Entrada livre para 3 tardes únicas no país

Trazemos um programa com música, pé na relva, copo de vinho na mão e conversa solta com amigos. A descrição agrada-vos? O festival Les Siestes Électroniques regressa a Coimbra de 30 de Agosto (Sexta-feira) a 1 de Setembro (Domingo) para mais três tardes de descoberta musical (das 16h às 21h), no jardim da Casa das Artes Bissaya Barreto (que fica na Avenida Sá da Bandeira, n.º 83, em Coimbra). O cenário é convidativo à boa disposição e quem foi à 1.ª edição, no ano passado (2018), contou-nos que até parece haver magia no ar no momento do pôr do sol. A entrada é livre para todos, o que facilita nas combinações, sobretudo se levarem os mais novos convosco, já que podem entrar e sair quando quiserem. O espaço tem casas de banho limpas, uma zona de apoio para a alimentação de crianças, zonas com sombra e ainda vários pares de auriculares para os pequenos festivaleiros.
O festival Les Siestes Électroniques nasceu em França e, desde então, já passou por cidades como Paris, Toulouse, Berlim, Riga, Cairo, Haia, Kyoto, Montreal, Brazzaville, Abu Dhabi, Buenos Aires, Amesterdão, Seul, Leipzig, Milão e Conacri. Foi pela mão de Alexandre Lemos e de Samuel Aubert que este festival chegou a Portugal pela primeira vez, integrado no programa cultural da Fundação Bissaya Barreto - e a cidade agradece. Já são conhecidos os artistas que vão passar pelo palco instalado no relvado mais animado da Rua Sá da Bandeira. O elenco é marcadamente internacional e conta com nomes como a dupla Damien Dubrovnik, D.K, Gonzo, Live Now, AZF, Joshua Abrams & Natural Information Society, Vessel e Front de Cadeaux. Podem obter mais informações se acompanharem a página do evento no Facebook. Não conseguimos pensar numa forma melhor de dizer adeus a Agosto. Encontramo-nos por lá?

Damien Dubrovnik

O duo dinamarquês de Christian Stadsgaard e Loke Rahbek está na origem da editora Posh Isolation, sediada em Copenhaga e focada na edição de artistas escandinavos. Os concertos da dupla são únicos e irrepetíveis e não deixam saudades de um concerto clássico. A música deles pode sentir-se como se explodisse alguma coisa a menos de 30 metros.

D.K.

Produtor residente em Paris, D.K. edita pelas prestigiadas Melody As Truth, Music From Memory’s Second Circle e Antinote, onde editou este ano o EP Riding For A Fall.

As modas retro já não impressionam ninguém e D.K. traz-nos de volta o verdadeiro espírito do house, uma multidão futurista, hedonista, sorridente e sobretudo gente que dança. Música para dar de beber à alma daqueles que querem ser felizes.

Gonzo

O português a viver entre Tenerife e Londres onde fundou a peculiar Discrepant Records.

As suas colagens são uma paisagem com recolhas de sons gravados pelo mundo, música tradicional e de produção própria. De alguma forma tudo isto soa mais natural do que a música deveria ser, como se o som fosse alguém com quem nos cruzamos na rua e olhamos de alto abaixo para depois notar que faz o mesmo.

Live Low

O quarteto de Ece Canli, Gonçalo Duarte (Equations), Miguel Ramos (Torto, Naco) e Pedro Augusto (Ghuna X) está sediado no Porto onde edita com a conterrânea  Lovers & Lollypops.

Live Low está a criar música popular contemporânea como a música popular devia ter sido sempre. Música com coração e cheia de ideias, onde ouvimos a herança eletro-acústica, muito avant-rock e as recolhas arquivadas por Giacometti e Lopes Graça, como ingredientes para música que perdurará.

AZF

A histórica DJ francesa é também curadora do festival Qui Embrouille Qui.

Se a sua música fosse um momento era um sábado à noite. Quando as pernas já não obedecem e dançam, dançam tanto que só caindo podemos parar. Catarse e exaustão porque às vezes é disso mesmo que precisamos.

Joshua Abrams & Natural Information Society

Vindo da cena jazz de Chicago, Joshua Abrams apresenta-se desde 2010 acompanhado por um imprevisível conjunto de músicos, os Natural Information Society. A América, de onde vem a música de Joshua e dos seus pares, vai ser sempre o cenário das nossas aventuras. Pode não ser a terra prometida mas a poesia e os poetas terão sempre ali o seu legado de protesto e amor e é disso que parece ser feita a música deles.

Vessel

Conhecemos Seb Gainsborough em 2012 com o EP Order Of Noise já editado pela nova-iorquina Tri Angle de onde mais recentemente publicou o disco Queen Of Golden Dogs.

O tipo é um génio. Álbum após álbum, ele rebenta as expectativas enquanto abraça novas formas de criação para fazer coisas únicas. A sua música é tão líquida quando sólida, e pode tomar mais formas que o T-1000 enquanto inventa novos significados para a palavra coerência.

Front de Cadeaux

Ugo e Maurizio estão há 10 anos a aperfeiçoar a forma mais lenta de agitar uma pista de dança tocando discos de 45RPM a 33RPM.

Imaginem que dançam ininterruptamente num grande relvado durante três longas tardes de verão. Front de Cadeaux seriam um beijo suado com que se despedem no fim. Tão lânguido e intenso como um amor de verão. Alguém devia ler um cartaz onde se lesse: vamos amar uma última vez antes que o planeta colapse.

Casa das Artes Bissaya Barreto

A casa que foi a primeira sede da Fundação é agora a Casa das Artes da cidade desde 2010. Depressa se tornou num lugar de encontro no centro de Coimbra para a criação artística, independentemente da sua proveniência. Há salas de trabalho de artistas e criativos locais, espaços para residências artísticas, salas que se transformam para receber aulas de yoga ou de português para estrangeiros. Mudam-se as luzes e colocam-se cadeiras para sentar mais um concerto ou debate. Na mesma cozinha onde almoçam os artistas, decorrem workshops de culinária. Na mesa, os pratos do jantar levantam-se depressa para montar os gira-discos. Quando chega o Verão, a Casa abre as suas portas e janelas para um imenso relvado que é tapete da dança dos mais novos e o palco dos concertos nos dias mais longos. A Casa onde há espaço para conversas demoradas sobre tudo, é a mesma que fica abarrotar com um festival internacional de música futurista ou um encontro com a cultura do magrebe. A Casa das Artes Bissaya Barreto é hoje o berço de uma comunidade ambiciosa em torno da arte e da cultura urbana onde a Fundação Bissaya Barreto aposta para se aproximar do seu próprio futuro.

Artigo patrocinado

Fotos: Casa das Artes Bissaya Barreto e José Alexandre

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