Web Summit | Os olhos do mundo estão nestas empresas do Centro

A Web Summit, em Lisboa, é um dos maiores eventos de empreendimento e tecnologia do mundo. Falámos com responsáveis de algumas empresas da Região Centro presentes no evento. 

Quais são? O que fazem? Como é que tudo começou? Há vantagens ou desvantagens em criar negócios a partir do Centro do país? Estas foram as respostas da Cityoo, Buildtoo, My Data Manager, Pill Deal e Cosmedesk.  

Cityoo

Morada física: Coimbra, Instituto Pedro Nunes (IPN)
Morada online: https://www.facebook.com/cityoo.tech/

A ideia é pronunciar-se Sítio e, apesar de jovem, apenas 7 meses, a empresa de Coimbra incubada no Instituto Pedro Nunes foi aceite pela Agência Espacial Europeia como uma start up com ideia válida para usar tecnologia do espaço. A plataforma está desenvolvida para entidades gestoras do território, desde câmaras municipais e juntas de freguesia à UNESCO. Qualquer entidade que precise de monitorizar o território construído pode usar o nosso software para ver se tudo o que está a ser edificiado está legal, explica Rita Januário. É a estreia na WebSummit desta nova ideia de negócio da Builtoo, também presente no evento mas como Beta, ou seja empresa formada (as outras são Alfa, ainda à procura de investimento). Rita é o quarto elemento da administração, primeira mulher. É um prazer ser uma mulher no mundo da tecnologia porque conseguimos fazer muita coisa, conseguimos mostrar poder e capacidade de forma única e estejamos nós disponíveis para aproveitar todas as oportunidades elas existem mesmo, o mundo da tecnologia está aberto para as mulheres por mérito próprio, está mesmo disponível para nós. A empresária diz que mais do que de Coimbra o grupo é de Portugal. Temos que lutar um bocadinho mais porque estamos afastados do centro dos acontecimentos mas, pela nossa forma de estar e pela nossa busca de oportunidades, acho que não somos prejudicados por estar em Coimbra, remata.

Buildtoo

Morada física: Coimbra, Instituto Pedro Nunes (IPN)
Morada online: https://buildtoo.com/

Nasceu da experiência de engenheiros e arquitectos na área de gestão de projecto e da necessidade de criar algum processo ao nível da troca de documentação, documentos em vigor, etc. Leonardo Crisóstomo, Hélder Loio e Hugo Tocha trabalham para clientes como municípios, por exemplo, mas também para gabinetes de arquitectos, engenheiros e equipas de fiscalização que usam o software da Buildtoo para comunicar com os clientes. Começam agora a aparecer alguns empreiteiros também, atira Hugo Tocha. O sector da construção é um sector muito desregulado, as únicas 3 coisas garantidas em qualquer obra é: vai atrasar, nunca vai ficar como se quer e no final vai custar muito mais do que se estava à espera; a Buildtoo, o que traz a este processo, é alguma garantia ao dono de obra de que vai conseguir acompanhar o projecto minimizando a incerteza e dando garantias ao cliente de que controla realmente o processo. É a terceira vez que estão na Web Summit. Faz com que tu corras, é um compromisso público para a equipa toda e fez com que fosse possível estar aqui hoje com uma nova versão da plataforma que, se não fosse a Web Summit, lá para 2022 existiria, diz Hélder Loio. Queremos posicionar-nos como líderes na construção 4.0 e portanto achamos que estar aqui nos traz esse buzz adicional que achamos essencial para o desenvolvimento dos nossos projectos, conclui Leonardo Crisóstomo. 

My Data Manager

Morada física: Coimbra, Instituto Pedro Nunes (IPN)
Morada online: www.mydatamanager.eu

Desenvolvem um software que ajuda as empresas a estarem em conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados. Tentamos simplificar os processos, garantir que as empresas tenham um guia para estarem em conformidade com o RGPD, diz Samuel Portugal. Os principais clientes da My Data Manager são escritórios de advogados, grandes empresas, instituições de ensino e área social. Temos vindo a perceber que o mais importante é o envolvimento das organizações e que as pessoas percebam  que o RGPD não é nenhum bicho papão mas uma necessidade para estarmos mais seguros, atira Mário Peixinho. Edward Snowden, um dos homens mais procurados pelos Estados Unidos, no exílio há 6 anos, falou em directo para a Web Summit a partir da Rússia e falou sobre como os governos e as empresas estão a criar um poder irresistível na recolha ilegal de dados e como as ferramentas que foram criadas para nos proteger estão agora a ser utilizadas para nos atacar. As pessoas têm de começar a pensar tratar os seus dados pessoais da mesma maneira como tratam algo que seja físico e que tem valor, explica Mário Peixinho. Os managers da empresa de software dizem que a principal vantagem de estarem sediados em Coimbra é não serem mais um e, mesmo quando estão em Lisboa e referem que são de Coimbra isso tem um efeito positivo. Podemos ser mais proactivos e não reactivos, remata Peixinho. O grupo, juntamente com Eduardo Emílio, é também a prova (orgulhosa) de que as empresas de base tecnológica não são apenas para jovens. 

Cosmedesk

Morada física: Coimbra
Morada online: https://www.cosmedesk.com/

Tudo começou com uma empresa de cosméticos que precisou de uma ferramenta para tratar da parte burocrática do ramo. Nós desenvolvemos essa ferramenta e decidimos tornar essa ferramenta numa start up e começar a vendê-la a outras empresas, conta António Seiça. A Cosmedesk é uma plataforma online que permite ajudar as pessoas que trabalham no ramo a criar o dossiê de segurança da cosmética, ou seja, gera e gere relatórios Safety Assessment Report (SAR) e Product Information File (PIF). O primeiro é de avaliação da segurança dos cosméticos, com todo o conteúdo sobre o cosmético em causa, como os ingredientes e as pessoas que o fizeram, e o PIF é parecido mas mais abrangente. É um trabalho complexo que pode levar às fábricas e outros clientes uns 15 dias a produzir, por vezes com mais de uma centena de páginas, mas que a Cosmedesk consegue fazer em cerca de 1 ou 2 horas e fica um relatório com muita qualidade e consistente, explica o responsável. O documento tem de durar cerca de uma década. Há produtos retirados do mercado porque os ingredientes expiram ou deixam de ser seguros por qualquer motivo e é para assegurar que está tudo bem que os relatórios servem.  A equipa da Cosmedesk é quase toda de Coimbra, além de alguns elementos de Miranda do Corvo e da Lousã, e a marca já chega ao Canadá e Estados Unidos. Na Web Summit procuram investimento para dar um salto e desenvolver novas capacidades do produto, bem como procurar novos clientes (sobretudo estrangeiros). António Seiça diz que estar em Coimbra tem vantagens evidentes, como os recursos qualificados. Estamos longe do centro da Europa que é onde se passa quase tudo mas está-se bem em Coimbra, temos um bom nível de vida e os recursos necessários para desenvovler plataformas como esta, a única desvantagem é a logística de viagens, ainda assim feito o balanço está-se melhor em Coimbra do que noutras regiões.

Pill Deal

Morada física: Aveiro, Portugal
Morada online: Não tem

É uma aplicação com um dispositivo que ajuda na toma da pílula. Foi criada há cerca de 7 meses por três jovens de Torres Vedras, Peniche e Aveiro que se conheceram na universidade. Ainda estamos a trabalhar no nosso hardware e software mas o Pill Deal é basicamente um clipe inteligente que se agarra à tablete de comprimidos e quando uma pessoa tira um comprimido há uma detecção automático desse comprimido a sair, neste caso de uma pílula, que informa a aplicação sobre a toma, explica Patrícia Bandarrinha. A aplicação não só regula como indica às pessoas o que fazer em caso de esquecimento, consoante a medicação que tomam. As mulheres como eu, que têm uma vida agitada, precisam de alguma segurança, explica. E o nosso objectivo não é só ficar com a pílula, é evoluir para outro tipo de medicação diária e sobretudo com a população jovem/adulta, porque é sempre uma aplicação, acrescenta. Os três colegas, recém-licenciados de Engenharia Mecânica e Ciências Biomédicas, acreditam que a Web Summit ajuda na exposição mas também serve para aprender. Aprende-se muito aqui, a falar com outras pessoas, ainda ontem estivemos a receber conselhos de outras pessoas muito mais experientes. João diz que estarem na Região Centro faz com que seja mais difícil chegar a mentores, investidores e mesmo clientes mas permite-lhes estarem mais focados do que se estivessem em cidades maiores. Parecendo que não, estando em Aveiro estamos a trazer algum tráfego à cidade e alguma atenção, por isso será do interesse da cidade ajudar algumas start ups a florescer porque quem acaba por ganhar acaba por ser uma economia circular. 

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