Este festival soa a Coimbra mas tem muito mais do que música

Deitar a Canção de Coimbra num palco e dissecá-la, como um médico quando autopsia um corpo para diagnosticar a causa da morte, recuar 50 anos e receber de novo Flores para Coimbra ou rever o Mondego Chase, com base nos temas de Carlos Paredes. Até 7 de Outubro, descobrem-se as mais emblemáticas sonoridades da cidade dos estudantes no festival Correntes de Um Só Rio 2019 - Encontro da Canção, do Fado, da Música e das Guitarras de Coimbra.
O Fado e a Canção de Coimbra são o elemento central, com todas as divergências que carregam da História à forma de interpretar e ouvir, mas a programação do evento organizado pela Câmara Municipal de Coimbra conta com a colaboração de vários músicos e artistas, com propostas eclécticas e em diversos locais, a maior parte no Convento São Francisco. Estes são os espectáculos, roteiros, concertos, tertúlias e uma exposição que podem ver estes dias, alguns gratuitos outros com os bilhetes a custar de 5€ a 8€ (ou 45€, passe geral): 

Flores para Coimbra 

Uma Crónica Musical das Crises Académicas dos anos 60 em Coimbra 
Todos os dias | Project Room | 15h às 20h | Gratuito 

Flores para Coimbra é um dos discos mais importantes da história da Canção de Coimbra, retrato dos anos 60 portugueses e do impulso que Coimbra deu para a conquista da democracia em Portugal, e foi gravado há 50 anos. Nesta exposição, a poesia e a música são o fio condutor de uma história fundamental para a conquista da democracia em Portugal e para a afirmação da tradição musical de Coimbra no panorama da música moderna portuguesa. Mostra-se também o papel desempenhado por Arnaldo Trindade e a editora Orfeu, homenageando-se todos aqueles que acreditaram que a música pode ajudar a mudar a vida de um país. A curadoria é de Manuel Portugal e a produção de Paulo Cunha da Associação Fado Hilário.  

GPS | Roteiros da Canção de Coimbra

O ponto de encontro é sempre às 17h. No dia 1 é na República dos Fantasmas e no dia 5 de Outubro na Av. Dias da Silva (Casa de Luiz Goes). São caminhos pedonais, organizados por Manuel Portugal, com paragens para música ao vivo e algumas notas de enquadramento histórico do ambiente mais puro da tradição musical Coimbrã – a Serenata. Inclui porto de honra e visita à República dos Galifões e à Casa Costa Lobo. A lotação é limitada e a reserva obrigatória através da bilheteira do Convento São Francisco ou a partir do email bilheteira@coimbraconvento.pt ou telefone (239857191). 

1 de Outubro
Dia Mundial da Música

Serenata Patrimónios Evocativa dos 120 anos do nascimento de Edmundo Bettencourt
Sé Velha | 22h | Gratuito 

Há quem diga que a sua voz ainda ecoa na janela da casa onde morou. Edmundo de Bettencourt, entre o canto e a escrita, estará de regresso à Sé Velha. Serenata de celebração dos 120 anos do nascimento de um dos maiores nomes da história da Canção de Coimbra, poeta Presencista e companheiro de Artur Paredes. Será evocada a sua memória, clamando por uma revalorização do património musical de Coimbra. Desafiando o canto e os ecos de Bettencourt imortalizados na Sé Velha, a partir da janela da casa onde morou, por cima do Café́ Oásis, serão escutados poemas do poeta da Presença.

 

2 de Outubro 

Tertúlia: Contributos do Poeta Edmundo de Bettencourt para a Modernidade da Canção de Coimbra por Jorge Cravo
Café concerto | 18h | Gratuito 

Edmundo de Bettencourt é a grande referência da Canção de Coimbra da primeira metade do século XX, fruto, não só, das suas opções temáticas, musicais e estéticas assumidas, mas, igualmente, como elo entre a Canção de Coimbra e o movimento presencista do segundo modernismo literário português, doutrinado pelo escritor e poeta José Régio. A sua prática artística é reveladora da aplicação ao Canto Conimbricense de alguns princípios presencistas, nascendo, assim, a Escola Modernista da Canção de Coimbra
 
Teatro: Purgatório - A Divina Comédia  
Criação Teatro O Bando 
 Grande Auditório | 21h30 | M/12
 
Uma pessoa viaja sem sair do lugar. Muitas pessoas caminham sem saber viajar. Dante ama as pessoas, mas não conhece a humanidade. Dante ama a humanidade, mas não conhece as pessoas. E Dante viaja, viaja ao longo de três manhãs, três tardes e três noites. Dante viaja e muitas pessoas caminham. Passam. Passam como uma multidão de estrelas. Um rebanho assustado que procura alguma divindade a quem venerar. Uma manada subjugada que ama a autoridade. Uma matilha insubmissa que se manifesta e se revolta. Um coletivo saciado à distância por candidatos iluminados. Um conjunto de distraídos e miseráveis que ouvem o tilintar das moedas e aceitam o sistema. Um alienado carreiro de formigas, pragmático, obcecado e míope. Muitas pessoas todas juntas. O que somos? Somos sombras. E porque é da luz que vem a nossa aparência, sombras nos chamamos. E assim, juntos aqui nos rimos e falamos e formamos os prantos e os suspiros que podem por toda a terra ser ouvidos. Assim, juntos caminhamos em direção à luz desse sol que nos encadeia e que nos transforma em pássaros solitários, numa vazia migração, sem mestres e sem memória. Até que, sozinhos, possamos conhecer quem sempre guiou os nossos passos, até que possamos caminhar em direção a essa felicidade cega, surda e muda, a que gostamos de chamar Paraíso. Dois anos após ter levado a cena Inferno, o Teatro O Bando apresenta a segunda estação da grande obra A Divina Comédia de Dante Alighieri, dirigida por João Brites.  

3 de Outubro

Teatro: O Menu, Helder Wasterlain
Antiga Igreja | 18h30 | M/6
 
Porque é que não posso dizer as coisas tal como as penso? Miss Manners (Judith Martin) Menu implica uma escolha, uma combinação, uma lista disponível, uma certa liberdade. Um texto dramatúrgico que reflecte sobre a Canção de Coimbra, que coloca o tema sobre o palco, que o disseca, tal qual um médico de medicina legal quando autopsia um corpo com o único objectivo de diagnosticar a causa da sua morte. Um exame atento do outro e de si mesmo. MENU é uma luta interior pela escolha, pela combinação, por uma lista indisponível. A procura de uma certa liberdade como uma reacção às regras, às tradições, às repetições. [Helder Wasterlain] Com a actriz Cláudia Carvalho e o guitarrista Hugo Gamboias.
 
Concerto: IV Grande Noite do Fado e da Canção de Coimbra
Grande Auditório | 21h30 | M/6
 
Noite da canção e do fado de Coimbra, na sua pureza original, à guisa do que sucedeu em anteriores realizações, conta com a presença de grupos que interpretam temas clássicos até aos dias de hoje, mas servirá igualmente de mostra anual para escutar as várias tendências, novas propostas artísticas, abordagens e interpretações e instrumentos, desde os arranjos de fados e baladas para o Coro, com variados acompanhamentos instrumentais, até aos grupos recentemente criados e que apresentam visões interpretativas próprias do Fado, da Canção e da Guitarra de Coimbra. O projeto serve dois propósitos: a recordação da História e da tradição por um lado, por outro a mostra de novos executantes, dizeres e músicas do fado e da canção como actualmente se realiza. Com João Farinha e Fado ao Centro, Segue-me à Capela, Virgílio Caseiro, Vozes da Rádio, Luís Travassos e Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra.
 
 

4 de Outubro

Concerto: Guitarras de Mão em Mão - Viola de Coimbra
Grande Auditório | 21h30 | M/6
 
Chamámos-lhe viola porque nasceu diferente da sua irmã mais velha – a guitarra clássica – com uma arquitectura própria de sons que a transformaram, ao longo do tempo, na força motriz sem a qual a guitarra de Coimbra não seria o que é. Foi toeira e acompanhou a voz do povo em romarias populares. No Século XIX e primeiro quartel do Século XX, manteve cordas de arame no acompanhamento dos guitarristas fundadores. Depois, foi-se transformando em resposta aos desafios de novas estéticas e correntes musicais. Quando foi preciso, libertou-se da guitarra, dando voz a gritos de revolta que já não cabiam no espaço e no tempo de uma serenata tradicional. Mas voltou sempre a Coimbra porque, sem ela, a guitarra não teria movimento. Passou de mão em mão, com segredos e cifras que só alguns souberam desvendar. A esses arquitectos de sons e de afectos Coimbra presta, hoje, a sua homenagem. Organizado por Manuel Portugal, com Paulo Larguesa, Humberto Matias, Rui Pato, Luís Carlos Santos, Carlos Costa, Carlos Jesus, Manuel Portugal, Simão Mota, Hugo Gamboias, Luís Barroso, Pedro Pinto e António Ataíde.  

5 de Outubro

Concerto: Flores para Coimbra 50 Anos
Antiga Igreja | 18h30 | M/6
 
Flores para Coimbra, um dos álbuns mais importantes da história da Canção de Coimbra, retrato exemplar dos anos 60 portugueses e do impulso que Coimbra deu para a conquista da democracia em Portugal, foi gravado há exatamente 50 anos. João Queirós e o Grupo de Guitarras e Cantares de Coimbra, com produção da Associação Fado Hilário, recriam as canções do disco, num concerto que pretende ser um grito contra o esquecimento. Quando se fizer a história dos anos 60 portugueses, há-de sentir-se a presença da juventude de Coimbra, lúcida e inconformista, a servir de aguilhão, e uma rotina nacional, dividida e decrépita, mesmo nas zonas mais pretensamente inovadoras. Rebeldia inteligente e actuante, sem esquecer as raízes do passado, no que possuem de autêntico, e sem se perder nas águas de uma adolescência estranhamente senil, como é timbre de certa burguesia que, desconhecendo-se a si mesma, compra, a troco de uma violência gestual, a paz de espírito que não busca na acção. Também na música e na poesia a mensagem de Coimbra se repercute com força, como o provam as criações de José Afonso e as interpretações de Adriano Correia de Oliveira e Luiz Goes. No entanto, seria injusto não distinguir o papel pioneiro e, de certo modo, mais genuíno, da guitarra de António Portugal – essa dureza dúctil e fremente que ele impunha já ao Coimbra Quintet, recriando as velhas melodias com um metal mais incisivo e mais rouco, e que hoje, já claramente ideológica (e entregue, finalmente, à sua própria lição), não receia o fulgor e a eloquência do discurso. E a poesia de Manuel Alegre (Praça da Canção, O Canto e as Armas), epopeia da saudade e do exilio em que o fecundo nervo camoniano se timbra de um clarão de certeza e de força que ilumina de esperança as derradeiras gerações. É essa voz consciente e amarga que hoje se oferece neste Flores para Coimbra, sem esquecer o original contributo que, sobre o poema de Manuel Alegre, nos dá a música de Joaquim Fernandes (sinal de um eco não fortuito ou fictício que, para lá do círculo propriamente estudantil, suscitou toda uma crise de crescimento). E sem esquecer a limpidez das criações e interpretações de Francisco Martins – um troubadour inteligente e subtilmente lírico –, ou a viola deste arquitecto de sons (as ogivas sonoras de Duarte Costa) que se chama discretamente Luis Filipe. E em tudo o acento de António Bernardino, grave e profundo, carregando o peso desta criação colectiva com uma emoção que não exclui a consciência e um virtuosismo formal que não exclui a persuasão. (Coimbra, 1969 – Prof. Dr. Orlando de Carvalho) Com João Queiróz, Simão Mota, Manuel Portugal, Humberto Matias, Nuno Botelho, Coro D. Pedro Cristo, Rui Pato e os actores Rui Damasceno e Cristina Janicas.  
Concerto: 15 Anos Sem Paredes - Animais 
Grande Auditório | 21h30 | M/6
 
Debilitado por uma doença degenerativa há quase 10 anos, o virtuoso guitarrista já ouviu o disco [Movimentos Perpétuos]. [Carlos Paredes] Comoveu-se com a versão de «Verdes Anos» - «quando lhe soa a guitarra» - pelos Belle Chase Hotel e pelo Quinteto de Coimbra. (Público, Ípsilon, Kathleen Gomes, 24 de Junho de 2003) Decorria o ano de 2003 e Coimbra, então capital da cultura, viu subir ao palco do teatro académico Gil Vicente (TAGV) o espectáculo «Mondego Chase», resultante da colaboração de Belle Chase Hotel com os músicos do Quinteto de Coimbra, e com base em alguns dos mais emblemáticos temas de Carlos Paredes. Ditou a sorte que o trabalho daí resultante tivesse ficado apenas pelos palcos que testemunharam o espetáculo, e que apenas tivesse sido registada em estúdio a versão de Verdes Anos, que integrava então a colectânea «Movimentos Perpétuos». Independentemente das encorajadoras críticas que gabavam o projecto, e da benção de um Carlos Paredes emocionado ao ouvir o seu trabalho revisitado, ainda que num contexto bastante diferente do habitual, este trabalho ficou guardado durante todos estes anos nas memórias de quem o viu e ouviu, e dos músicos que o conceberam. 15 anos mais tarde, no final de 2018, os mesmos músicos que arquitectaram o projeto reúnem-se para ressuscitar e completar a aventura musical pelo universo sombrio, negro e vibrante da figura mais carismática e livre da guitarra portuguesa. É com imenso prazer que os músicos que levaram a cabo este trabalho apresentam agora um disco intenso para almas irrequietas, ouvidos exigentes e espíritos livres. Com Pedro Renato, Raquel Ralha, Ricardo Dias, Pedro Lopes, Luís Pedro Madeira, Sérgio Costa e Luís Formiga. 

7 de Outubro

Concerto: Ricardo Ribeiro Canta Coimbra 
Grande Auditório | 21h30 | M/6

Ricardo Ribeiro, um dos maiores fadistas da actualidade, virtuoso e versátil. Ouvi-lo cantar António Menano, Augusto Hilario, Edmundo de Bettencourt ou ainda Luíz Goes, Adriano ou Zeca Afonso será sem dúvida um desafio, uma experiência única e inédita. A sua musicalidade, a sua voz, a sua paixão e intensidade em tudo o que canta vão ser os ingredientes para uma viagem pela história do Fado, Canção e Balada de Coimbra como nunca foi apresentada. Ricardo Ribeiro será acompanhado por uma banda composta por músicos de referência no panorama nacional. Vêm de várias áreas como o Jazz, Música Tradicional Portuguesa, e Fado de Coimbra como não poderia deixar de ser. Um espetáculo com uma sonoridade única, mas sem perder a identidade e a matriz da Canção de Coimbra. Produção musical de Ricardo J. Dias, com Ricardo Ribeiro, Guilherme Catela, Luís Ferreirinha, Ricardo Dias, Mário Delgado, Tomás Pimentel e Luís Cunha, Nuno Cunha, Rui Bandeira. 
 
Tertúlia: A Escola de Coimbra na Guitarra de Carlos Paredes por Henrique Fraga
Café concerto | 18h00 | Gratuito
 
A natureza de uma obra artística genuína compreende sempre a vontade expressa de um génio criador. Nessa exteriorização do mundo interior do artista é normalmente explícita a sua individualidade, originalidade e, por vezes, o seu elo de ligação com o universo de influências mais fundamental da sua arte. A obra de Carlos Paredes é um dos mais proeminentes exemplos deste tipo de manifestação em todo o panorama da música portuguesa. Transcende, em larga medida, a clara evidência da genialidade de um dos maiores artistas da nossa história. Constitui, simultaneamente, um dos mais elevados patamares e um dos mais robustos alicerces da escola de Coimbra. O guitarrista Henrique Fraga, com cerca de duas décadas de dedicação ao estudo aprofundado de Carlos Paredes, abre um diálogo com vista a uma compreensão mais alargada da sua obra e da importância da mesma, simultaneamente, enquanto auge e ponto de partida para a guitarra de Coimbra.

Roteiro do Fado e da Canção de Coimbra

àCapella 
Casa de Fados Centro Cultural 
Espectáculos todos os dias às 21h30 
R. Corpo de Deus, 3000-121 Coimbra 
Telefone: 239 833 985 

Café A Brasileira 
Espectáculos todos os dias às 19h15 
R. Ferreira Borges 124, 3000-337 Coimbra 
Telefone: 239 842 299 

Café Santa Cruz 
Espectáculos de 2ª a Sábado às 18h e 22h, ao Domingo às 18h
Praça 8 de Maio, 3000-300 Coimbra 
Telefone: 239 833 617 

Diligência Bar 
Espectáculos de 2ª a Sábado às 21h30 
R. Nova 30, 3000-297 Coimbra 
Telefone: 239 827 667 

Fado ao Centro Casa de Fado 
Espectáculos todos os dias às 18h 
Rua do Quebra Costas nº 7, 3000-340 Coimbra 
Telefone: 239 837 060 

Fado Hilário Associação Cultural 
Espectáculos todos os dias às 18h45 
R. Joaquim António de Aguiar 110, 3000-230 Coimbra
Telefone: 911 505 770 

Restaurante A Cozinha da Maria 
Espetáculos aos domingos às 20h00
R. das Azeiteiras 65, 3000-066 Coimbra
Telefone: 968 650 253 

Restaurante O Trovador 
Espectáculos por marcação
Largo Sé Velha 15, 3000-383 Coimbra 
Telefone: 239 825 475

República da Saudade 
Espetáculos por marcação 
Quinta da Ribeira, nº1 - Coselhas, 3000-125 Coimbra
Telefone: 934 309 775

 

Podem informar-se melhor sobre o festival via telefone (239 857 191) ou email (bilheteira@coimbraconvento.pt), o programa também está dispoível aqui.

 

Artigo patrocinado 

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Reza
07.10.2019

Boa tarde onde é o evento de hoje a tarde das 18h00, que vocês não descreveram no programa, só descreveram: Tertúlia: A escola de Coimbra na Guitarra de Carlos Paredes por Henrique Fraga! Por favor me informe-onde é o endereço deste Café!