Esta é a nossa futura reserva natural. Querem conhecê-la?

Aproveitámos a oportunidade, porque, para já, ainda não é possível todos os dias. Sabiam que temos um recanto natural riquíssimo quase às portas da nossa cidade? A MilVoz, associação de Protecção e Conservação da Natureza, fez-nos uma visita guiada. Criada em Maio, por um grupo de cidadãos a quem a Natureza inspira, - ou não fosse MilVoz um trocadilho genial entre o género da ave mais emblemática de Coimbra (Milvus migrans) e a necessidade de dar voz ao património natural da região. Fomos conhecer a mancha florestal onde a associação quer começar a criar uma rede de pequenas reservas naturais.

O objetivo é conservar a natureza, a biodiversidade, a floresta autóctone portuguesa e a identidade da paisagem, em espaços onde a associação pretende desenvolver educação ambiental, envolvendo a população, e transmitir conhecimentos. Situada a cerca de 15km de Coimbra, entre Rio de Galinhas e Almalaguês, ficámos encantados com a Reserva Natural da Alegria, que é também por onde passa o trilho utilizado em tempos de romaria por estas povoações até à Capela da Senhora da Alegria.

Reserva Natural da Alegria

Trata-se de cerca de 1 hectare de vegetação nativa, dominada pelo carvalho-alvarinho e o castanheiro, na parte central de uma encosta por onde passa uma pequena ribeira. Se o calor é sufocante nas imediações, basta começar o trilho para sentir a temperatura a baixar e a humidade a aparecer, graças à grande diversidade vegetal - desde espécies arbóreas, como aveleiras, loureiros, adernos, ulmeiros ou medronheiros, a espécies menores, como a cavalinha que bebemos em infusão ou a macela que dá uma flor com cheiro a maçã. Com tamanha diversidade vegetal não é de admirar que também os animais vejam neste recanto um lugar especial. Grande parte dos mamíferos portugueses podem ser aqui avistados, como a lontra, o veado, o corço, a gineta ou mesmo o texugo que faz toca no meio do trilho. As espécies de ave são mais de 70 (mochos, corujas, pica-paus, chapins, guarda-rios, etc) e é possível observar também espécies endémicas da Península Ibérica, ou seja, que existem apenas na nossa península, como é o caso da salamandra-lusitânica e do lagarto-de-água.

Resistência - O poder da flortesta autóctone

A reserva mostrou pela terceira vez, no passado dia 13 de Setembro, a verdadeira força da resistência de uma floresta nativa perante a crescente ameaça do fogo. O eucaliptal envolvente foi devastado, mas a humidade criada por esta vegetação e a própria diversidade destas folhosas diminuíram a intensidade das chamas, permitindo a extinção do fogo e demonstrando, uma vez mais, a importância da conservação destes habitats e diversidade de flora nativa.

Convite à população

A prioridade da MilVoz passa por recuperar e gerir a reserva em função da conservação da biodiversidade, bem como criar condições para que todos possamos disfrutar deste espaço. Para isso, actividades como melhorar o trilho, colocar sinalética interpretativa ou mesmo melhorar habitats, serão abertas ao público. Desta forma, quem se identificar com o projecto poderá aprender a gerir um terreno em prol da biodiversidade e da floresta nativa, da diminuição do risco de incêndio florestal e da protecção da água e do solo. É um projecto que também pode ser vosso, por isso visitem o espaço, deliciem-se e fiquem atentos às próximas actividades da MilVoz por aqui. Domingo, dia 22 de Setembro, é a próxima visita para percorrer a envolvente da reserva, analisar a área ardida, o comportamento do fogo nos diferentes tipos de floresta e elaborar um plano de medidas de recuperação para a envolvente. Se quiserem ir  só têm de confirmar presença através do email (milvoznatureza@gmail.com) e o ponto de encontro é na Capela da Senhora da Alegria, Almalaguês, pelas 10h.

 

Texto: Inês Teixeira
Fotos: Pedro Costa

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