Este restaurante novo em Coimbra rima com gula e não é por acaso

Abre-se a porta do elevador e só falta ver o pianista a um canto e ouvir dizer Play it again, Sam. Ir ao restaurante e cocktail bar no 5º andar do CoolaBoola Colab, em plena Praça do Comércio, em Coimbra, é como entrar num filme. Toca o gira-discos na ponta do balcão, espreita-se a vista sobre o mar de janelinhas da Praça do Comércio, senta-se nas mobília de madeira estilo anos 70 e ouve-se o Alex a chegar e perguntar o que é que tomamos. Ele é a nossa grande arma, o Alex é fantástico e convence até os mais cépticos que dizem que não gostam muito de misturas mas ficam rendidos porque estes cocktails elevam-nos a outro patamar, diz Pedro SerraEle e a mulher, Cátia Melo, abriram há poucos meses o espaço que é um 7 em 1: concept store, cafetaria, bar, restaurante, barbearia, loja de tatuagens e promotora de eventos. Tudo no carismático antigo edifício das Galerias Coimbra, junto à igreja românica de São Tiago. 

E há uma cereja no topo do bolo: o rooftop. Para mim é o melhor da casa, diz o empresário, também músico e dono do Café Académico, na Praça da República. Desde encontros informais a eventos privados, experiências, cabarés, wine games, supper clubs, team-building, meet ups, showrooms e encontros de empresas, aqui parece que basta querer que eles fazem acontecer, desde que tenha um cheirinho a nostalgia. Imagina que queres uma festa de aniversário dos anos 60, 70 ou 80, nós conseguimos criar isso com a ajuda dos nossos parceiros, atira Cátia. Pedro Serra confessa que o que mais gosta é quando se juntam as mesas e pessoas que não se conhecem conversam e se for preciso saem de lá abraçados, a dizer que são os melhores amigos. Se há nova vida na Baixa de Coimbra é muito provável que ela às vezes comece aqui, no fim de um cocktail, ao som de Bille Holiday. Convidaram-nos para almoçar. 

Restaurante e cocktail bar

Começámos com uma sopa de abóbora feita com pedaços de acém, um creme reconfortante e pronto para enfrentar o frio dos meses que se avizinham. Também experimentámos falafel (bolinhos fritos de grão-de-bico) que agradaram os estômagos de quem prefere não comer carne ou peixe. Seguimos para os pratos principais: beringela recheada, bacalhau com batata a murro e rabo de boi. A beringela vinha servida numa porção muito generosa e o recheio incluía quinoa, amêndoa, queijo cabra e algumas especiarias, numa explosão de sabor. O prato de bacalhau combinava várias texturas: a delicadeza do peixe, o ponto de cozedura da batata, um puré e cebola crocante. Por fim, provámos rabo de boi estufado, que se desfazia a cada dentada na boca, servido com uma salada que equilibrava a boca e cortava a gordura da carne. É sempre difícil eleger um favorito (gostos não se discutem!) mas o bacalhau conquistou um lugar especial nas nossas barrigas. Como gostamos de terminar a refeição numa nota doce, guardámos espaço para umas deliciosas colheradas de pudim com redução de vinho do Porto. A nova carta está a ser finalizada mas Cátia e Pedro levantaram-nos a ponta do véu e vimos por lá rabanadas de vinho, croquetes de pato, nacos de porco ibérico, salteado de castanha e cogumelos, figo assado, bacalhau sous-vide, algas salteadas, coral tinta de choco e pêssego macerado com gin sob espuma de laranja. Hoje há Supper Club com sabores do Brasil com a chef do espaço, Kamila, e promete. Como em todos os eventos convém reservar lugar e avisar se têm alergias, restrições alimentares ou intolerâncias porque o menu é surpresa.

Experiências

Inovador em Coimbra, o Coolaboola reúne vários conceitos: comércio, serviços, experiências, lazer e restauração. Se forem acompanhando a página no Facebook, albergam desde concertos a workshops, ocasiões para fazer tatuagens, piercings, aprender bartending, cos pinup, maquilhagem ou corte de cabelo com profissionais convidados. Temos muitos parceiros, desde arqueólogos e historiadores a fotógrafos, ilustradores, disco jokeys e entidades como o Teatrão, a Academia de Música de Coimbra, Salão Brazil e Fado Hilário, explicou Pedro Serra. Algumas propostas são mesmo fora da caixa. Por exemplo: queres criar uma banda desenhada, a um estilo que gostes, de um episódio da tua vida e ficar com uma recordação ou um quadro, continuou. Ideias não faltam. Os passeios turísticos são para visitantes mas também para locais, inclusive crianças. Elas vêm com máquinas fotográficas, bússolas e binóculos e encontram coisas que nós adultos já não reparamos porque olham para cima, olham para todo o lado e entram em todo o lado, relatou Cátia, com um brilhozinho nos olhos. 

Loja alternativa

O edifício do Coola Boola Colab foi muita coisa antes desta nova vida, a convite da The Loop Company (cujos escritórios ocupam o 2º, 3º e 4º pisos) que obrigou a algumas obras mas manteve grande parte da traça original, por dentro e por fora. Estamos a tentar reunir fotografias e documentos para contar a história, disse Pedro Serra. O elevador interior é o ex libris. A loja, que ocupa o rés-do-chão, 1º andar e cave, tem espaços pop up de várias marcas, nacionais e internacionais, com objectos retro e vintage, sobretudo da década de 50 e 60. É ideal para comprar presentes originais e diferentes. Gostamos de trabalhar as emoções e as memórias boas, o pessoal gosta de chegar e experimentar os telefones, ver as máquinas fotográficas e os gira-discos, a roupa, explicou Cátia à medida que descíamos as escadas até à cave onde estão brinquedos e uma deliciosa boutique de senhora, com vestuário e acessórios, preparados para serem experimentados em grande estilo. Podem estar a beber cocktails enquanto experimentam os vestidos no showroom, atirou Cátia, ela própria impecavelmente vestida a preceito. No rés-do-chão também há uma cafetaria/bar (com esplanada cá fora), onde a cerveja artesanal é o forte, e um Food Lab que é como uma cozinha de experimentação, com saladas, sanduíches e bruschette. Não queremos competir com um Zé Manel dos Ossos por isso puxamos outros sabores, outras texturas, trabalhar dentro do conceito de bar diferentes sabores do mundo, explicou a gerente. No 1º andar há uma barbearia, uma sala de tatuagens, roupa e acessórios de viagem e relacionados com bicicletas, tudo pousado num belo mobiliário. Em todos os cantos da (enorme) casa há objectos de parceiros locais ou fornecedores internacionais que Cátia e Pedro vendem, envaidecidos, não fosse este um projecto com uma missão bem vincada: #vemviverabaixa. Brevemente inuguram o website e a nova carta. 

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