Este Parque vale mais do que mil palavras (e alguns zoos)

Já viram um lobo assim, de perto? E um lince? Já deram de comer a uma família de porquinhos? E a uma cabra velhinha e mimosa? No Parque Biológico da Lousã, na vila de Miranda do Corvo, a meia hora de Coimbra, podem fazer tudo isso e muito mais. O passeio é um autêntico deleite para os sentidos, além de encher coração e a mente com curiosidade sobre animais selvagens e domésticos num sítio muito próximo ao seu habitat natural. Mais do que um jardim zoológico, o parque, que está a celebrar o 10º aniversário, está aberto todos os dias e é uma aula viva, amostra da fauna selvagem e doméstica autóctone de Portugal, e um abrigo para animais feridos ou em risco. Estão presos, sim, mas a maioria não em jaulas mas separados dos visitantes apenas por uma grade ou rede. 

O percurso é o mais natural possível, de terra batida e no meio do verde, muito verde. Começa no Espaço Mente, depois passa pela Quinta Pedagógica, onde até podem alimentar os bichos (vendem o milho apropriado à entrada), e depois sobe pela encosta fora. Requer alguma resistência física e muita água em dias de sol e calor, mas garantimos que vale bem a pena. O Parque Biológico da Serra da Lousã inclui o Eco-Museu, o Espaço Mente (que é um museu que invoca a liberdade e a evolução do Homo Sapiens) e o Templo Ecuménico Universalista (pago à parte). Importa dizer também que é um projecto de cariz social, tem como objectivo e missão empregar trabalhadores portadores de deficiência física e/ou psicológica e pessoas vítimas de exclusão social ou desempregados de longa duração.

Quinta Pedagógica

Suínos, bovinos, ovinos, caprinos, aves e equinos, a quinta é um museu vivo das raças da agro-pastorícia tradicional portuguesa. Desde as diversas raças de vaca (Barrosã, Cachena, Marinhoa, Arouquesa e Minhota), cabra (Anã e Bravia), ovelha (Serra da Estrela variedade branca e variedade preta) e porco (Bísaro e Alentejano), às galinhas, perús, porcos-da-índia e coelhos. Também há um Centro Hípico, com picadeiro coberto e descoberto e cavalos e burros, que são cuidados por pessoas portadoras de deficiência e/ou com doença crónica, incluindo doentes mentais graves. Para miúdos e graúdos, se calhar é a oportunidade de conhecerem de perto estas espécies tão familiares. Dica: dêem de comer aos porquinhos bebés e à "cabra idosa que gosta de miminhos". Antes de irem para a zona dos animais selvagens, também podem explorar o roseiral, a horta e o labirinto feito com 320 árvores de fruto diferentes, como amendoeiras, cerejeiras e aveleiras, e que vai mudando de estação para estação.  

Parque Selvagem

Mamíferos, aves e répteis, o desafio é apanhá-los fora da hora da sesta e, de resto, desfrutar do passeio entre linces, lobos, raposas, veados, javalis, lontras, ursos pardos e até lamas. Não, os lamas não são portugueses, mas foram usados em Portugal como cobaias de investigação científica. Terminada a investigação teriam de ser abatidos, mas em vez disso foram admitidos no parque que, apesar de não ser um jardim zoológico de animais exóticos, aceitou os imigrantes da América do Sul por respeito à vida e à Natureza. Podem ver todos os bichinhos que lá estão aqui. Nas aves, destacamos as deliciosas corujas e nos répteis o dragão barbudo. Será que os vossos miúdos já viram um? Não se esqueçam de prestar atenção também à flora do lugar, ou seja, aos exemplares de árvores e plantas existentes no território português. Atlânticas, mediterrânicas ou europeias, há cerca de 400 espécies em Portugal (continente e ilhas).

Mais para ver e fazer

Para quem pensar aproveitar a viagem para fazer um fim-de-semana de paz, sossego e ar puro neste delicioso cantinho do país, o Parque Biológico da Lousã tem um restaurante, o Museu da Chanfana, com gastronomia portuguesa assente na carne de cabra velha, de porco, e também na caça e pesca. Também têm o Hotel Parque Serra da Lousã para pernoitar, com piscina, campo de ténis e spa, entre outras valências.  

O Parque Biológico da Lousã fica no Parque de Lazer da Quinta do Paiva, em Miranda do Corvo, e está aberto todos os dias (excepto a parte museológica) das 9h30 às 19h. Custa mas se fizerem anos entram de graça. De resto as crianças com menos de 2 anos não pagam e custa entre 4,5€ e 7€ para outras idades (com descontos). Fazem visitas guiadas também. 

 

Texto e fotos: Filipa Queiroz 

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