O Bairro da Relvinha precisa de ajuda e todos podemos contribuir

Na fotografia está um espaço vazio em frente a um pavilhão inacabado. Fica no coração do Bairro da Relvinha, em Coimbra, onde os moradores têm o espaço cedido há anos pela Câmara Municipal de Coimbra, um projecto assinado pelo arquitecto João Mendes Ribeiro e uma enorme necessidade: ter um Centro Social e Cultural onde a comunidade se possa reunir, receber e organizar eventos culturais e sociais e munir, sobretudo os jovens e idosos, de uma pequena biblioteca com livros e computadores. O problema é que o projecto foi começado mas não foi terminado, por falta de verba. Há 16 anos que os moradores da Relvinha esperam o seu Centro Social e Cultural. Nada que lhes seja estranho, porque a história da comunidade é uma história de luta e mobilização únicas na cidade de Coimbra, mas que se repete.

Décadas depois das imensas dificuldades para obter habitações dignas, o Bairro da Relvinha continua a reivindicar o direito à cidade, à cultura e à cidadania, lê-se no PPL onde já começaram a cair os primeiros euros. O apelo está a ser lançado pela associação de moradores a toda a sociedade, todos os que possam contribuir com o que puderem e apoiar esta causa. Basta clicar aqui e seguir as instruções. Fizemos as contas e se cerca de 1100 pessoas doassem 30€ cada uma, o sonho dos moradores do Bairro da Relvinha é concretizado e Coimbra ganha um novo polo de dinamização cultural, social e comunitária. Há recompensas para quem doar mais de 25€, além do regozijo de contribuir para a causa. O objectivo é angariar 34 mil euros em 60 dias. Termina a 12 de Dezembro. 

O projecto

O vídeo do crowdfunding, ou angariação de fundos pública, explica brevemente a história do Bairro da Relvinha e conta com os testemunhos do presidente da Cooperativa Semearrelvinhas, Jorge Vilas, e do Professor José António Bandeirinha, amigo do bairro desde os tempos de estudante. Ambos marcaram de formas diversas a história contemporânea da cidade de Coimbra e do bairro das casas de madeira degradadas, na actual na União das Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades, a cerca de 10 minutos do centro de Coimbra. Cultura é demasiado rica para ser perdida e a vivência com as pessoas do exterior traz-nos efectivamente grandes dividendos, diz Jorge Vilas, octagenário e residente mais antigo. Para quem não sabe, em 1957 quase 30 famílias foram desalojadas da zona da Estação Velha, Rua do Padrão e Arco Pintado para permitir a construção da longa Avenida Fernão de Magalhães - onde hoje ficam uma série de serviços e a central rodoviária de Coimbra - e realojadas em casas de madeira de forma provisória. Um provisório que se tornou definitivo até à Revolução de Abril de 1974, altura em que os moradores se organizaram, aproveitando alguma da experiência acumulada de alguns dos seus moradores no combate e resistência ao fascismo. 

 

 

Eles fundaram a Associação de Moradores em 1976 e, 10 anos depois, a Cooperativa de Construção e Habitação Económica Semearrelvinhas que assina agora este crowdfunding pela concretização do projecto do Centro Social e Cultural que, após a sua conclusão, poderá aproximar mais o bairro do centro, dinamizando actividades culturais que atraiam os moradores do bairro, mas também das outras zonas da cidade. O projecto de construção de um espaço sócio-cultural para as pessoas se poderem juntar e manter o espírito de convívio e união que caracterizam o bairro da Relvinha, bem como para a dinamização de actividades culturais, nasceu em 2003, resultado do Relvinha.CBR_X, promovido pela Associação Cívica Pro Urbe durante a Capital Nacional da Cultura em Coimbra. Actualmente o espaço existe mas com deficiências, sobretudo ao nível do tecto que exibe por dentro as telhas imediatamente acima das traves de madeira, e falta a construção de dois anexos de raiz que servirão de sala de computadores com uma pequena biblioteca, equipamentos aos quais os moradores de outra forma não têm acesso, e um espaço administrativo. Obtendo os fundos e avançando com as licenças camarárias, a previsão é de que as obras fiquem concluídas no final de 2020. 

 

A História

Num conunicado enviado à imprensa, a Semearrelvinhas explica que a história do Bairro da Relvinha está marcada pela precariedade habitacional, mas sobretudo pela união dos moradores que souberam organizar-se para mudar a sua situação. Após o 25 de Abril, os moradores formalizaram a associação de moradores que na prática já se encontrava em funcionamento informalmente, aderiram ao SAAL e à autoconstrução como forma de custear parte da obra, obtiveram apoio de estudantes, partidos, grupos católicos, estrangeiros voluntários (companheiros construtores), de empresas, apoiaram a Cooperativa de Barcouço - chegando a ter um ponto de venda dos seus produtos -, ajudaram outros bairros com graves carências habitacionais a organizar-se e a integrarem o SAAL. Para além da luta intensa pela melhoria das condições de habitação dos moradores do próprio bairro e de outros, mobilizaram-se nos momentos cruciais em que se acreditou que seria possível construir um outro mundo. Com a esperança renovada na futura dinamização do bairro que será levada a cabo pelos mais novos consideram que o espaço poderá ter um papel essencial de reunião entre as diferentes gerações que vivem e viveram lá com os muitos amigos do bairro espalhados pelo país e pelo mundo. Mesmo os antigos moradores e amigos do bairro que estão longe vão mantendo uma fortíssima ligação e interesse pelo presente e futuro do bairro. O link para o crowdfunding é aqui

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Teles Ivone Teles
18.10.2019

Concordo com o crowdfunding. Enviar NIB da Associação, ou de um responsável através de mp.