Acabou o countdown: a Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra chegou

 Já não é só esquerda e direita, até ao fim do ano todos os caminhos, que é como quem diz todas as correntes, vão dar à Terceira Margem do Rio Mondego, em Coimbra. Depois de 2 anos de preparação e trabalho com dezenas de artistas, a Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra entrega à cidade dois meses de intensa programação artística que inclui trabalhos de grandes nomes internacionais como Anna Boghiguian, Susan Hiller e o realizador de Vergonha (2011) e 12 Anos Escravo (2013) Steve McQueen. Entre os nacionais estão António Olaio, Bruno Zhu, João Gabriel, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, Maria Condado, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Renato Ferrão, Rita Ferreira e Tomás Cunha Ferreira, que vão poder descobrir literalmente de uma ponta a outra da cidade, em 9 locais, do Convento de Santa Clara-a-Nova às velhinhas Galerias Avenida.   

A mega iniciativa do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), Câmara Municipal e Universidade de Coimbra reúne 39 artistas de 21 países, repleta de obras novinhas em folha que vão desde a pintura, escultura, performance e instalação, e todas com entrada livre.  Lígia Afonso, curadora juntamente com Agnaldo Faria e Nuno de Brito Rocha, diz que a ideia foi trazer artistas com uma dimensão extraordinária mas que Portugal não conhece. E mesmo no trabalho de curadoria o pensamento é colectivo e os artistas ajudaram a pensar, fixar e densificar as leituras do texto, explicou a professora e investigadora na apresentação à imprensa. O texto de que falava é A Terceira Margem do Rio (1962), o conto do grande escritor brasileiro João Guimarães Rosa que inspira a Anozero'19. A história de um pai que vivendo numa aldeia junto ao rio decide mandar construir uma canoa para lançar ao rio, meter-se nela e nunca mais de lá sair. A Bienal decorre de 2 de Novembro a 29 de Dezembro e este é um cheirinho do que por lá se vai passar. 

Inauguração | 2 Nov

14h30 | Abertura institucional na Sala da Cidade
15h | Performance de Luís Lázaro Matos no Edifício Chiado
16h | Ongoing action de Alexandra Pirici no Colégio das Artes 
17h | Visita ao Museu da Ciência 
18h | Visita ao Círculo de Artes Plásticas de Coimbra - CAPC Sereia 
19h | Performance de abertura da exposição ShipShape no CAPC Sereia
22h | Performance de Daniel V. Melim no Convento de Santa Clara-a-Nova
23h30 | Festa de inauguração Anozero'19 no Convento Santa Clara-a-Nova

Destaques

Não encomendámos obras passadas mas sim artistas que vão produzir algo, só que muitas vezes surpreendemo-nos com o resultado porque está longe do que foi comissionado e não faz mal, é maravilhoso na mesma, comentou o Agnaldo Faria, crítico de arte e ex-curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, do Museu Oscar Niemeyer e outras Bienais como a de São Paulo, no Brasil, e Cuenca, no Equador. Lígia Afonso reforçou que é essa a maravilha da curadoria: é ficar absolutamente convictos do sucesso de algo que não sabemos o que vai ser. Ambos fizeram alguns destaques desta Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, como o trabalho da artista romena Alexandra Pirici, da egípcia Anna Boghiguian e de Erika Verzutti, do Brasil. De Portugal, a instalação de João Maria Gusmão & Pedro Paiva feita especialmente para o refeitório do Convento de Santa Clara-a-Nova, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Luís Lázaro Matos e, de Coimbra, Daniel V. Melim. O Daniel, por exemplo, é pintor, é o nosso artista em residência e está a lançar uma call à cidade para fazer a apresentação dele, trabalhar a memória da infância - ele nunca expôs em Coimbra nem o seu trabalho teve cá visibilidade, disse Lígia Afonso. Há outros artistas que vão trabalhar a cidade, como a turca Meriç Algun, que vai usar os livros nunca emprestados da Biblioteca Geral de Coimbra. 


"A arte é o fundamento a partir do qual nos podemos entender, conversar sobre as nossas diferenças e chegar a um acordo"

 

Programa 

Vai acontecer um pouco de tudo e em muitos sítios: Convento São Francisco, Convento Santa Clara-a-Nova, Museu da Ciência, Círculo Sereia, Círculo Sede, Colégio das Artes, Edifício Chiado, Sala da Cidade e Galerias Avenida. Interessa-nos muito que a Bienal seja aberta à cidade, é muito importante que as pessoas da cidade entendam que a Bienal está a acontecer, frisou Lígia Afonso. Têm aqui a lista dos 39 artistas e respectivas propostas, praticamente metade homens e metade mulheres de 21 países como a América do Norte, Peru, Colômbia, Moçambique, Marrocos, Bélgica e Suécia. E de Portugal não temos só de Lisboa e do Porto, atirou a curadora. Também Leiria, Évora, Óbidos, Caldas da Rainha, Viana do Castelo, Viseu e Coimbra. O programa da Bienal que desde a 1ª edição (em 2015) propõe um confronto entre arte contemporânea e o património, e que, segundo a organização, já interferiu positivamente na vida de pessoas que a presenciaram fazendo-os mudar de vida, de profissão e de cidade, envolve também um programa de activação junto às comunidades locais, através de oficinas, aulas abertas e visitas, e um programa convergente com conferências, oficinas, cinema e teatro. Podem consultar tudo no site oficial e nas redes sociais do evento. 

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Joanna Piotrowska (capa), Steve McQueen, ,Daniel Melim, Luís Lázaro, João Gabriel 

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