Este japonês é incrível e agora também dá para comer ao balcão

Há uns anos Marina levou David Neto a provar sushi e ele nem ficou muito convencido, mas depois deu-lhe uma segunda oportunidade. Passado pouco tempo, o apaixonado pela cozinha - desempregado na altura - estava a fazer um curso de sushi no Porto e experiências em casa com a companheira. Dos jantares para amigos passaram para os eventos em restaurantes, jantares temáticos e uma página no Facebook. Foi aí que a coisa começou a ficar séria. De repente já tínhamos seguidores e pessoas a aparecer lá em casa que não conhecíamos, e foi aí que começámos a procurar um espaço, contou-nos o sushiman enquanto pincelava com soja duas reluzentes peças de atum. 

Há 6 anos registaram a marca e um ano depois abriram o Sushi P'ra Ti  na Rua D. Afonso Henriques, no centro de Cantanhede. A fama já precede o espaço, mas agora foi renovado e tem um balcão, como é bastante comum no Japão. A ideia foi mesmo criar este lugar especial e tem sido interessante porque falamos com os clientes, eles vêem a comida a ser preparada e podemos explicar como se come, a quantidade de soja que devem usar, explicou-nos David e garantiu que quem experimenta geralmente não volta a sentar-se nas mesas.  O restaurante encerra às segundas e só serve almoços às quartas e sextas-feiras, de resto está aberto das 19h às 23h (23h30 aos Sábados).

Sushi 

16, 32 ou 48 peças. Com ou sem sashimi. Tudo o que servem no Sushi P'ra Ti é feito com talento e amor, sempre fresco e certificado. Com o boom do sushi em Portugal aumentaram os casos de intoxicação alimentar, afinal lidamos com peixe cru, e os japoneses começaram a preocupar-se e a vir certificar os profissionais para que diminuíssem e houvesse uma diferença entre os profissionais, não ser só sushi por ser sushi, disse-nos David Neto. Os diplomas estão à porta para quem quiser ver. Na lista, há Edomae, que é o sushi tradicional de Tóquio, com hosomakis, nigiris e gunkans, e sushis Especiais como o Urakami Acevichado (inspirado no ceviche peruano) e o Hot Philadélphia. Para mim o maior desafio é eu embirrar com o sushi mais tradicional e a maior parte das pessoas gostarem mais dos outros, que se calhar se eu fizesse tinha mais clientes, confessou o sushiman. E de repente pega num maçarico e começa a queimar uma peça absolutamente divinal, que só mesmo provando é que se consegue entender a dimensão da qualidade. Tenho muito clientes que perguntam: têm enguia hoje? É por causa desta peça.

Ramen 

A maior parte de vocês saberá que há muito mais para comer num restaurante japonês do que sushi e aqui podem comprová-lo. Das entradas como as Gyosas, os Crepes, o Bao e o incrível Tempura de Ovos de Codorna, no Sushi P'ra Ti podem provar Temakis, Sashimi, Udon e mesmo Ramen, que são caldos muito típicos no Japão. Normalmente é composto por massa, uma sopa com caldo à base de ossos de porco, peixe ou frango e alguns elementos adicionais como algas, pedaços de carne de porco, bambu e cebolinho. Não há sempre porque, para já, ainda não é dos que tem mais saída. E o caldo demora 5, 6 ou 7 horas a cozinhar, a carne quase durante 3h e antes fica a marinar de um dia para o outro, o ovo também, explicaram David e Marina. Mas o sushi também demora, sobretudo o arroz, são cerca de 2 horas e meia. Não é por acaso que lhe chamam arte. David também contou que os japoneses elegem mesmo os restaurantes favoritos pelo sabor do arroz que será, de longe, o maior desafio na cozinha nipónica. Até o tempo influencia, se está a chover ou se está calor, a quantidade de água, açúcar e vinagre, disse. Na boca, percebe-se o que ele quer dizer. 

Qualidade

Não somos (só) nós que dizemos que tudo aqui é muito bom, são os japoneses. Neto não apenas no apelido, mas também de uma cozinheira profissional e de mão cheia, David ganhou cedo o gosto pela cozinha e a história dele com o sushi começou em casa mas também passou por um estágio no reputado Japonês, em Coimbra. Fez o curso Master Sushi Cook & Manage na Everything About Sushi, no Porto, entre outras formações quer em Portugal quer no Japão, e em 2014 apostou as fichas todas neste espaço próprio, pondo em prática as próprias ideias mas respeitando sempre a tradição da arte culinária japonesa. Tem sido uma caminhada de aprendizagem, não posso dizer que já sei tudo, o sushi é mesmo assim, disse o sushiman, que entretanto já tem um certificado internacional de competência em sushi pelo World Sushi Skills Institute e pelo Global Sushi Challenge. Mas fez sempre a ressalva: foi a companheira (de vida e de negócio) que lhe passou o bichinho, habituada ao contacto com a enorme comunidade japonesa em São Paulo, no Brasil, de onde é natural. Quando não estão a trabalhar, gostam de comer de tudo. O nosso lazer é mesmo ir ver outros restaurantes, saber como é que o cliente se sente é muito importante, atirou Marina, enquanto David rematava esta degustação com um sashimi dos favoritos: lírio, atum, salmão e peixe galo. Se ainda couber sobremesa quando lá forem, não deixem de provar a incrível Osaka de Lima mas também há Sushi Doce (rolos de banana com brigadeiro), Crepe Tóquio, Fuji, Kasutera.

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Bruno W
11.10.2019

Atendimento nota 10. Os Pratos são deliciosos, adorei!

Vera Lucia cadioli
11.10.2019

Parabéns Marina Vcs merecemDeus abençoe