A verdadeira escapadela é dormir neste Forte

Natureza selvagem, praia, mar límpido, grutas, paisagem de perder o fôlego e quase nenhuma rede de telemóvel. Se é para desligar, é para desligar, certo? Seja para um passeio de fim-de-semana, um retiro solitário ou uma festa de aniversário, as Berlengas são um destino imperdível da região Centro de Portugal. Vai-se de barco, embarcando, a partir do porto de Peniche, e há opções de alojamento para quem não queira passar apenas o dia na Reserva da Biosfera classificada pela UNESCO em 2011.

A Berlenga Grande já foi retiro de monges, com mosteiro e tudo, que só a abandonaram porque lhes faltou comida e sofriam saques dos corsários e ataques de piratas. Hoje em dia, só não é aconselhável a visita a quem tenha fobia de gaivotas (são mesmo muitas) ou pouca flexibilidade em termos de dormida, já vão perceber porquê. Crianças é preferível que não sejam muito pequeninas, de resto a aventura e saída da zona de conforto são garantidas. Fizemos a experiência e juntámos umas dicas.

Ida

Podem comprar o bilhete do barco directamente no Cais de Embarque, em Peniche, mas convém reservar antes via telefone ou email, sobretudo no Verão. Há várias agências, como a Viamar, onde nos explicaram que o preço varia consoante a época do ano, se voltam ou não no mesmo dia e caso queiram incluir ou não a visita às grutas. Ronda os 20€ (adulto) e 10€ (crianças), ida e volta. Se voltarem no dia seguinte de manhã, fica mais barato do que à tarde. Sugerimos que levem comes e bebes se pernoitarem e ficarem no Forte, porque só há um restaurante em toda a ilha e uma espécie de pequeno café, ambos junto ao porto. O Mesa da Ilha serve refeições e petiscos, com os preços das refeições a variar entre os 9,5€ e os 40€. Há zona de campismo, mas sem sombras. Para irem a pé até ao forte, seguem o trilho (sinuoso à chegada) ou podem optar por uma boleia de barco (3€). Atenção à luz porque é difícil para os inexperientes andar à noite pela ilha, pouco ou nada iluminada, e a Praia da Berlenga também fica totalmente na sombra a dada altura, dependendo da altura do ano. 

Forte 

O Forte de São João Baptista foi um ponto estratégico muito frequentado por embarcações que percorriam as rotas entre o Mediterrâneo e as regiões setentrionais atlânticas do mundo romano. Estamos a falar do século I, portanto. O Forte em si foi construído já no século XVI, para proteger a linha costeira de Peniche e tem este aspecto incrível. Chegou a funcionar como pousada e depois abandonado, mas nos anos 80 a Associação Amigos da Berlenga fez a proposta ao Estado e reparou e recuperou tudo de forma a que visitantes pudessem acampar lá dentro. Há quartos normais e cubatas com mobília básica, mas têm de levar saco-cama e fronha ou então alugam lá um edredon por 5€. A casa de banho que serve os quartos é partilhada e não tem água quente, é preciso ir buscá-la em recipientes próprios, e a electricidade também é limitada. Há um bar e uma cozinha também partilhada, mas não servem refeições. Apesar de tudo isso, a vista e a paz valem totalmente a pena. 

Passeios e actividades

Têm dois trilhos à escolha na Berlenga Grande, o que vai do Bairro dos Pescadores até ao Forte passando pelo Farol, e o da Ilha Velha até ao habitat das gaivotas. A partir do Furado Grande vêm a Cova do Sonho e o Furado Pequeno, que só podem visitar quando a maré está baixa, mas há dezenas de grutas na ilha, a maioria acessível por mergulho que é, juntamente com a observação de aves, uma das actividades favoritas. Algumas das aves só nidificam lá, como o Roque-de-Castro, o Corvo Marinho e o Airo, e o ecossistema marinho é raro e um dos mais ricos das águas portuguesas, com sargos, peixes-lua, salemas cor de prata e riscas amarelas, safias, polvos e estrelas-do-mar. No centro turístico podem saber mais informações sobre essas e outras actividades, como a vela e o stand-up paddle. Reserva Natural há mais de 30 anos, o arquipélago das Berlengas foi a primeira área protegida do país e é visitável todos os dias. Têm mais informações aqui.

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Manuela Bargão
17.09.2019

Descriçãodas Berlengas tão bem feita, que parece ficarmos a conhecer na realidade.Parabéns à coolectiva e seus colaboradores.😄