pagar a hora ou chamar o empregado para pedir a conta, adianta João Gaspar. Mais vendas, qualidade de serviço ao cliente e poupança de recursos são as vantagens apontadas pelo responsável que defende que testar em sítios mais pequenos do que Lisboa e Porto facilitou o processo, mas a implementação vai ser depois nessas cidade e também em Faro e em Coimbra. Porém, o software foi testado já na própria Web Summit, adaptado às condições existentes, e a empresa também integrou um programa de aceleração na capital graças ao facto de ter sido distinguida com alguns prémios. São o reconhecimento e a certeza de que estamos no caminho certo.

eCO2Blocks

Morada física: Instituto Pedro Nunes (IPN), Coimbra
Morada online: http://eco2blocks.com/

Têm 1 ano e são cerca de 10 pessoas, 4 a tempo inteiro mais mentores e parceiros de outras áreas como a Arquitectura. O mote é a sustentabilidade e reaproveitamento de desperdício. Produzem materiais de construcção pré-fabricados com resíduo industrial, que se chama escória (da indústria do aço) e não tem qualquer valor, e no processo produtivo absorvem C02. É uma alternativa ao betão, a maioria das tecnologias só substituem o cimento, que é apenas 10% do bloco mas nós substituimos 100%, explica Victor Sanches. O negócio partiu da tese de doutoramento que um dos seus sócios desenvolveu na Universidade da Beira Interior, há 3 anos. Eu sou brasileiro e a grande vantagem de estar em Coimbra, que é bem conhecida pela universidade, pela parte académica, é a força muito grande de pesquisa a nível de desenvolvimento e uma das parcerias mais importantes, além do IPN, é o Instituto Politécnico de Coimbra onde conseguimos fazer certificação e estudos mais aprofundados do produto, adianta. Estar na Web Summit supera as expectivas. Não chegámos nem a metade do dia e já falámos com muita gente, a oportunidade realmente acontece, é um ganho muito grande. Mesmo nos dias em que não estiveram a expor o negócio num stand próprio. Tivemos a oportunidade de fazer alguns pitch e já foi bom para dar a conhecer o nosso produto a várias pessoas, quer investidores quer pessoas interessadas em conhecer mais, é sempre bom fazer o networking, remata a designer de produto Ana Caboz. 

Sound Particles 

Morada física: Leiria, Portugal
Morada online: https://www.soundparticles.com/

Fazem software de audio em 3D que está a ser usado por grandes produções de Hollywood como A Guerra dos Tronos. São produções que precisam de muitos sons, muita coisa a acontecer, e nós ajudamo-lo a fazer um trabalho muito mais eficaz e mais rápido, conta Diogo Gonçalves, gestor de vendas da Sound Partic. Surpreendentemente são pessoas super acessíveis, abertas a novas ideias e sugestões, não escondem nada apesar de, claro, não poderem revelar determinadas cenas dos filmes e terem algum cuidado com isso. Diogo explica que Nuno Fonseca, natural de Leiria, ex-docente do Politécnico de Leiria, foi quem desenhou o software inicial em 2012 e criou a empresa em 2015. Um grande evento em Los Angeles nesse mesmo ano fez com que enviasse emails para os estúdios e um dos mais importantes, Skywalker, criado por George Lucas, agarrou-os. Participaram pela 1ª vez no Web Summit em 2016, com um stand Alpha, agora como Beta. Gostamos acima de tudo da diversidade de propósitos que isto tem, podemos conhecer investidores, podemos conhecer outras pessoas, podemos aprender sobre produtos que nos vão ajudar internamente no nosso negócio, conseguimos aprender nas talks que tecnologias estão a ser criadas e o que é que está a funcionar bem, diz o comercial. Actualmente a Sound Particles tem 16 pessoas, mais um responsável pelo marketing a trabalhar à distância, a partir de Londres. A grande vantagem de estar em Leiria é que não há muito trânsito e podemos aproveitar os contactos do Nuno, desde professores e ex-professores a alunos e ex-alunos. Coisas que ajudaram quando começámos e continuam a ajudar são a perseverança: tudo começa com uma ideia e tudo continua com a fé que temos nessa ideia. É fundamental saber que estamos a trabalhar para algo melhor que muda a nossa vida e muda a vida dos outros também, remata Diogo Gonçalves. 

Youship

Morada física: Instituto Pedro Nunes (IPN), Coimbra
Morada online: https://www.you-ship.com/pt/

Tudo começou a propósito de uma viagem: apercebemo-nos que se as pessoas podem chamar um Uber para se deslocarem, por que não podem chamar um estafeta que possa fazer uma entrega na hora? Além de outro problema recorrente, que é ter de passar o dia todo em casa à espera de uma entrega. Leonel Simão, fundador e CEO da Youship, diz que a ideia da plataforma de entregas rápidas nasceu há 3 anos e hoje em dia é um negócio de dimensão nível nacional, utilizado sobretudo dentro das cidades. O principal foco são as empresas e lojas online com necessidade de fazer entregas rápidas mas qualquer pessoa que pretenda fazer uma entrega pode fazer o download da nossa aplicação móvel e pedir uma entrega em 60 minutos, diz. Empresas como a Amazon, por exemplo, mais do que concorrentes são sobretudo clientes porque podem recorrer aos serviços da plataforma. O serviço tem tracking em tempo real, ou seja, tal como com o Uber, é possível saber sempre quando saiu e onde está a encomenda ou exactamente quanto tempo demora a chegar. O Youship começou a operar em Lisboa com cerca de 3 entregas por dia e neste momento já vai em 50 entregas diárias. É o 3º ano no Web Summit. Conseguimos fazer vários contactos não só com parceiros da área da logística e comércio online como aceleradores e investidores, explica Leonel Simão. Estarem sediados em Coimbra nunca foi obstáculo ao negócio. É muito fácil fazer reuniões via Skype ou a qualquer momento deslocarmo-nos a Lisboa.

Wiseware

Morada física: Gafanha da Encarnação, Aveiro
Morada online: https://wisewaresolutions.com/

A Wiseware é uma rede de inovação que tem como missão desenvolver soluções inovadoras e de alta qualidade para negócios de alta tecnologia. Produzem soluções com conhecimentos essenciais em áreas como robótica, microeletrónica, inteligência artificial, comunicações sem fios, entre outras, e destaca-se em áreas como a eletrónica, mecatrónica, robótica, automação, telemetria, processamento de imagem, inteligência artificial e SaaS. Aplicam esse conhecimento em projetos de saúde e bem-estar, telemetria, controle de qualidade e inspeção e sistemas automatizados como o de Tobias Meyer, da System Engineer Wearables (IEE). As pessoas não nos conhecem mas estamos em todo o lado! Um amigo comum pôs os empresários em contacto. É a 1ª vez de Tobias na Web Summit, apenas para fazer contactos e apalpar terreno, mas o empresário garante que estarem sediados em Aveiro é prático. Temos múltiplos voos diariamente, fica a apenas 1 hora de Lisboa ou do Porto, são mais flexíveis e é mais barato produzir lá, diz. Em Luxemburgo é muito complicado encontrar engenheiros, eles querem ir para as grandes capitais europeias e aqui em Portugal há um monte de jovens, bem formados, é o sítio perfeito para ums start up destas, diria. William Xavier, CEO da Wiseware, diz que o Interior da Região Centro é que é mais complicado, mas há outros factores que levam algumas empresas a não vingar. Tem de se ter o mindset de procurar, muita gente não o tem, estão à espera que as coisas lhes venham parar às mãos e a nível de inovação então é difícil, sobretudo quando o produto é inovador porque é mais caro porque os componentes são recentes, não são massificado e são feitos em pouca quantidade, o que obriga a procurar a procurar mercados fora de Portugal onde é mais fácil as pessoas darem valor financeiro ao valor adicionado no equipamento, há uma diferença de mentalidade. Começar do zero, garante, não é fácil. Sobretudo quando envolve a compra de equipamento, matéria-prima, entre outras coisas mas quando começam já com um investidor é mais fácil.

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